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António Macedo: “Se me tivesse envolvido em partidos hoje seria diretor disto ou ministro daquilo”

12 Março 2017242

António Macedo chegou à rádio por acaso, após uma futebolada na Alameda. Em 1971, em Angola, profissionalizou-se. Veio para Portugal com a revolução. "O que é que ainda me falta fazer na rádio? Tudo!"

A entrevista começa à hora certa, ao final da manhã, nos estúdios da Antena 1 — onde António chegou, como sempre chega, ainda de madrugada –, mal pousa os “cascos” sobre a mesa. À hora certa, não. Antes, tempo a uma cigarrilha — e o tempo de uma se queimar é também o tempo de lhe escutar mais histórias. Queimar-se-iam mais. A entrevista vai muito para lá da hora certa de terminar. Vai-se o almoço, sem dar pela fome, vai-se o início da tarde, sem cansaços, pergunta atrás de pergunta, sem hesitações nas respostas, respostas que são preenchidas de muitas, muitas palavras, que António é da rádio e na rádio é sempre assim: a palavra não pára.

Chegou lá, à rádio, um aparelho (e quem dentro do aparelho falava, claro) que sempre o fascinara desde a infância, por acaso, após uma futebolada na Alameda e uma visita aos estúdios da Rádio Universidade com o vizinho Spot, que era lá sonorizador. Correria bem a visita. Fez testes. Ficou. E o curso de Direito, esse, ficou-se pela matrícula. Pouco depois, em 1971, visita os tios em Angola e as “férias” prolongam-se por quatro anos. Foi radialista, pois claro, casou, nasceu-lhe o primeiro filho em Luanda, foi do “reviralho” — e isso trazer-lhe-ia complicações com a PIDE –, mas não deixaria Angola após o 25 de Abril como tantos portugueses mais; deixou-a porque Angola lhe “morreu”, ele que era simpatizante do MPLA, no preciso dia em que foi vítima de racismo numa reunião do partido. Nunca mais lá voltou. “Só volto lá para ser presidente!”

A Portugal voltaria, não para a rádio, mas primeiro para a revista Flama. Na rádio, a Rádio Comercial, só reentrou mais tarde, a convite de Jaime Fernandes. Viveu dias infelizes antes disso, deixou a revista, procurou emprego, mas recusava-se a fazer a “teatral” admissão à Emissora Nacional e tinham-no como “esquerdalho demais” para entrar na ANOP, a agência de notícias. Os dias felizes de António José Macedo Monteiro de Oliveira, hoje com sessenta e seis anos, os verdadeiramente felizes, chegaram no dia 29 de fevereiro de 1988, quando a TSF emitiu pela primeira vez a partir da Rua Ilha do Pico.

Fez de tudo na rádio. Confessa-nos que tudo continua por fazer — menos a Volta a Portugal, para a qual não tem hoje “pedalada”. Continua a despertar cedo para fazer o que melhor sabe. Diverte-se. Ainda se diverte. Continuará a fazê-lo enquanto assim for. Quando não o for, talvez se volte para um podcast na Internet.

Viveu parte da infância em Lisboa, na Rua do Salitre, que é paredes-meias com o Parque Mayer. Era um habitué do Parque?
Foi uma infância e um início de adolescência felizes, muito felizes. O estado a que o Parque Mayer chegou é uma coisa que me está atravessada no coração até hoje. É um espaço absolutamente glorioso do coração de Lisboa, é uma pequeníssima Broadway – ou podia ser — e nesse meu tempo era isso, pá, era uma pequeníssima Broadway, com montões de animação, muitas luzes, havia os divertimentos da altura, todos os que podia haver, desde divertimentos para crianças até divertimentos para adultos. Vi espetáculos, tinha um familiar, um tio, que era agente artístico e levava-me aos bastidores dos teatros, do ABC, do Maria Vitória, do Capitólio, e conhecia parte ou boa parte das vedetas. E depois tínhamos as coisas todas dos miúdos, das barracas para atirar às latas, dos tiros, pingue-pongue, bilhar, havia wrestling, hóquei, e era realmente uma animação, pá. Era no Parque Mayer que me entretinha. E nem tinha que atravessar a rua, porque descia pelo passeio, curvava e entrava no Parque Mayer.

