Sporting

O Leão foi lançado às feras, entrou a tremer mas saiu-se bem. “Faz-me lembrar o Jordão”, diz Jesus

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William fez o primeiro golo da época, Montero voltou a marcar ao jogo 100 e Leão estreou-se aos 18 anos na Liga: Jesus admitiu que o avançado tremia antes de entrar, mas deixou muitos elogios.

Rafael Leão celebrou com William Carvalho o primeiro leonino no dia em que fez a estreia na Liga pelo Sporting

LUSA

Fredy Montero teve uma noite especial em Alvalade: no jogo 100 com a camisola do Sporting, o colombiano foi titular pela primeira vez desde que regressou após passagens pela Liga chinesa e americana e conseguiu mesmo voltar aos golos, fechando por completo o encontro no primeiro minuto de descontos naquele que foi o 37.º remate certeiro de verde e branco. Em paralelo, o avançado superou também o número de jogos de um jogador que deixou muitas saudades em Alvalade: Beto Acosta, um dos pilares do triunfo no Campeonato de 2000.

Antes, William Carvalho tinha apontado o primeiro golo da temporada, a 12 minutos do final, quebrando uma barreira defensiva do Feirense (e um guarda-redes, Caio Secco) que pareciam insuperáveis. Como detalha o Playmakerstats, o médio e capitão da equipa verde e branca, que apontou a grande penalidade decisiva na final da Taça da Liga frente ao V. Setúbal, já não marcava desde abril de 2017 (3-0 ao V. Setúbal).

Em paralelo, esta foi também uma noite especial para Rafael Leão, um jogador ainda com idade júnior (18 anos) que tem andado entre a equipa B e a Youth League de juniores e que fez a estreia no Campeonato depois de uma primeira experiência na Taça de Portugal em Oleiros onde apontou mesmo um golo. O avançado é um dos jogadores que mais e melhores perspectivas levanta nos responsáveis leoninos e não demorou a dar nas vistas, obrigando Caio Secco a uma defesa apertada antes de assistir Gelson Martins para um golo que seria bem anulado.

Ainda assim, e como confidenciou Jorge Jesus no final da partida, a estreia do miúdo não foi fácil. “O Rafael Leão tem 18 anos, nunca jogou na primeira equipa do Sporting. Quando disse que ele ia entrar, tremia por todo o lado… A jogar com Doumbia e Montero, precisava ter um terceiro avançado com aquelas características. Ele tem vindo a trabalhar com a equipa principal, tem talento e faz-me lembrar o Jordão. É um jogador desconcertante, forte no 1×1. Dei-lhe a oportunidade. É um miúdo forte e esteve sereno, tudo o que fez foi com qualidade. Vamos, passo a passo, trabalhar o Leão, que é um grande talento que a Academia tem. Nos treinos ele dá cabo do Piccini e do Coates, por isso é mais fácil ele dar cabo de outros jogadores. No tempo em que esteve em campo, esteve bem”, disse.

Hoje com 65 anos, Rui Manuel Trindade Jordão foi um dos melhores avançados portugueses de sempre, marcando uma era nas décadas de 70 e 80. Após ter ganho quatro Campeonatos e uma Taça de Portugal entre 1971 e 1976 pelo Benfica, teve uma experiência de uma época em Espanha ao serviço do Saragoça e regressou à Primeira Liga para representar o Sporting, onde venceu dois Campeonatos, duas Taças e uma Supertaça entre 1977 e 1986, antes de terminar a carreira no V. Setúbal. Foi também 43 vezes internacional, tendo a meia-final do Europeu de 1984 com a França como um dos jogos mais marcantes (derrota por 3-2 no prolongamento).

Jordão a disputar uma bola com Jean Tigana na meia-final do Europeu de 1984 entre Portugal e França (STAFF/AFP/Getty Images)

Após retirar-se, não voltou a ter qualquer ligação ao futebol, tornou-se pintor, licenciou-se em História da Arte na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e fez mais um curso na Sociedade Nacional de Belas-Artes. Com uma personalidade discreta, são raras as vezes em que aparece publicamente.

Ainda assim, nem tudo foram elogios e o treinador do Sporting não deixou de abordar o golo anulado a Doumbia. “Estamos felizes porque ganhámos e fizemos tudo por isso. Fizemos 45 minutos dos melhores desta época. Ao intervalo, 4-1 ou 5-1 era o resultado. Falhámos muitos golos. O VAR é uma ferramenta que ajuda os árbitros e que favorece toda a verdade desportiva quando for bem utilizada. Posso ter um grande carro mas se não souber conduzir, bato em todo o lado. O VAR, no golo que nos anulou, induziu o árbitro em erro porque a jogada é do Fernandes e o senhor VAR diz que há falta. Mas não. A bola vai para os jogadores do Feirense, há um que tem a bola, passa ao colega e depois perde. É a partir daí que é o golo. O VAR enganou o árbitro e induziu-o em erro. Mostrou a jogada antes de as coisas acontecerem”, comentou na zona de entrevistas rápidas após o encontro.

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