Alemanha

Líder interino do SPD alemão defende acordo de coligação com Merkel

Olaf Scholz defende acordo de coligação com Merkel porque o partido incluiu no acordo "matérias fulcrais relacionadas com as áreas do trabalho, educação, tecnologia e habitação social".

HAYOUNG JEON/EPA

O presidente interino do Partido Social-Democrata (SPD) alemão, Olaf Scholz, defendeu esta quarta-feira o acordo de coligação alcançado com os conservadores liderados por Angela Merkel, que será escrutinado pelos militantes daquela formação numa consulta vinculativa nas próximas semanas.

Numa intervenção em Vilshofen (sul da Alemanha), Olaf Scholz, nomeado após Martin Schulz ter anunciado na terça-feira a sua saída imediata da presidência do SPD, destacou que a força política conseguiu incluir no acordo de coligação matérias fulcrais relacionadas com as áreas do trabalho, educação, tecnologia e habitação social.

“Dois terços deste acordo figuram no programa eleitoral do SPD. Este é um acordo que pode ser apoiado”, assegurou Olaf Scholz, que é apontado como o possível ministro das Finanças do futuro governo de coligação da Alemanha caso os militantes sociais-democratas aprovem o pacto fechado com a União Democrata-Cristã (CDU) de Merkel e a União Social-Cristã (CSU) de Hörst Seehofer.

Olaf Scholz destacou também a orientação pró-europeia do acordo, algo que, na sua opinião, também é um sinal da influência do SPD no documento. E argumentou que a chegada de Emmanuel Macron à Presidência francesa abriu “uma janela temporária” para tentar avançar na integração da União Europeia (UE). “A UE é uma razão para este acordo. Foi aberta uma janela temporária. Agora temos de negociar, e não daqui a dez anos”, assegurou o líder interino do SPD.

Olaf Scholz, que também é membro da direção do SPD e presidente da câmara e governador da cidade alemã de Hamburgo, sublinhou que o partido aceitou negociar com os conservadores porque a força partidária “assume as responsabilidades em tempos difíceis”.

Os cerca de 460 mil militantes do SPD ainda têm de aprovar o acordo de coligação, alcançado no passado dia 7 de fevereiro, para que seja possível formar um novo executivo na Alemanha. A consulta interna, de caráter vinculativo, vai decorrer entre 20 de fevereiro e 2 de março. O resultado deverá ser divulgado a 4 de março.

O resultado desta consulta é incerto. Apesar da direção do partido apostar fortemente no “sim”, existe um setor da formação política, liderado pela juventude social-democrata (Jusos), que defende abertamente o “não” ao acordo. Aliás, a abertura das negociações com os conservadores provocou fortes divisões no SPD.

Scholz foi nomeado na terça-feira presidente interino do SPD depois de Martin Schulz ter anunciado a sua saída imediata da liderança.

O antigo presidente do Parlamento Europeu, que chegou a ser apontado como o futuro ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, já tinha anunciado, na semana passada, a sua intenção de renunciar em breve ao cargo de líder do SPD. Mas o clima de críticas no seio do partido acelerou a sua saída.

A direção do SPD propôs, de forma unânime, como candidata à liderança Andrea Nahles, de 47 anos, líder do grupo parlamentar do partido desde setembro de 2017 e conotada com a ala esquerda da formação. Antiga ministra do Trabalho, que rejeitou participar na nova grande coligação, Andrea Nahles será a primeira mulher a liderar o partido fundado há 150 anos. Para tal, o SPD vai organizar um congresso extraordinário, a 22 de abril, para a eleição do novo presidente, apenas um ano depois do congresso, também ele extraordinário, que elegeu Schulz com 100% dos votos dos delegados.

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