A lista (sempre incompleta) dos 237 acusados de assédio sexual. 51 conhecidos, 36 não revelados, e 150 desconhecidos

18 Novembro 2017145

Há cerca de 400 pessoas a acusar outras 237 de assédio sexual: personalidades de Hollywood, políticos e gestores. O movimento #MeToo foi agora eleito Figura do Ano pela Time. Conheça todos os casos.

(Este artigo foi originalmente publicado a 18 de novembro e republicado a 6 de dezembro na sequência da eleição do movimento #MeToo para figura do ano 2017 da Time)

“Entendo que a maneira como me comportei com colegas no passado causou muita dor e peço sinceras desculpas por isso.” Este foi o pedido de desculpas do produtor Harvey Weinstein por ter assediado e chantageado sexualmente mulheres com quem trabalhava. Não foi o único arrependimento, nem o primeiro caso a ser revelado: um médico da Universidade Michigan State tinha sido acusado em fevereiro, o ator brasileiro José Mayer em março, o apresentador da Fox News Bill O’Reilly em abril, o líder da 500 Startups Dave McClure em junho, Chris Sacca, dono da Lowercase Capital e o cantor norte-americano R. Kelly em junho. Mas em outubro, foi o caso de Harvey Weinstein aquele que desencadeou uma onda de acusações que ainda não pararam.

As acusações foram de tal ordem frequentes que surgiu um movimento com a hashtag #MeToo — que começou a surgir nas redes sociais de famosos e de anónimos. Agora, a revista Time intitula as mulheres que incentivaram o movimento de “Quebradores do Silêncio”. O#MeToo foi considerado a Figura do Ano 2017.

O número de pessoas acusadas de assédio sexual este ano já vai em 51. Entre os conhecidos, há realizadores e atores — caras bem conhecidas de Hollywood –, músicos, diretores de empresas, fotógrafos, jornalistas, um chef de cozinha e, até, um ex-presidente norte-americano. Há ainda uma lista de 36 membros do Partido Conservador, cujo único nome revelado é o de Michael Fallon, secretário da Defesa britânico. A CNN publicou também uma lista de 50 mulheres que descrevem situações de assédio sexual no capitólio norte-americano, sem apontar nomes. A atriz Natalie Portman confessou que já se sentiu discriminada e assediada em praticamente todos os trabalhos em que participou e, apesar de nunca ter acontecido nada, lembra-se de “100 histórias”. Ou seja, vamos em 237 (51+36+50+100) e ainda falta mais de um mês para o ano acabar, quando a bola de neve continua a rolar. Por isso este artigo vai continuar em permanente atualização.

O número de pessoas que alegam terem sido alvo de assédio sexual é ainda maior: cerca de 397.

Alguns dos acusados admitiram, pediram desculpa e foram afastados dos cargos que ocupavam, nas mais variadas áreas. Só esses casos se sabe que são verdadeiros. Outros negaram as acusações e estão a decorrer investigações para apurar a veracidade dos episódios relatados.

Larry Nassar

Médico da Universidade Michigan State, acusado a 20 de fevereiro

Abusou de ginastas e tinha pornografia infantil

No total, mais de uma centena de ginastas acusaram o médico da Universidade Michigan State de assédio sexual, desde 1996. E enquanto não eram ouvidas, instauraram um processo contra Larry Nassar, mas também contra a organização USA Gymnastics, que acusam de não levar a sério as suas denúncias.

As primeiras acusações datam de fevereiro, quando três antigas ginastas da USA Gymnastics — Jamie Dantzscher, Jeannette Antolin and Jessica Howard — denunciaram o médico, durante o programa da CBS, 60 Minutes. Ainda este mês, a campeã olímpica Aly Raisman também acusou o médico de abusos sexuais.

Nassar também foi acusado do crime de posse de pornografia infantil. Na investigação levada a cabo na sequência das acusações de assédio sexual pelas ginastas e outras estudantes, as autoridades encontraram 37 mil imagens e vídeos de pornografia infantil na casa do médico. Algumas dessas gravações estavam armazenadas em discos rígidos que Nassar tentou mandar para o lixo. As autoridades também encontraram um vídeo onde Nassar tenta violar raparigas numa piscina.

José Mayer

Ator brasileiro, acusado a 31 de março

Ele chamou-lhe brincadeiras de cunho machista

“Eu, Susllem Meneguzzi Tonani, fui assediada por José Mayer Drumond. Tenho 28 anos, sou uma mulher branca, bonita, alta”. Assim começa a carta de Susllem Tonani no blog #AgoraÉQueSãoElas, na qual acusa o ator brasileiro José Mayer de assédio sexual, de 67 anos.

Tudo terá acontecido em agosto de 2016, nas gravações de “O Sétimo Guardião”, a telenovela onde José Mayer era o protagonista. Susllem Tonani, responsável pelo guarda-roupa da Globo, fez queixa e o ator acabou por ser afastado da telenovela. Apesar de ter negado inicialmente, José Mayer escreveu depois uma carta onde admite o que fez, mas assegura que não foi sua intenção “ofender, agredir ou desrespeitar” ninguém e admite ainda que os episódios de assédio sexual, que apelida de “brincadeiras de cunho machista”, foram além dos “limites do respeito”.

Bill O’Reilly

Apresentador da Fox News, acusado a 1 de abril

Ele assediava-as, a FOX pagava para elas não dizerem nada

No último dia das mentiras, 1 de abril de 2017, o The New York Times publicou um artigo que estava longe de ser uma partida. Cinco mulheres denunciaram o apresentador Bill O’Reilly e a cadeia televisiva Fox News, que lhes pagavam em troca do seu silêncio — contabilizando o total de 13 milhões de euros.

De acordo com a investigação, o apresentador aproximava-se das mulheres com quem trabalhava e prometia-lhes ajuda profissional. Depois ameaçava prejudicar as carreiras das mulheres que recusavam ter relações sexuais com eles.

Bill O’Reilly estava na Fox News há mais de 20 anos. Foi afastado do canal depois de ter sido acusado — uma decisão tomada pela família Murdoch, que controla as operações da Fox News. Mas recebeu uma indemnização de 25 milhões de dólares (mais do que 23 milhões de euros) — valor equivale a um ano de salário.

Dave McClure

Líder da 500 Startups, acusado a 30 de junho

O rosto do assédio no mundo de Silicon Valley

Também ao The New York Times, cerca de 25 mulheres falaram para denunciar casos de assédio sexual na indústria da tecnologia. Dez delas apontaram nomes. Dave McClure, co-fundador de uma das principais incubadoras de Silicon Valley — a 500 startups — foi um deles.

As acusações de assédio levaram McClure a demitir-se dias depois. A demissão de McClure da 500 Startups foi anunciada pela co-fundadora Christine Tsai num e-mail enviado pela empresa. No Twitter, no dia 3 de julho, Dave McClure escreveu: “É do melhor interesse da 500 startup, e a pedido do co-fundador Christine Tsai, demito-me de imediato. Por favor, dêem apoio à Christine e à 500 startups”.