Acredito que, para uma criança, a década de 1950 deve ter sido fascinante. Nunca teve vontade de ser artista? No fundo, como aqueles que via no Parque Mayer habitualmente.
Não, por acaso não. Ou melhor, lá artista, ator, ator de teatro, ainda fui, ainda fiz uma vaga incursão nos tempos de Coimbra. Ator, sim, passou-me pela cabeça. Mas o que eu verdadeiramente queria ser era chauffeur de praça. Eu gostava muito de automóveis. E gosto. Conhecia as marcas todas, a minha mãe contava-me que tinha ano e meio ou dois anos e, por causa dos anúncios dos jornais, sabia os modelos todos, no meio da rua. E então, com dois anos chegava ao pé do carro, sei lá, um Ford Perfect, e eu dizia: “Pér-fé-que-te”. E as pessoas ficavam-se espantadíssimas porque parecia que estava a ler o nome, quando não estava a ler coisíssima nenhuma. Sabia de ver no jornal. Portanto, a primeira coisa que eu quis ser nessa altura era mesmo chauffeur de praça.

Chauffeur de praça não chegaria a ser, mas a verdade é que cedo, ainda criança, a rádio criou um encantamento em si. Desde logo porque não havia televisão em casa, segundo sei. E sentava-se com os pais à volta do rádio para ouvir os programas da época. Que recordação tem desses serões?
Os pais e outros familiares. Recordo-me, então não recordo. À volta de um aparelho de rádio muito, como é que eu hei-de dizer, era bonito no sentido em que era moderno. Se quiseres, até modernista. Era um Phillips. Os aparelhos de rádio eram um bocado “rococós”. Mas aquele aparelho era um aparelho particularmente bonito, porque era madeira escura, em contraplacado julgo eu, que antes do estilo americano surgir já era do estilo americano. Era um rádio grande, com dois enormes botões e teclas, tinha uma luzinha verde para acertar a sintonia, tinha onda média e tinha onda curta, e tinha outra coisa que era o UKW, que eu só muito mais tarde vim a descobrir o que era.

"Nós juntávamo-nos à volta daquele aparelho, assistindo aos programas de rádio como mais tarde se vem a assistir aos programas de televisão. Mas literalmente. 'Silêncio! Pronto...' E calava-se toda a gente para ouvir, sei lá, a adaptação da 'Morgadinha dos Canaviais', com o Álvaro Benamor, o Rui de Carvalho, o Paulo Renato, o Rogério Paulo, e o entretém em muitos serões era esse"

Era o FM, não?
Que era o FM, sim. Quando o Rádio Clube Português lançou o FM, tinha umas promoções na onda média em que diziam: “Ouça-nos em FM, na frequência englobada, se o seu rádio não tem frequência englobada veja se tem o UKW e carregue na tecla do UKW”. O UKW era o FM, portanto. Acoplando, abria-se, tinha um gira-discos. E uma coluna incorporada. Para ouvir estereofonia. Obviamente a esterofonia não era grande coisa, o som era um som grave, o som do rádio também uma coisa com peso, e portanto nós juntávamo-nos à volta daquele aparelho, assistindo aos programas de rádio como mais tarde se vem a assistir aos programas de televisão. Mas literalmente. “Silêncio! Pronto…” E calava-se toda a gente para ouvir, sei lá, a adaptação da “Morgadinha dos Canaviais”, com o Álvaro Benamor, o Rui de Carvalho, o Paulo Renato, o Rogério Paulo, sei lá, aqueles nomes todos do teatro que faziam teatro radiofónico e que o faziam esplendorosamente, com adaptações absolutamente extraordinárias, e o entretém em muitos serões era esse. Por exemplo, à sexta-feira havia os romances.

