Alemanha

Schulz renuncia a ser ministro dos Negócios Estrangeiros para viabilizar acordo de Governo

Após ter sido alvo de críticas internas no SPD por ter aceitado ser ministro dos Negócios Estrangeiros, Martin Schulz renunciou ao convite. E deixará a liderança dos sociais-democratas a 4 de março.

TOBIAS SCHWARZ/AFP/Getty Images

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  • Agência Lusa

O líder do Partido Social-Democrata (SPD) alemão, Martin Schulz, renunciou esta sexta-feira ao convite para ser ministro dos Negócios Estrangeiros, não integrando, por isso, o novo governo de coligação da chanceler Angela Merkel. “Renuncio a integrar o Governo e espero que isso ponha fim ao debate interno”, anunciou Schulz num comunicado divulgado após ter sido alvo de críticas internas no SPD por ter aceitado assumir o cargo.

O acordo de coligação alcançado esta semana com a União Democrata-Cristã (CDU) de Merkel e a União Social-Cristã (CSU) de Horst Seehofer tem ainda de ser aprovado pelos militantes do SPD, numa votação que decorrerá entre 20 de fevereiro e 2 de março. “O debate em torno da minha pessoa ameaça o êxito da votação”, explicou Martin Schulz, acrescentando depois: “Fazemos política para as pessoas deste país, o que inclui colocar as minhas ambições pessoais atrás dos interesses do partido”.

Um dos principais críticos de Schulz foi Sigmar Gabriel, ex-líder do SPD e ministro dos Negócios Estrangeiros cessante. Gabriel explica que lhe foi assegurado que permaneceria no cargo alcançado que estava o acordo. “É lamentável ver até que ponto se perdeu o respeito entre nós, sociais-democratas, e o pouco que vale a palavra”, disse Gabriel ao Funke a propósito da convite a Schulz. Sigmar Gabriel também não figura entre os nomes avançados pela imprensa alemã para integrar o novo governo de coligação — no qual o SPD fica com seis ministérios: Finanças, Negócios Estrangeiros, Trabalho, Família, Justiça e Ambiente.

Recorde-se que Gabriel foi líder do SPD até ao princípio de 2017, altura em que cedeu a liderança a Schulz — que abandonou a presidência do Parlamento Europeu para ser candidato a chanceler nas eleições legislativas de setembro. No dia seguinte às eleições, Martin Schulz afirmou que não voltaria a um Governo chefiado por Angela Merkel.

Na quarta-feira, o ainda líder do SPD anunciou que abandonaria a liderança do partido após a votação dos militantes, cujo resultado é conhecido a 4 de março, e designou a líder parlamentar do SPD, Andrea Nahles, como sucessor.

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