Chris Sacca, 30 de junho

Dono da Lowercase Capital, acusado a 30 de junho

O jurado do Shark Tank que pediu desculpa

Chris Sacca, dono da Lowercase Capital e um dos jurados convidados do programa Shark Tank, é outro nome apontado por Susan Wu, umas das cerca de 25 mulheres que falaram ao The New York Times a denunciar casos de assédio sexual na indústria da tecnologia.

Face às acusações de assédio sexual, Sacca assumiu que fez “coisas que fizeram algumas mulheres sentirem-se estranhas, indesejáveis, inseguras e/ou desencorajadas” e pediu desculpa por isso.

R. Kelly

Cantor norte-americano, acusado a 17 de julho

Um culto com mulheres escravas e uma líder

No dia 17 de julho, uma reportagem da BuzzFeed acusava o cantor norte-americano R. Kelly de ter criado um culto em que aprisionava mulheres na sua casa, sem possibilidade de contactar ninguém. De acordo com as revelações feitas por três mulheres que fizeram parte desse culto, há seis mulheres a viver em propriedades alugadas por R. Kelly em Chicago e nos subúrbios de Atlanta. A mais nova terá 18 anos e é cantora e a mais velha tem 31. Será ela quem treina as jovens recém-chegados e as ensina como Kelly gosta de ser seduzido.

Segundo os relatos, o cantor abusa física e psicologicamente das mulheres e controla o que comem, vestem e, até, quando tomam banho. Além disso, filmará as relações sexuais que tem com elas para depois mostrar aos amigos. Há outras regras a cumprir: virarem-se para a parede sempre que um amigo de R. Kelly o visitava, tratarem-no de forma especial — o cantor obrigaria as mulheres a chamar-lhe “Daddy” (“Papá” em português) — e usarem apenas certas roupas. Se as mulheres quebrarem as regras, serão agredidas.

As autoridades estão a investigar o caso, mas R.Kelly negou as acusações.

Harvey Weinstein

Produtor norte-americano, acusado a 5 de outubro

Angelina Jolie e Gwyneth Paltrow deram início à avalanche

O caso do produtor norte-americano Harvey Weinstein, revelado pelo The New York Times, foi o empurrão para as dezenas de outros casos que se tornaram públicos no último mês. Começou por ser uma acusação feita pela atriz Ashley Judd. Num piscar de olhos, várias outras atrizes de Hollywood denunciaram casos semelhantes com o produtor: Angelina Jolie, Cara Delevingne, Rose McGowan e Gwyneth Paltrow são algumas das mais mediáticas das cerca de duas dezenas que dizem ter sido assediadas pelo poderoso produtor.

Outras atrizes e celebridades juntaram-se numa campanha contra Harvey Weinstein, como Meryl Streep ou Hillary Clinton. A mulher deixou-o. Weinstein foi demitido da sua própria empresa, a Weinstein Company, e expulso do sindicato de produtores de Hollywood.

Mas afinal, o caso de Weinstein seria o segredo mais mal guardado de Hollywood. Toda a gente conhecia as histórias do poderoso produtor que usava sempre o mesmo método: levava jovens actrizes para o quarto ou pedia-lhes que subissem e aparecia só de roupão, a exigir serviços sexuais a troco de uma carreira no cinema.

Andy Signore

Realizador norte-americano, acusado a 5 de outubro

Denúncias no Twitter, despedimento da série Honest Trailer

No dia 9 de outubro a empresa responsável pela série Honest Trailer despediu o seu criador. É que Andy Signore tornou-se mais um na longa lista a ser acusado de assédio sexual.

As acusações contra ele tinham sido feitas quatro dias antes pela atriz Emma Bowers através do Twitter. Numa publicação, a atriz recordava uma situação de 2010 em que o criador lhe terá feito comentários sexuais. No dia seguinte, outras duas mulheres acusaram o realizador do mesmo. April Dawn e Devin Murphy também usaram o Twitter para denunciar Andy Signore. Dawn disse que chegou a fazer queixa ao departamento de recursos humanos mas que não foi levada a sério.

Ben Affleck

Ator norte-americano, acusado a 11 de outubro

Criticar Weinstein e ser acusado do mesmo

Quando Ben Affleck criticou, através do Twitter, os casos de assédio sexual de que Harvey Weinstein era acusado, mal sabia que, horas depois, seria ele o próximo da lista.

Depois do ator ter dito que se sentia “triste” e com “raiva” pelo facto de “o homem com quem trabalhava ter usado sua posição de poder para intimidar, assediar sexualmente e manipular mulheres ao longo das décadas”, a atriz Hilarie Burton revelou que tinha sido assediada por Ben Affleck, em 2003.

Também usou o Twitter para fazer a denúncia: “Eu não me esqueci”. O caso aconteceu quando a atriz tinha 21 anos.“Ele agarrou-me com os braços por trás e apalpou o meu seio esquerdo”, disse depois Burton durante o programa Total Request Live, da MTV. Depois da revelação de Burton, Affleck usou novamente o Twitter para pedir desculpas.

David Carrera

Vice presidente da Universidade do Sul da Califórnia, acusado a 11 de outubro

Despedido de professor, investigação em curso

David Carrera foi afastado do cargo de vice presidente da Universidade do Sul da Califórnia depois de ter sido acusado de assédio sexual por mulheres que trabalharam com ele. “Discriminação e assédio não têm lugar na Universidade do Sul da Califórnia. A universidade não tolera comportamentos que violem a sua política rígida e adota medidas disciplinares apropriadas quando isso acontece”, informou a universidade num comunicado citado pelo The LA Times, no dia 11 de outubro.

As acusações estão a ser investigadas pela universidade. Carrera, de 50 anos, recusou-se a comentar as acusações.

Roy Price

Presidente da Amazon Studios, acusado a 12 de outubro

“Vais adorar o meu pénis”, disse-lhe ele. Ela era homossexual

“Vais adorar o meu pénis.” Foi o que o então presidente da Amazon Studios terá dito a Isa Hackett, produtora de “The Man in the High Castle”. O episódio terá acontecido depois de um jantar a 10 de julho de 2015, durante a Comic-Con em San Diego — onde estavam a promover a série — quando iam num táxi a caminho de uma festa da Amazon. De acordo com os relatos da produtora ao The Hollywood Reporter, Hackett terá dito que não estava interessada, acrecentando que era homossexual e tinha mulher e uma filha. Quando chegaram à festa, Roy Price terá continuado com comentários abusivos, contou ainda.

Na altura, a produtora fez queixa aos diretores executivos, que lhe garantiram que iam investigar. Hackett disse que nunca foi informada do resultado dessa investigação, mas reparou que nunca mais viu Price em eventos de promoção dos seus programas. Horas depois da publicação da história pelo Hollywood Reporter, mais de um ano depois da primeira denúncia, a Amazon afastou Roy Price.