Isso na Emissora Nacional…
Na Emissora Nacional, sim. Havia também as outras estações, claro. O Rádio Clube Português e a Rádio Renascença. A Renascença nunca foi muito ouvida lá em casa, não me lembro de ouvir. O Rádio Clube também tinha programas, nomeadamente de humor, dos Parodiantes de Lisboa, que era naquela altura também imperdível, com um humor muito básico, também porque havia censura, é bom lembrar isso. Não se podia fazer humor como se faz hoje. Mas que era uma coisa altamente inovadora, era. Hoje que sou profissional disto percebo perfeitamente o que é que ali estava feito. Os Parodiantes de Lisboa era uma coisa completamente inovadora, como completamente inovadores vieram a ser os noticiários do Rádio Clube, dirigidos pelo Luís Filipe Costa, que eram um corte igualmente naquilo que se fazia, no formalismo, nas notícias hierarquicamente muito bem selecionadas, na primeira falava-se do senhor Presidente da República, depois do senhor presidente do Conselho, ou vice-versa, da Assembleia Nacional, por ali fora, meia hora naquilo, tudo “engravatado” e tal. O Rádio Clube rompeu completamente com isto. E depois, muito mais tarde vim a conhecer as pessoas que integraram essa equipa, uma delas é mesmo um dos meus melhores amigos, o João Paulo Guerra, e eles passaram as passas do Algarve com as coisas da censura, com cortes. Aquilo para a censura também era uma coisa fora do comum.

Já vamos à censura — e como é que lidou com ela mais tarde. Mas antes antes gostava de saber o que é que a si, criança, o fascinava na rádio.
Era o mistério daquelas pessoas dentro daquela caixa. Aquilo estimulava a minha imaginação, fundamentalmente era isto. Eu era transportado para os sítios, a rádio transportava-me para os sítios mais incomuns. O cenário dos romances, por exemplo. Uma família inglesa: como é que aquelas pessoas estariam vestidas, como é que era a casa, tudo aquilo, e muitas vezes nem havia narração, as adaptações dos romances eram um estímulo para a imaginação, como era um estímulo os relatos do futebol e do hóquei em patins. E depois aquelas pessoas que ali estavam a falar, ou seja, como é que era o Pedro Moutinho, como é que era o Nuno Brás, o Amadeu José de Freitas, o Artur Agostinho, antes de os vermos na televisão, e todos eles acabaram por passar na televisão, como é que eram aquelas pessoas, aquelas senhoras que falavam tão bem, estariam muito penteadas, seriam gordas, não seriam, eles teriam bigode, barba, estariam de gravata, não estariam. Além de que, para uma criança, até aos oito, nove anos, era absolutamente fascinante a possibilidade de dentro daquela caixa haver gente. Para mim, no princípio, as pessoas estavam ali, estavam lá num formato diferente, mas estavam lá. Como estava eu do lado de fora da caixa. Eles eram mais pequenos, mas estavam lá. A falar comigo. E esse foi o fascínio.

O pai era das engenharias. A mãe de letras. O que é herdou de um de outro?
Epá, do lado do meu pai não herdei nada. [Risos] Ou muito pouco. Não, não teve nada. Nunca me puxou para esse lado da engenharia, fui sempre letras. Era péssimo a matemática, odiava a matemática, a física, a química. Mas tive uma professora primária absolutamente extraordinária, a dona Guilhermina, Gui-lher-mi-na.

Isso no Campo Grande, no Lar dos Pequeninos, não é?
Sim, sim. Era uma mulher absolutamente fantástica, deu-me as bases de tudo, eu não dou um erro de ortografia, nunca dei, tirando um que por vezes me confunde, que é palavras começadas por “pre” ou “per”, nunca resolvi muito bem isto, às vezes fico na dúvida se precipício é “precipício” ou “percipício”. Mas não dou erros de ortografia e sei a tabuada toda, nunca contei pelos dedos. Sempre fiz bem contas e isso tudo. Quando aquilo começou a ser mais exigente, aí foi já no liceu, comecei a divorciar-me claramente da matemática e acentuar o meu interesse todo na parte de humanísticas, línguas e história, mesmo a própria geografia também me interessava.

As memórias do Lar dos Pequenos são, portanto, memórias felizes. Menos feliz foi a Mocidade Portuguesa — a qual foi obrigado a frequentar durante parte do liceu. Chegou até a desfilar num 1º de Dezembro. Lembra-se disso?
Lembro-me perfeitamente quando fui comprar a farda ao Palácio da Independência, no Largo de S. Domingos, com o meu pai, que foi quando entrei para o liceu. O meu pai refilou mesmo muito, protestou muito. A minha primeira reação à Mocidade era contra a obrigatoriedade do uso da farda e daqueles dias de marcha, que era uma coisa completamente idiota. A Mocidade Portuguesa teve coisas muito positivas, mas eu não passei por elas, só sei que teve. Como acampamentos. Acho que contribuiu em certa medida e em certos locais para uma, enfim, com a parte ideológica sempre a ferver, mas contribuiu para uma melhor vida por parte de muitos estudantes mais desfavorecidos do país. E é um mérito que eu não posso deixar de reconhecer. Agora, comigo não se passou. Aquilo que se passava é que eu ao sábado de manhã tinha que ir marchar para o liceu e se não fosse marchar para o liceu tinha três faltas e chumbava o ano. Essa obrigatoriedade foi aquilo que me divorciou claramente desde o princípio da Mocidade. Primeiro, ter que vestir aquela farda, igual aos outros. Segundo, aquela disciplina, aquele autoritarismo — porque não havia autoridade, havia autoritarismo –, e eu nesse sentido sempre fui um bocado, como é que hei-de dizer, para não dizer rebelde vou dizer desobediente, pronto. Eu era um miúdo eventualmente mais “vivo” do que outros. E mais refilão que outros. E estar a obedecer àquilo era uma coisa que me aborrecia profundamente, chateava ter que levantar-me ao sábado e ir para o liceu marchar. “Um, dois, um dois, tem um passo cortado, tem um passo não-sei-quê.” Havia um tal de Fialho que nos dirigia, que era comandante.

"Namoradeiro? Era o que era possível. Havia muitas restrições à época, como se sabe. Mas pronto, a malta tentava... Era atiradiço, era razoavelmente atiradiço, nem sempre era bem sucedido, mas arriscava sempre. Agora, tinha épocas. Porque havia épocas em que as coisas me corriam lindamente em termos de amor e havia épocas em que era um fracasso completo. Não acertava uma. E nunca percebi isso"

Aquilo até nem lhe corria mal de todo, não é? Mas a verdade é que assim que teve oportunidade de sair, saiu…
A Mocidade Portuguesa era obrigatória no primeiro e no segundo ano do liceu. E no primeiro período do terceiro. Ou seja, no Natal do terceiro ano quem quisesse podia saltar fora, aquilo deixava de ser obrigatório. E quem ficasse, era promovido. Aquilo era o Lusito primeiro, depois era o Chefe de Quina, e depois era o Comandante de Castelo. Mas antes disso havia uma coisa que era Arvorado em Comandante de Castelo. Eu cheguei a ser, infelizmente. Por ter boas notas e não por ser bom na Mocidade Portuguesa, fui Arvorado em Comandante de Castelo. E fui Arvorado antes de irmos no 1º de Dezembro para aquela “fascistisse” que era em frente ao Palácio Foz, puseram-me uma coisa vermelha – nós dizíamos que era a menstruação — na divisa, só que não fiquei lá. Acabou o período a 18 de dezembro e eu disse: agora, adeus que aqui me vou. E nunca mais pus os pés na Mocidade. Quis ver à distância. Nunca mais usei aquele “sinto” com um S. Que era o S de Salazar. Lembro-me que quando fui comprar a farda o meu pai refilou imediatamente: “Até escrevem cinto com erro de ortografia!” Tinha umas meias confortáveis, eu gosto de meias altas, e as meias eram francamente confortáveis. [Risos]

A propósito do seu pai: foi por causa da profissão dele, técnico de engenharia, que aos treze anos troca Lisboa por Évora e mais tarde, aos quinze, Évora pela Figueira da Foz. Sair da “cidade grande” foi difícil?
[Pausa] Estou a pensar nisso, nunca refleti sobre isso, a sério. E podia. Eu acho que não… Senti uma coisa, que foi o afastamento de dois ou três amigos e de uma tia. Isso senti. E foi difícil fazer amigos em Évora, muito difícil.