Lockhart Steele

Diretor Editorial do Vox Media, acusado a 12 de outubro

As carícias dentro de um Uber a uma de muitas vítimas

“Olá equipa, escrevo-vos para vos dizer que hoje Lockhart Steele foi despedido definitivamente.” A mensagem foi do diretor executivo do Vox Media e surgiu uma semana depois de Eden Rohatensky, que trabalhou na empresa, ter escrito uma publicação onde acusava o diretor editorial do Vox Media de assédio sexual. Segundo Rohatensky, o agora ex-diretor editorial terá acariciado a sua mão e beijado o seu pescoço, quando os dois estavam sentados na parte de trás de um Uber.

Na altura, Rohatensky fez queixa à empresa: “Um ano depois, descobri que tinha sido feita uma investigação, que ele tinha feito várias vítimas dentro da empresa, que o seu castigo foi ter sido proibido de beber nos eventos da empresa. Ele tinha muitas ações na empresa. Não havia nada que pudessem fazer “.

Um ano depois, motivado pela publicação de Rohatensky, Steele seria então despedido.

Oliver Stone

Realizador norte-americano, acusado a 13 de outubro

Solidário com Weinstein e… acusado do mesmo

“Quando ouvi falar do caso de Harvey [Weinstein], lembrei-me de quando Oliver passou por mim e apalpou o meu seio enquanto passava pela porta da frente de uma festa, na década de 90. Dois do mesmo tipo”, disse a atriz Carrie Stevens através do Twitter. Referia-se ao realizador norte-americano Oliver Stone.

A acusação surgiu também dias depois de Oliver Stone ter comentado o caso de Harvey Weinstein: “Não é fácil o que ele está a passar”. O realizador acrescentou ainda que tinha ouvido “histórias horríveis no meio” — as quais se recusou a comentar porque não queria alimentar “rumores”.

Scott Courtney

Vice-presidente executivo do SEIU, acusado a 16 de outubro

Acusações de assédio e despedimento em lua de mel

No dia 16 de outubro, o presidente da SEIU, Mary Kay Henry, informou os colegas da sua decisão de demitir o vice-presidente executivo, Scott Courtney, “de todas as suas funções”. A razão não foi revelada na altura. Dias depois, uma porta-voz da SEIU disse à Bloomberg que estava em curso uma investigação motivada por “queixa de comportamentos sexuais não adequados e abusivos para com colegas de trabalho”.

Também à mesma fonte, alguns funcionários da SEIU disseram que as pessoas com que Scott Courtney trabalhava eram recompensadas com base em relacionamentos românticos.

Através do Twitter, Scott Courtney disse que estava na sua lua de mel e não tinha considerações a fazer naquele momento.

Sam Kriss

Jornalista do VICE, acusado a 17 de outubro

Desculpas públicas e suspensão do partido

Enquanto o número de denúncias de assédio sexual não parava de aumentar em outubro, surgiu nas redes sociais um movimento com a hashtag #MeToo (#EuTambém em português). Uma das utilizadoras fez uso da hashtag para denunciar Sam Kriss, jornalista do VICE. De acordo com o seu relato, ele teria beijado e assediado uma mulher.

Sam Kriss foi também mais um acusado a pedir desculpa: “O meu comportamento foi absolutamente inaceitável, abaixo de mim e especialmente da pessoa envolvida, e não há desculpa para isso. Pedi-lhe desculpas em particular a ela e agora estou a desculpar-me publicamente. ”

Sam Kriss foi também suspenso do Partido Trabalhista. Um porta-voz disse que iam “adotar todas as medidas de acordo com as regras e procedimentos do partido”.

Bob Weinstein

Produtor norte-americano, acusado a 17 de outubro

O mano Weinstein que não aceitou um não

Depois de Harvey Weinstein, veio o irmão. Bob Weinstein foi acusado de assédio sexual por Amanda Segel, produtora do programa “The Mist”, que trabalhou com a Weinstein Company. O caso de assédio terá começado no verão de 2016. Durante os três meses seguintes, o irmão de Harvey Weinstein convidou-a para jantares e encontros românticos. Amanda Segel ameaçou Bob Weinstein de que abandonaria o programa se ele não parasse. “Um não devia ser suficiente”, disse a produtora ao Variety.

A produtora aceitou um desses convites, na esperança de estabelecer uma relação profissional, de acordo com o site a que fez a denúncia. Mas, segundo Amanda Segel, Bob Weinstein passou o jantar a fazer-lhe perguntas íntimas e, no final, convidou-a a ir até ao quarto onde estava hospedado no Hotel Beverly Hills. Amanda recusou. Depois disso, Bob Weinstein parou de a convidar para jantares e, de acordo com a produtora, tornou-se agressivo, tendo mesmo chegado a gritar com ela.

Bob Weinstein negou as acusações e o programa produzido por Amanda Segel não foi renovado para uma segunda temporada.

Chris Savino

Ator e realizador da Nickelodeon, acusado a 17 de outubro

Prometia ajudá-las se tivessem relações sexuais com ele

Uma dúzia de mulheres acusaram Chris Savino, ator e realizador da Nickelodeon, de assédio sexual. As queixas, que aconteceram ao longo da última década, relatam avanços sexuais indesejados, a troco de promessas de retribuição e ajuda nas carreiras profissionais se as vítimas aceitassem ter relações sexuais com ele.

Chris Savino foi despedido no mesmo dia de Lockhart Steele, a 19 de outubro: “Chris Savino já não trabalha mais com a Nickelodeon”, podia ler-se num comunicado citado pelo site Cartoon Brew. Dias depois, o realizador pediu desculpas e disse que estava envergonhado: “Não tenho nada a não ser o mais profundo respeito pela coragem das mulheres que falaram, na tentativa de criar um ambiente no qual possam prosperar no seu potencial máximo”.

Matt Mondanile

Guitarrista da banda Real Estate, acusado a 17 de outubro

Beijava-as e apalpava-as enquanto dormiam

Em maio de 2016, a banda de Matt Mondanile disse que o guitarrista estava a focar-se num novo projeto. Mas, no início de outubro, um porta-voz da Real Estate revelou o verdadeiro motivo pelo qual Mondanile foi afastado da banda: “Tomamos conhecimento de acusações de tratamento inaceitável para com mulheres”. Horas antes deste comunicado, o guitarrista tinha negado as acusações.

No dia 16 de outubro, a SPIN noticiava que sete mulheres revelaram que o guitarrista tinha tido comportamentos sexuais não adequados com elas: Mondanile terá tocado e beijado essas mulheres sem o seu consentimento. Três delas, disseram que o guitarrista o fez enquanto estavam a dormir.

Quatro dias depois, um comunicado dos advogados de Matt Mondanile informava que o guitarrista tinha reconhecido o “comportamento não adequado” e pedia desculpas “a todos e a qualquer um” afetado pelas suas ações.

Robert Scoble

Blogger de tecnologia, acusado a 19 de outubro

Agarrou duas mulheres e apalpou-lhes o peito

Quinn Norton é jornalista. Disse ter sido assediada sexualmente por Robert Scoble. E fê-lo através de uma publicação num blogue. Logo depois de o fazer, o blogger escreveu uma publicação no Facebook — que já não está disponível — em que pedia “as mais profundas desculpas” às pessoas a quem tinha causado “danos” e assumia que se comportara de “formas que não são apropriadas”.

No mesmo dia, depois de Quinn Norton, veio Michelle Greer, que trabalhou com Scoble na empresa Rackspace em 2009 e 2010, queixar-se do mesmo: de que o blogger a agarrara e lhe apalpara o seu peito.

No dia 22 de outubro, Shel Israel, o seu sócio no Transformation Group, escreveu uma publicação no Facebook onde informava que Robert Scoble tinha sido afastado da empresa de consultadoria.

Tyler Grasham

Caça talentos da agência APA, acusado a 20 de outubro

Cinco homens acusaram-no de assédio

No dia 27 de outubro, o ator Tyler Cornell fez uma queixa à polícia a acusar o caça talentos da agência APA de assédio sexual, disse um porta-voz à Deadline. Foi o quinto homem a acusar Tyler Grasham. Uma semana antes, já dois jovens o tinham acusado de os assediar.

Do mesmo se queixou o actor Blaise Godbe Lipman, de 28 anos, num episódio em 2007, quando tinha 18 anos. Lucas Ozarowski, Michael Podraza e Brady Lindsey também denunciaram Tyler Grasham.

A agência avançou com uma investigação: “A APA encara esta acusações de forma extremamente séria e está a investigar esta situação”. Grasham era também agente do ator Cameron Boyce, que o despediu depois de tomar conhecimento das acusações de que estava a ser alvo.

Jeordie White

Baixista da banda Marilyn Manson, acusado a 20 de outubro

Violou a própria namorada

“Fui violada. Fui violada por alguém que eu achava que amava”. Foi a própria namorada do baixista, Jessicka Addams, a acusá-lo de violação, numa publicação feita no Facebook. Addams contou que começou a namorar com Jeordie White quando tinha 18 anos — uma relação que se tornou fisicamente violenta nos meses seguintes.

Jessicka revelou ainda que a violação aconteceu durante uma pausa de uma digressão da banda Nine Inch Nails, da qual Twiggy Ramirez foi baixista entre 2005 e 2007. “Ele mandou-me para o chão com a sua mão em volta do meu pescoço. Eu disse não. Disse tão alto que Pete [amigo do casal] entrou no quarto para tirá-lo de cima de mim”.

Addams não o denunciou na altura, porque a produtora da sua banda, Jack Off Jill, a aconselhou a não fazer: Jeordie White podia usar o seu poder de influência para a destruir e à sua banda. A cantora disse ainda que outras mulheres entraram em contacto com ela depois para relatar outras situações abusivas por parte de Jeordie White.

John Besh

Chef de cozinha, acusado a 21 de outubro

25 mulheres assediadas quando trabalhavam nos seus restaurantes

“John decidiu desistir de todas as funções e focar-se totalmente na sua família.” O anúncio foi feito por Shannon White, o agora chef executivo da cadeia de restaurantes fundada por John Besh, citado pelo The New York Times, depois de Besh ter sido acusado de assédio sexual por 25 mulheres.

Uma das mulheres foi Madie Robinson, contratada como designer gráfica por Besh logo depois de se ter licenciado com 22 anos. Ela revelou à NOLA.com que o chef de cozinha a terá tocado, feito comentários sobre a sua aparência física e pedido para discutir a sua vida sexual. Robinson tornou-se uma das 25 mulheres que, durante os oito meses de investigação, revelaram ter sido vítimas de assédio enquanto trabalhavam com Besh nos restaurantes.

James Toback

Realizador norte-americano, acusado a 22 de outubro

Prometia-lhes carreiras, falava de sexo e masturbava-se

Primeiro, o Los Angeles Times divulgou uma lista de 38 mulheres que o acusavam. Na edição seguinte, a lista já tinha passado para 200. Entre elas actrizes como Rachel McAdams ou Julianne Moore. Todas diziam ter sido assediadas pelo realizador norte-americano James Toback, de 72 anos.

De acordo com os testemunhos, o realizador abordava jovens de cerca de 20 anos, nas ruas de Nova Iorque. Apresentava-se, falava dos filmes que realizara e da relação próxima com o ator Robert Downey Jr.. Prometia-lhes uma carreira de sucesso em Hollywood e pedia para se encontrarem com ele para uma entrevista ou uma audição, num quarto de hotel ou num parque. Nesses encontros, Toback fazia-lhes perguntas de cariz sexual e masturbava-se. A uma delas, Selma Blair, chegou a ameaçar de morte.

Terry Richardson

Fotógrafo de moda, acusado a 23 de outubro

Interagia sexualmente com as modelos que fotograva

No passado dia 23 de outubro, a Condé Nast International enviou um e-mail ao fotógrafo Terry Richardson — cujas fotografias são conhecidas na indústria da moda pelo seu contexto sexualmente explícito. A comunicação dizia que a partir daquele momento estava impedido de trabalhar para algumas das revistas que mais vendem no mundo. Revistas como Vogue, GQ, Glamour e Vanity Fair foram ainda avisadas de que todos os trabalhos prontos a serem publicados da autoria do fotógrafo deveriam ser desconsiderados, “eliminados ou substituídos por outro material”.

Apesar de ter negado inicialmente, Terry Richardson admitiu mais tarde que podia ter “interagido” com várias modelos durante as suas sessões fotográficas. Uma porta-voz do fotógrafo disse ao jornal britânico The Telegraph que Richardson “é um artista conhecido pelo seu trabalho com conteúdo sexual explícito, portanto muitas das suas interações profissionais eram de natureza sexual e explícita” — feitas com o consentimento de quem fotografava.

George H.W. Bush

Ex-presidente dos Estados Unidos, acusado a 24 de outubro

Os apalpões quando tiravam fotografias e as piadas porcas

O antigo presidente dos Estados Unidos George H. W. Bush (pai de George W. Bush), de 93 anos, está a ser acusado de assédio sexual por sete mulheres, desde o passado dia 24 de outubro deste ano.

A mais recente tinha 16 anos quando foi assediada. Aconteceu em 2003, num evento no Texas. Roslyn Corrigan foi apalpada pelo ex-presidente quando estava a seu lado a posar para uma fotografia. Também a atriz Heather Lind, de 34 anos, conta uma história semelhante, que data de 2013: “Tocou-me por trás da sua cadeira de rodas com a mulher, Barbara Bush, ao lado. Disse-me uma piada porca. E depois, quando estávamos a ser fotografados, tocou-me outra vez.

Há outras quatro mulheres que acusam o ex-presidente norte-americano George H.W. Bush de assédio sexual, confirma a revista TIME sem avançar com nomes.