Fez amizade com os irmãos Câmara Pereira, com quem praticou ginástica no Lusitano de Évora…
E o António Pinto Basto. Os irmãos eram os “Putos Marianos”, eram conhecidos assim. Foi aí que fiz amizade com o Nuno [da Câmara Pereira], particularmente esse, que é o da minha idade. Mas dava-me muito bem em Évora. Nós aqui em Lisboa vivíamos em casa, num apartamento, e em Évora estive lá muito pouco tempo mas morei em duas casas diferentes, moradias, com um jardim, onde se podia jogar à bola, onde se podia… pronto, havia mais espaço. E nesse sentido gostei. Gostava também muito das instalações do liceu, o liceu funcionava naquilo que é hoje a Universidade de Évora. Aquele edifício muito bonito. Não gostei de alguns professores. Enfim, no geral gostei muito. A mudança, pensado bem, não me afetou nada. E muito menos a mudança para a Figueira, porque a na Figueira fui para a praia.

Viveu na Figueira da Foz entre os quinze e os dezanove anos. Isso é uma altura em que começamos a ter as primeiras namoradas “mais a sério”. Era namoradeiro?
Era, era. Era…

Ainda por cima com a praia ao pé, imagino…
[Risos] Aí eram as “camones”. Já começava a “internacionalização do conflito”. Era o que era possível. O que era possível e o que era normal. Havia muitas restrições à época, como se sabe. Ou muita gente saberá. Mas pronto, a malta tentava… Era atiradiço, era razoavelmente atiradiço, nem sempre era bem sucedido, mas arriscava sempre, porque nada de mal me podia acontecer. Agora, tinha épocas. Porque havia épocas em que as coisas me corriam lindamente em termos de amor e havia épocas em que era um fracasso completo. Não acertava uma. E nunca percebi isso. Acho que todos nós devemos ter um aura ou uma coisa qualquer assim, uma coisa qualquer estranha, não sei, e algumas vezes devemos ser mais apetitosos do que outras. [Risos] Não faço ideia. Mas sim, fui namoradeiro. E a primeira namorada a sério, a sério mesmo, que tive é uma figueirense.

É quando regressa a Lisboa que faz rádio pela primeira vez. Quis cursar Direito, acabou por não entrar — já me explicará porquê –, mas trabalhou na Rádio Universidade. Como é que chega à rádio?
Entrei, mas não entrei coisíssima nenhuma. Nunca fui às aulas. Foi a mesma coisa que nem lá ter estado. Aliás, é uma coisa que se eu for para um organismo público ponho no currículo, que cheguei a matricular-me, mas não fui às aulas. Onde é que eu já ouvi isto?… [Risos] O que aconteceu foi que, pronto, naquela altura a rádio já começava a fazer parte da minha vida, começa a ser uma indispensabilidade, e já ouvida com um grau de exigência que não tinha quando era miúdo. Quando eu era miúdo era o mistério. E depois passou a ser um desafio. Serei capaz de fazer isso? E comecei a ter ídolos da rádio. E comecei a ouvir rádio pelos programas, não dispensava o “Em Órbita”, para mim era uma dor não poder ouvir, era uma dor não poder ouvir o “PBX”, mas também era uma dor não poder ouvir o “Clube das Donas de Casa”.

[Risos]
Ai tu sorris, pá! O “Clube das Donas de Casa”, fica sabendo, era dos melhores programas da rádio portuguesa! Era realizado e apresentado pela Maria João Aguiar e pelo Henrique Mendes e foi o primeiro programa que em Portugal divulgou os Tropicalistas: Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Maria Bethânia… Também a malta do rock de São Paulo, a Rita Lee, o Roberto Carlos, o Erasmo Carlos, foram divulgados em primeira mão e insistentemente, com teimosia e quando as outras rádios nem sabiam o que era esta gente, pelo “Clube das Donas de Casa”, que era um programa muito bem feito, muitíssimo bem feito e que não estava condicionado por se chamar assim.

Mas voltando à Rádio Universidade…
Isto para dizer o quê? Que passei a ouvir rádio com um grau de exigência maior e a pensar na eventualidade, uma vez que eu achava que falava bem, tinha lata e tal, que era capaz de aquilo funcionar. Fazia espetáculos de estudantada e não-sei-quê, era eu sempre que apresentava e tal. E de repente há uma tarde de setembro em que íamos jogar futebol para a Alameda D. Afonso Henriques e caiu uma carga de água monumental, havia um tipo que não sei o que é feito dele, que morava na Rua Carvalho Araújo, era nosso vizinho e também jogava à bola connosco, era conhecido como o “Spot”. Porquê? Porque trabalhava na rádio Universidade, era sonorizador, técnico de som. Ai trabalhas na rádio?! És o “Spot”! Porque ele falava muito de spots, de spots, que fazia spots de publicidade, disto e daquilo. Vamos à rádio Universidade, ficava ali na Estefânia, um sítio perto, e lá fomos. E eu fiz uma experiência e, ao que parece, o Paulo Morais, o “Eletrónico Morais”, gostou, a coisa correu mesmo bem, foi uma coisa estrepitosa. E fiquei.

"Nunca mais voltarei a Angola! Eles, os Santos e tal, destruíram aquilo tudo, é tudo gente muito desqualificada, o que fizeram àquele país, que é provavelmente dos mais ricos do mundo, o que fizeram e estão entretidos a fazer àquele povo, e preparados por continuar pelo mesmo caminho, é uma coisa da qual não quero ser testemunha"

E Direito ficou logo de parte, está visto. Foi por imposição dos pais que se matriculou no curso ou perdeu-se um advogado?
Era mesmo o que queria. Se tirasse um curso superior, era o curso de Direito.

A ida para Angola, em 1971, mais concretamente para Luanda, dá-se porque vai passar férias a casa de uns tios. Foi uma “visita” que durou quatro anos…
Aquela tia, de que falei anteriormente quando fui para Évora, de quem fiquei com saudades por me afastar dela, entretanto tinha casado e tinha ido viver com o marido para Angola, que era engenheiro. E a minha tia não se cansava de me desafiar a ir lá, fazer-lhe uma visita a Luanda. Aquilo era a província ultramarina para uns, a colónia para outros, eu já entendia aquilo um bocado como a colónia, mas sem uma grande, como é que eu hei-de dizer isto, sem muita teorização política à volta disto. Aquilo que eu entendia é que era completamente absurdo estar a fazer a esta distância uma guerra como aquela. Não fazia o menor sentido. E não ia fazer a guerra, ponto final, parágrafo, travessão. Não ia!

E não foi…
E não fui.

Era objetor de consciência, é isso?
Não, não. Nem havia nada disso, pá. Era pré-cego, tinha uma miopia da qual fui entretanto operado, muitos anos depois, em 1999, mas uma miopia que me garantia livrar da tropa. Nem ia para os serviços auxiliares dada a quantidade de dioptrias que eu tinha. Só que a guerra agravou-se e toda a gente ia para a tropa, nem que fosse só para os serviços auxiliares, para aqueles serviços administrativos, e eu receava que isso pudesse acontecer. E por isso mesmo arranjei uma belíssima cunha. Não me repugna nada. Uma não, duas belíssimas cunhas. Ou se quiseres: uma cunha e meia. Para o caso de haver ali qualquer dúvida, a cunha funcionaria. Se não funcionasse, fugiria para a Dinamarca, onde tinha uma namorada. Tinha tudo preparado. Mas livrei-me. Aliás, o capitão ou major ou não-sei-quê, que estava lá na junta médica do Militar, ficou assim a olhar para os papéis e disse: “Mas você tem aqui uma g’anda cunha!” E disse aquilo em voz alta, para outros jovens ouvirem. Para me tentar envergonhar. Como se eu tivesse alguma vergonha de não ir à guerra.