Leon Wieseltier

Escritor e editor, acusado a 24 de outubro

Ia fazer uma nova revista, que foi suspensa

Leon Wieseltier, o ex-editor literário de longa data da The New Republic, de 65 anos, tinha o regresso marcado com um novo projeto: a revista Idea. A publicação estava marcada para a primeira semana de novembro. A revista foi cancelada e a Emerson Collective, responsável pela edição, decidiu afastar Wieseltier e não colaborar mais com ele, num comunicado citado pelo The New York Times. “A produção e distribuição da revista etá suspensa”, pode ler-se ainda.

Wieseltier pediu desculpa às mulheres com que trabalhou e assediou que o acusam de beijá-las e fazer comentários sexuais. “As mulheres com quem trabalhei são pessoas inteligentes. Sinto vergonha de saber que fiz com que algumas delas se sintam desvalorizados e desrespeitadas”, disse.

Ethan Kath

Compositor, acusado a 24 de outubro

Namorada diz que abusou, ele diz que sempre foi correcto

Numa publicação no seu blogue, Alice Glass recordou um episódio que aconteceu quando tinha cerca de 15 anos: tinha sido assediada sexualmente pelo compositor da banda Crystal Castles, Ethan Kath — banda em que Glass era vocalista.

Os dois ter-se-ão conhecido quando Glass ainda andava na escola secundária. “Durante vários meses, ele deu-me drogas e álcool e fez sexo comigo num quarto abandonado num apartamento que ele arranjou”, disse na publicação, acrescentando: “Nem sempre foi consensual”. Glass explicou que Kath a começou a agredir fisicamente, tendo-a obrigado a ter relações sexuais com ele. O compositor ameaçava tirá-la da banda se não o fizesse e chegou mesmo a controlar o que comia, o que vestia e o que comprava.

Em 2014, Glass deixou a banda, justificando-se com razões pessoais e profissionais. Foi substituida pela vocalista Edith Frances. Depois das acusações de assédio sexual, os concertos que a banda Crystal Castles tinha agendados foram cancelados.

Ainda assim, Ethan Kath nega as acusações, que diz serem “pura ficção”. “Estou indignado e magoado pelas recentes declarações feitas por Alice sobre mim e a nossa relação anterior”, disse. Kath adiantou ainda que já contactou os seus advogado: “Felizmente, há muitas testemunhas que podem e confirmarão que nunca fui abusivo com Alice”.

Knight Landesman

Publisher da revista Artforum, acusado a 25 de outubro

Nove acusações e a demissão

O número deste caso é o nove. Nove mulheres que acusaram o publisher da revista Artforum, Knight Landesman, de 67 anos, de assédio sexual. Entre elas está Amanda Schmitt, que trabalhou na revista em 2009, a artista Tiril Hasselknippe e a escritora Valerie Werder.

Na sequência das acusações, Landesman informou em comunicado, no passado dia 25 de outubro, que ia abandonar o cargo que ocupava na revista.

Mark Halperin

Autor e analista político, acusado a 27 de outubro

Jornalista tocava-lhes no peito e nos genitais

“O mundo agora conhece uma realidade o que muitas mulheres conhecem há muito tempo: os homens prejudicam as mulheres no local de trabalho… Durante muito tempo, na ABC News, eu fui parte do problema”, escreveu o jornalista Mark Halperin num comunicado que publicou no Twitter, no dia 27 de outubro. Ainda assim, o jornalista alertou que “algumas das alegações que foram feitas não são verdadeiras”.

A notícia foi avançada no dia 26 de outubro pela CNN. “Cinco mulheres acusam o jornalista e co-autor de “Game Change” Mark Halperin de assédio sexual”, podia ler-se no título. Três delas acusam Halperin de ter-lhes tocado no peito e nos genitais. Nenhuma delas, no entanto, disse que o jornalista lhes prometia ajudar na carreira em troca de sexo.

O canal MSNBC, com que o jornalista colaborava no programa “Morning Joe”, consideraram as histórias relatadas pelas cinco mulheres “muito preocupantes” e afastaram Halperin até que “a investigação em torno do seu passado seja clarificada”.

Kevin Spacey

Ator norte-americano, acusado a 30 de outubro

O passado que ditou o fim de Frank Underwood

Eis que surge na já extensa lista mais uma cara bem conhecida de Hollywood: Kevin Spacey, ator, protagonista da série de culto “House of Cards”. O primeiro caso relatado foi o de Anthony Rapp, que disse ter sido seduzido pelo ator, em 1986, quando tinha apenas 14 anos e Spacey tinha 26.

KSpacey terá convidado Anthony Rapp para várias festas. Numa delas, Rapp terá ido para o quarto a ver televisão porque achou que a festa estava muito aborrecida. No final da festa, Spacey foi até ao quarto: “Ele ficou parado à porta, como que a balançar-se. A primeira impressão que tive foi que estava embriagado… pegou em mim como os noivos pegam nas noivas. Mas eu não saí logo, porque só pensava ‘o que é que se está a passar?’. E depois ele deitou-se em cima de mim”, relatou Anthony Rapp ao BuzzFeed News. O jovem acabou por conseguir ir embora.

O ator vencedor de dois Óscares usou o Twitter para pedir desculpa, apesar de não se lembrar do episódio, ao mesmo tempo que anunciava estar a viver como homossexual depois de ter tido relações com mulheres e homens: “Honestamente, não me lembro desta ocasião, foi há mais de 30 anos. Mas se eu de facto me comportei como ele descreve, devo-lhe o mais sincero pedido de desculpas por aquilo que terá sido um comportamento alcoolizado e profundamente inapropriado, e lamento todos os sentimentos que ele descreve ter carregado com ele todos estes anos”.

Depois disso não pararam de ser conhecidos novos casos. Oito pessoas que trabalham ou já trabalharam “House of Cards” contaram à CNN que Kevin Spacey, protagonista da série, tinha um comportamento “predatório”, principalmente para com homens jovens. Mais três atores acusaram-no de abuso. Um dos casos deu-se em 2013, quando era diretor de um teatro. “Parece que só era preciso ser um homem menor de 30 anos para ele se sentir livre para nos tocar”, revelou um dos abusados. Um teatro londrino reuniu mesmo 30 acusações de assédio contra o actor.

A série “House of Cards” foi suspensa quando era gravada a sexta temporada e a Netflix dispensou Spacey. O realizador Ridley Scott, em conjunto com a produtora Sony Pictures, decidiu substituiu-lo no filme “All The Money In The World”, com data de estreia prevista para 22 de dezembro. Todas as cenas em que Spacey aparece vão ser filmadas de novo, agora com Christopher Plummer.

Michael Fallon e mais 36 membros do Partido Conservador

Ministro da Defesa britânico, acusado a 31 de outubro

A mãozinha marota no joelho ou casos mais graves por revelar?