Voltando atrás. Ou à frente. O que é que o fascinou em Angola e o fez continuar por lá?
Poder-se-ia dizer que o que me chamou foi o exotismo daquilo, África e tal, mas não. Não fui surpreendido por isso, porque aquilo era muito ocidentalizado. Cheguei a uma cidade, Luanda, que só era muito mais quente e muito mais húmida, muito mais, mas uma cidade completamente ocidental. E não foi por aí. Estive muito poucos dias de facto de férias e fui logo desafiado a ir substituir uma pessoa que tinha adoecido, o António Taklin, no programa da Rádio Comercial de Luanda. Foi o que me segurou lá. Mas aquilo que para lá disso mais me cativou foi a distância, a noção de distância, a imensidão que era aquilo, nós aqui somos muito pequeninos, nós aqui na altura íamos de Lisboa ao Porto e fazíamos um jantar para nos despedir da família. Lá ia-se tomar café a cento e oitenta quilómetros de distância. E depois havia um envolvimento, comecei a teorizar mais, a informar-me, a envolver-me com pessoas do “reviralho”, a minha tendência também era essa, e o meu envolvimento levou-me ao MPLA, como é lógico. E ainda acentuou mais os laços, criou outro tipo de laços que a juntar aos primeiros me fizeram permanecer lá. Foi uma época muito boa, muito vibrante, casei-me também a primeira vez por essa altura, o meu primeiro filho nasceu lá, tudo aquilo foi muito emocionante para mim.

Já regressou a Angola?
Nunca mais voltarei! Só voltarei, conforme já disse duas vezes ao adido de imprensa da Embaixada de Angola, o meu amigo Francisco Simons, que só volto a Angola como presidente daquele país, pronto. Ele julgou que eu estava na palhaçada, mas não. É uma coisa absolutamente peremptória o que estou a dizer. Mas não tenho vontade nenhuma de ir, eles, os Santos e tal, destruíram aquilo tudo, é tudo gente muito desqualificada, o que fizeram àquele país, que é provavelmente dos mais ricos do mundo, o que fizeram e estão entretidos a fazer àquele povo, e preparados por continuar pelo mesmo caminho, é uma coisa da qual não quero ser testemunha.

Em 1973, nos estúdios da emissora oficial de Angola. Viveria em Luanda até 1975. "Nunca mais voltei. Agora só volto como presidente!" (Créditos: D.R.)

Quando se dá o 25 de Abril está lá ou cá?
Lá, lá.

E como é que se viveu a revolução lá?
Viveu-se de uma forma absolutamente absurda. Já estava na altura na emissora oficial de Angola e fomos proibidos de noticiar o 25 de Abril durante 24 horas, até tomarmos conta da estação. Éramos cinco maduros, mas com a colaboração da esmagadora maioria dos trabalhadores da emissora. Portanto, estivemos 24 horas sem dar uma notícia do 25 de abril, a saber mais ou menos do que se ia passando por cá, porque a dada altura as chamadas também foram cortadas, mas ia-se sabendo alguma coisa e depois teve que se fazer o que foi feito. Até o MFA entretanto tomar conta da situação, o que aconteceu dia 2 de maio, houve ali dois dias em que ocupámos, dois dias em que fomos demitidos e levados à PIDE, e depois reatámos funções.