No dia 31 de outubro, o jornal The Sun revelou uma lista de 37 elementos do Partido Conservador acusados de assédio sexual. Um deles foi o ministro da defesa Michael Fallon. A jornalista Julia Hartley-Brewer contou que Michael Fallon lhe colocou a mão “repetidamente” no joelho durante um jantar, em 2002. Hartley-Brewer disse que a situação ficou resolvida depois de lhe dizer que, se voltasse a acontecer, lhe dava “um murro na cara”. Tanto que a jornalista fez um tweet em resposta à publicação do The Sun: “Este ‘incidente’ aconteceu em 2002. Ninguém ficou chateado ou angustiado com ele. Os meus joelhos permanecem intactos.”

Amigos do minitro da Defesa disseram ao jornal The Guardian que admitem a possibilidade de, mais recentemente, terem existido incidentes similares: “Ele teria noção de que alguns flirts era inapropriados”.

O próprio admitiu ter tido um comportamento inadequado com a jornalista e acabou por se demitir. A demissão foi confirmada pelo próprio Ministério da Defesa, afirmando o governante (há três anos no cargo) que “esteve aquém” do que lhe é exigido. Mas muitos admitem que haverá casos mais graves prestes a ser denunciados.

Michael Oreskes

Jornalista, acusado a 31 de outubro

Beijos sem consentimento durante uma reunião

O diretor executivo da rádio NPR enviou um e-mail no dia 1 de novembro a todos os funcionários: “Esta manhã pedi a demissão de Mike Oreskes por causa de um comportamento inadequado”.

A demissão surgiu na sequência de relatos de duas mulheres que falaram na condição de anonimato ao The Washington Post, no dia 31 de outubro. Os incidentes aconteceram alegadamente no final da década de 1990, quando o jornalista Michael Oreskes trabalhava no The New York Times. De acordo com os relatos, Oreskes terá beijado mulheres sem o seu consentimento durante uma reunião. Nenhuma delas fez queixa na altura porque acreditavam que iam ser ignoradas. Sentiram-se encorajadas quase 30 anos depois pelo caso do produtor e realizador Harvey Weinstein.

Brett Ratner

Realizador norte-americano, acusado a 1 de novembro

Seis acusam-no, ele nega

Seis mulheres acusaram o realizador e produtor de cinema Brett Ratner de ter comportamentos impróprios e de abusos sexuais. Natasha Henstridge e Olivia Munn são duas das seis mulheres que denunciaram Brett Ratner ao The Los Angeles Times.

O advogado do realizador, Martin Singer, negou as acusações e enviou uma carta de 10 páginas ao The Times: “Representei o sr. Ratner nas últimas duas décadas e nenhuma mulher fez qualquer denúncia contra ele por má conduta sexual ou assédio sexual”.

Dustin Hoffman

Ator norte-americano, acusado a 1 de novembro

«Quero um ovo cozido e um clitóris a ferver»

Num artigo publicado no The Hollywood Reporter no dia 1 de novembro, a escritora Anna Graham Hunter acusou o ator Dustin Hoffman de assédio sexual.

O episódio data de 1985, quando Hunter tinha 17 anos e era estagiária nas rodagens do filme “Death of a Salesman”. A escritora contou um dos episódios ao site: “Ele [Dustin Hoffman] flirtava abertamente comigo, apalpava-me o rabo e falava comigo à minha frente sobre sexo. Uma manhã fui ao camarim dele para anotar o que ele queria tomar ao pequeno-almoço. Ele olhou para mim, sorriu e fez um compasso de espera. Foi então que ele disse: «Quero um ovo cozido e um clitóris a ferver»”. Os episódios de assédio sexual repetiram-se ao longo das cinco semanas do estágio de Hunter.

Num comunicado enviado ao The Hollywood Reporter, o ator pediu desculpa e garantiu que tem “o maior respeito pelas mulheres e sente-se terrível por qualquer coisa que possa ter feito que possa ter colocado [Anna Graham Hunter] numa situação desconfortável”. “Lamento muito. Não reflete a pessoa que eu sou”, disse ainda.

Carl Sargeant

Ministro galês, acusado a 3 de novembro

Demitido do cargo, acabou por se enforcar

No dia 3 de novembro, o primeiro-ministro do governo de Gales, Carwyn Jones, confirmou que Carl Sargeant, ministro da educação galês, estava a ser investigado por “um conjunto de incidentes” que envolviam assédio sexual a mulheres. Sargeant pediu uma investigação independente às acusações que considerou “chocantes e perturbadoras”, para “limpar o nome” e foi afastado do cargo, de imediato.

Quatro dias depois, Sargeant enforcou-se e foi encontrado morto em casa, contou o jornal The Telegraph. A polícia revelou que foi chamada ao local por volta das 11h30. A família confirmou o óbito: “Carl era um marido muito amado, um pai e um amigo. Não era apenas parte da nossa família, era a cola que nos juntava a todos. Era o coração da nossa família”.

Steven Seagal

Ator norte-americano, acusado a 8 de novembro

Armas e um desabotoar de calças de cabedal para haver química

Portia se Rossi contou o episódio através do Twitter. A situação aconteceu quando fez uma audição para um filme de Steven Seagal no escritório dele: “Ele falou-me da importância de haver química além do ecrã, enquanto desabotoava as calças de cabedal”. A actriz, mulher da apresentadora Ellen DeGeneres, disse que conseguiu sair do escritório e chamou a sua agente.

O episódio relatado por Julianna Margulies é semelhante. Mas envolve armas. Numa entrevista à rádio “Just Jenny”, a atriz disse que uma diretora de casting pediu-lhe para se encontrar com Steven Seagal no seu hotel a meio da noite. Quando lá chegou, às 22h40, não estava lá a diretora mas o próprio realizador que fez questão de lhe mostrar que estava armado. A atriz contou que não chegou a ser tocada por ele porque conseguiu fugir.

Robert Knepper

Ator norte-americano, acusado a 8 de novembro

“Vou fazer sexo contigo até rebentar com o teu cérebro”

A acusação veio da designer Susan Bertram. Numa entrevista ao The Hollywood Reporter, no dia 8 de novembro, Bertman disse que foi atacada pelo ator norte-americano Robert Knepper — conhecido pela série “Prison Break” — durante as gravações do filme “Gas Food Lodging”, em 1992. O ator terá agarrado a designer na virilha “com toda a força que conseguiu” e disse: “Vou fazer sexo contigo até rebentar com o teu cérebro”. A designer fugiu para a casa de banho e trancou-se lá dentro. Na casa de banho, viu que estava a sangrar, dada a força com que Knepper a agarrou.

Bertram queixou-se ao seu assistente que relembrou o episódio ao jornal, lamentando não ter feito nada na altura: “Lembro-me de a Susan vir até mim a tremer.”

No mesmo dia em que a entrevista foi publicada, o ator emitiu um comunicado onde desmentia as acusações: “Estou chocado e devastado por ser falsamente acusado de assédio sexual contra uma mulher. Isso não é quem eu sou, simplesmente. Para aqueles que me enviaram hoje palavras de apoio e coragem, agradeço-vos do fundo do meu coração”.

Mariah Carey

Cantora, acusada a 8 de novembro

Assediava e chamava “nazi” ao seu segurança

É, até à data, a única mulher da lista de acusados de assédio sexual. De acordo com uma publicação no site TMZ, a 8 de novembro deste ano, a cantora foi acusada de assédio sexual ex-segurança Michel Anello, que trabalhava para a cantora desde junho de 2015.

Anello avançou com um processo judicial contra a cantora norte-americana, acusando-a de assédio sexual e de fazer “actos sexuais com a intenção de serem vistos” por Anello. O ex-segurança recorda uma viagem a Cabo San Lucas, Mariah pediu-lhe que viesse ao seu quarto para transportar a bagagem e quando ele chegou lá, ela estava a usar uma camisa de dormir que estava aberta. Anello tentou sair, mas ela insistiu que ele levasse a bagagem. De acordo com o seu testemunho, terá levado a bagagem e saído do quarto sem que houvesse contato físico. Anello acusou ainda Mariah de o chamar “nazi, skinhead e supremacista branco” e de dever mais do que 200 mil dólares.

Mariah Carey não se pronunciou sobre o assunto mas os seus advogados já fizeram saber que a cantora está disposta a pagar ma parte da quantia que deve.

Louis CK

Comediante, acusado a 9 novembro

O humorista que se masturbava à frente das colegas

Outro artigo publicado no dia 9 de novembro no jornal The New York Times, outra denúncia. Desta vez, outra cara conhecida de Hollywood: o comediante Louis C.K., acusado por cinco mulheres.

De acordo com os relatos, o comediante ter-se-á masturbado à frente de mulheres que trabalham com ele. “Ele despiu-se todo, ficou completamente nú, e começou a masturbar-se”, disse uma das mulheres, Dana Min Goodman, ao jornal. Antes, ter-lhe -á pedido autorização. Elas dizem que acharam que era brincadeira e só se riram. Ele decidiu continuar.

A estreia de “I Love You, Daddy”, novo filme do comediante norte-americano, foi subitamente cancelada, assim como a presença no talkshow The Late Show With Steven Colbert. O jornal explica que tentaram contactar o comediante, propondo até uma entrevista sobre estas recentes alegações, mas o mesmo, através de um representante, recusou.

Roy Moore

Político, acusado a 9 de novembro

O senador republicano acusado por menores

Leigh Corfman recordou uma história ao The Washington Post, publicada no passado dia 9 de novembro. A história data de 1979, quando Corfam tinha 14 anos de idade e Roy Moore, senador republicano do estado norte-americano do Alabama, tinha 32.

Moore terá levado Corfam para casa. Lá, beijou-a, tirou-lhe a roupa, tocou-lhe no peito e nas cuecas e agarrou na sua mão, guiando-a até à roupa interior dele. Corfam disse que pediu a Moore para levá-la para casa e ele levou. Além de Corfam, outras três mulheres entrevistadas pelo mesmo jornal dizem que Moore as perseguiu quando tinham entre 16 e 18 anos e ele estava nos 30 anos. Nenhuma das três mulheres, ao contrário de Corfam, diz que Moore as forçou a qualquer tipo de relacionamento ou contato sexual.

Num comunicado citado pelo The Washington Post, Moore negou as alegações: “Essas acusações são completamente falsas e são um ataque político desesperado do Partido Democrata Nacional e do Washington Post nesta campanha”. Vários republicanos, incluindo o presidente norte-americano, Donald Trump, e o líder da maioria do Senado, Mitch McConnell, pediram ao candidato do Senado, Roy Moore, que retire a sua candidatura ao Alabama se as alegações forem verdadeiras.

Joseph Blatter

Economista suiço e ex-presidente da FIFA, acusado a 11 de novembro

As denúncias de Hope Solo, ex-guarda-redes da seeção dos EUA

“Gostava que mais mulheres, sobretudo no futebol, falassem das suas experiências, porque algumas dessas pessoas ainda trabalham no futebol e algumas das jogadoras ainda têm esses comportamentos”, disse Hope Solo, ex-guarda-redes da seleção feminina dos Estados Unidos, ao acusar o antigo presidente da FIFA, Joseph Blatter, de assédio sexual.

Numa entrevista ao Expresso, no dia 10 de novembro, Solo disse que o episódio se passou em 2013, durante a gala da entrega da Bola de Ouro, antes de subir ao palco. “Joseph Blatter apalpou-me o rabo”, disse. Mas não sabia quem ela era, apesar de ser uma das grandes estrelas do futebol feminino.

Peter Aalbæk Jensen

Ex-CEO do estúdio do realizador dinamarquês, acusado a 11 de novembro

Premiava a estagiária que se despisse mais depressa

Nove ex-funcionárias da produtora Zentropa denunciaram um “ambiente de degradação e abusos” na empresa e vários casos de assédio sexual por parte de Peter Aalbæk Jensen, co-fundador e antigo CEO do estúdio do estúdio do realizador dinamarquês Lars Von Trier. As nove mulheres acusaram o ex-CEO e co-fundador do estúdio, num artigo publicado no dia 11 de novembro, ao jornal Politiken, de as apalpar, de fazer convites para relações sexuais e, até, de premiar a estagiária que se despisse mais depressa em eventos da produtora.

Tom Sizemore

Ator norte-americano, acusado a 13 de novembro

Sargento Horvath, de o “O Resgate do Soldado Ryan”, abusou de menina de 11

No dia 13 de novembro, o The Hollywood Reporter voltou a acrescentar à lista de acusados de assédio sexual outro nome: Tom Sizemore. Em 2003, o ator norte-americano foi dispensado do filme Born Killers, quando uma menina de 11 anos disse aos pais que o ator lhe tinha tocado nos genitais.

Os pais da criança não quiseram avançar criminalmente e o ator acabou por voltar às filmagens, noutro local. O caso criou, na altura, muito burburinho em Hollywood, mas acabou por não chegar à imprensa. De acordo com o site, a atriz, hoje com 26 anos, pondera processar não só o ator mas, também, os pais, que não quiseram na altura acusar Tom Sizemore.

Thierry Marchal-Beck

Ex-presidente do Movimento de Jovens Socialistas, acusado a 14 de novembro

Acusado de tentativas de forçar relações sexuais e apalpões

Oito mulheres acusaram o ex-presidente do Movimento de Jovens Socialistas francês de assédio sexual. Os episódios terão acontecido repetidamente entre 2010 e 2014. A história foi avançada pelo jornal francês Libération. Algumas testemunhas falam de tentativas de forçar relações sexuais e apalpões.

Thierry Marchal-Beck foi contactado pelo jornal e disse que estava “estupefacto” com as acusações, recusando-se a responder a perguntas que considerou “tendenciosas” e ameaçou possíveis ações legais.

Al Franken

Senador democrata do Minnesota, acusado a 16 de novembro

O apalpão (com foto) enquanto locutora dormia

A vaga de denúncias de assédio sexual atingiu de novo o senado norte-americano. A locutora de rádio e modelo Leeann Tweeden acusou o senador democrata do Minnesota, Al Franken, de a ter beijado e apalpado sem consentimento, durante um tour do USO (United Service Organizations) pelo Médio Oriente em 2006. De acordo com o Washington Post e o New York Times, o senador pediu desculpas assim que a também atriz revelou que Al Franken, na altura ator e comediante, tentou beijá-la à força durante um ensaio e que a apalpou enquanto ela dormia, posando para a fotografia. (foto que ela revelou).

Al Franken emitiu um comunicado onde revelou que não recorda o episódio do beijo forçado no ensaio “da mesma maneira”, mas não deixou de enviar as “mais sinceras desculpas a Leeann”. O senador — que chegou a ser apontado como candidato presidencial — desculpa-se também pelo apalpão e ter posado para a fotografia: “Quanto à foto, eu claramente queria ser engraçado, mas não teve piada. Eu não o deveria ter feito”. Um grupo de senadoras pediu a sua demissão.

Jeffrey Tambor

Ator, acusado a 18 de novembro

O ator que assediou duas mulheres transsexuais

Duas mulheres – ambas transsexuais — acusaram o ator de 73 anos, Jeffrey Tambor de assédio sexual e conduta imprópria nos sets de gravações de “Transparent”, uma série sobre uma professora reformada transsexual, onde Tambor participava e fazia com que fosse adorado pela comunidade LGBT.

Um delas expôs no Instagram um episódio com o ator: “Ele aproximou-se, pôs os pés descalços em cima dos meus para que não pudesse mexer-me, encostou o corpo dele contra o meu, e começou a fazer movimentos rápidos, para a frente e para trás, contra o meu corpo. Eu senti o pénis dele contra a minha anca através do pijama fino e empurrei-o para longe de mim”.

O ator negou o que diz ser “uma acusação sem qualquer base” e pediu “profundas desculpas”. “Mas o facto é, e com todos os meus defeitos, eu não sou um predador”, disse ainda em comunicado. No dia seguinte, a Deadline noticiou que Tambor não vai regressar à série.

Glenn Thrush

Jornalista, acusado a 20 de novembro

O feitiço virado contra o feiticeiro, o The New York Times

O jornalista correspondente do jornal The New York Times — que denunciou vários casos de assédio sexual –, na Casa Branca, foi, por sua vez, acusado do mesmo crime. Quatro mulheres jornalistas denunciaram Glenn Thrush num artigo publicado esta segunda-feira na Vox, escrito na primeira pessoa e assinado por uma delas, Laura McGann. As restantes três preferiram manter o anonimato.

McGann acusa o jornalista de tentar “beijar e tocar” as jornalistas contra a vontade destas. Thrush assumiu a culpa e pediu “desculpa a qualquer mulher que se tenha sentido desconfortável” com a sua presença. “E peço desculpa por qualquer situação em que me comportei de forma inadequada. Qualquer comportamento que faça uma mulher sentir-se desrespeitada e desconfortável é inaceitável”, afirmou em comunicado o jornalista.

Também o jornal The New York Times condenou o comportamento do seu jornaista: “O comportamento atribuído ao Glenn na história da Vox é muito preocupante e não respeita os standards e valores do New York Times. Pretendemos investigar aprofundadamente e, enquanto a investigação decorrer, o Glenn será suspenso”.

Charlie Rose

Apresentador e jornalista, acusado a 20 de novembro

“Isso é apenas o Charlie a ser o Charlie”

Oito mulheres revelaram ao The Washington Post, que o apresentador e jornalista, conhecido pelo seu programa homónimo, Charlie Rose, fez avanços sexuais indesejados, durante a produção do programa, entre finais dos anos 90 e 2011.

As interações do apresentador com as oito mulheres variava entre “fúria e lisonja”. Algumas contam que Charlie Rose colocava as mãos nas pernas delas, chegando mesmo a tocar na parte superior da coxa como forma de testar “as reações delas”, escreve o Post. Uma revela que Rose lhe apalpou as nádegas. Duas mulheres relatam momentos em que foram convidadas a trabalhar em casa de Rose e este apareceu nu após tomar banho.

Os avanços sexuais de Rose eram vistos como algo normal por parte de membros da equipa. “Isso é apenas o Charlie a ser o Charlie”, disse na altura a produtra executiva a quem uma fas mulheres fez queixa. O apresentador já fez um pedido de desculpas público, que enviou ao The Washington Post, e foi despedido.

John Lasseter

Diretor criativo da Disney e da Pixar, acusado a 21 de novembro

“Quando ele abraçava alguém, sussurrava ao ouvido”

John Lasseter, diretor criativo da Disney e da Pixar e fundador desta última, pediu uma licença sabática de seis meses depois de várias acusações de assédio sexual: “Nunca é fácil enfrentar os nossos erros, mas é a única maneira de aprendermos com eles. Como resultado, pensei bastante sobre o líder que sou hoje comparado com o mentor, defensor e campeão que quero ser. Foi chamado à minha atenção que fiz alguns de vocês sentirem-se desrespeitados ou desconfortáveis. Nunca foi a minha intenção”, disse num comunicado à empresa divulgado pelo Hollywood Reporter.

Numa investigação feita pelo mesmo site, uma antiga funcionária da Pixar garantiu que “quando ele abraçava alguém, sussurrava ao ouvido durante imenso tempo. Ele abraçava toda a gente, durante demasiado tempo, e ficava toda a gente a olhar. Ele invadia o espaço pessoal”.

A Disney já respondeu à notícia e um porta-voz da empresa afirmou que “prezam o pedido de desculpas sincero e cândido de John Lasseter e apoiam na íntegra a sua licença sabática”

Matt Lauer

Apresentador da NBC, acusado a 27 de novembro

A queixa recebida pelo presidente do canal

A queixa contra Matt Lauer foi feita ao próprio presidente da NBC, Andy Lack. Mais tarde, o canal recebeu mais duas queixas de comportamento sexual inapropriado por parte do apresentador.

Matt Lauer, do “The Today Show”, é um dos mais populares dos Estados Unidos — e foi despedido. O “comportamento sexual inapropriado [de Lauer] no trabalho violava claramente as regras da empresa. Em resultado disso, decidimos terminar o seu contrato”, anunciou a empresa.

Esta foi a primeira queixa apresentada contra Lauer desde que este entrou para a NBC mas existem razões para acreditar que este não foi um caso isolado.

James Levine

Maestro emérito da Ópera Metropolitana de Nova Iorque, acusado a 4 de dezembro

O maestro que agrediu sexualmente três homens

Três homens acusam o maestro James Levine de agressões sexuais durante a sua adolescência. Uma das vítima, que mantém o anonimato, disse à polícia de Illinois que os factos teriam começado em 1985, quando tinha 15 anos e o maestro 41, e continuado até 1993.

Em comunicado, o diretor-geral da ‘Met’ anunciou que James Levine vai sair do cartaz desta época e que um antigo procurador foi chamado para analisar as denúncias feitas contra o maestro.

(Esta lista está a ser permanentemente atualizada. A última atualização foi feita às 13h00 do dia 6 de dezembro)

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