Esse foi o primeiro e único quid pro quo que o António teve com a PIDE, é? Ouvi-o certo dia dizer que o primeiro ato anti-fascista, consciente, que teve foi a compra da “Praça da Canção”, do Manuel Alegre. Isso não lhe trouxe problemas na altura?
É verdade. Se eu disse que foi o primeiro gesto anti-fascista, estou a exagerar. Mas foi o primeiro gesto voluntariamente deliberado que pratiquei contra o regime. Sabia que aquilo era uma coisa que o regime, sobre o qual eu vivia, não gostava, nem do Manuel Alegre, nem da edição daquele livro, que estava proibido e que comprei por baixo do balcão da Havaneza, na Figueira da Foz, da dona Helena, que foi quem me vendeu o livro. Ainda tenho essa edição. E foi deliberadamente o primeiro gesto contra o regime. Por essa altura comecei a ouvir falar do Manuel Alegre, da Rádio Portugal Livre.

Emitida a parti de Argel…
Em Argel, sim. E comei a ouvir a voz do Manuel Alegre, pronto. E isso também me marcou. E eram gestos deliberadamente contra. Mas não ter tido problemas com a censura antes não é inteiramente verdade.

Então?
Tive, tive um problema em 1973. Fizemos através de um programa nos Estúdios Norte, onde eu estava, e do programa “Café da Noite”, do Sebastião Coelho, uma campanha para a mudança das férias escolares em Angola, que decorriam as mesmo tempo que em Portugal, ou seja, as férias grandes decorriam lá no tempo do cacimbo, no Inverno angolano, aquilo era completamente contra-natura. E desencadeámos uma campanha a favor da mudança das férias escolares, com a colaboração do jornal A Palavra. Aquilo começou a crescer, a crescer um bocadinho, e tumba! Parem com isto tudo! E lá tivemos, eu e o Sebastião, que era o dono dos estúdios, que ir prestar declarações a um senhor que estava vestido com um fato castanho e que era o doutor Totta. O senhor doutor Totta, que acho que era o chefe dos censores. Uma besta quadrada! Era um homem com um ar… um ar bovino. Só lhe faltava… só faltava não ele marrava literalmente com as pessoas, aliás marrou fortemente comigo, que tinha o cabelo ainda mais comprido do que tenho agora. Nem sei se se chamava verdadeiramente assim, se tinha primeiro nome ou nome final, nem sei mesmo se tinha pai e mãe: era uma besta!

O seu regresso a Portugal dá-se posteriormente ao regresso da maioria dos portugueses em África. E apenas regressa porque foi vítima de racismo dentro do próprio MPLA — do qual até foi simpatizante.
Foi numa reunião. Eu já estava um bocado de saco cheio. Era da comissão de trabalhadores da emissora oficial. Na altura estava no governo um governo de transição. O ministro com a pasta da comunicação social era um cavalheiro denominado Jaka Jamba [suspiro], a quem fiz em frente ao cinema S. Jorge, mais tarde, uma das cenas de que mais me envergonho da minha vida e que não conto.

Adiante.
Pronto. O secretário de Estado era um tipo do MPLA, uma criatura também do melhor, o Lopo do Nascimento. Enfim, tínhamos reuniões com esta gente, que era quem mandava em tudo. Era desrespeitado pelo Lopo do Nascimento e pela pandilha dele e comecei a fartar-me daquilo. Há um dia em que há uma reunião e um tipo, branco, comandante do MPLA branco – sei que morreu com um tiro pelas costas, o que diz muito –, denominado comandante Jika, me disse: “A tua opinião não interessa nada porque és português, portanto calou!” Foi o que quis ouvir. No dia seguinte meti-me no avião e vim embora. Angola morreu para mim nesse dia.

Jaime Fernandes e Pedro Albergaria, ambos falecidos no ano passado, com António Macedo e Humberto Boto. "Eu gosto muito de estar à mesa com os amigos, a petiscar" (Créditos: D.R.)

Volta em 1975 a Lisboa. Em 1976 é convidado pelo Jaime Fernandes para ir para a Rádio Comercial. Passou-se um ano. O que é que fez entretanto?
Estive na Flama. Pela mão da minha querida camarada Edite Soeiro, das pessoas de quem mais gostei nesta vida. E lá estive até a rádio me querer de volta. Tinha tratado das coisas para ingressar na Emissora Nacional, embora me recusando a fazer os testes de admissão e aquelas coisas a que outras pessoas se quiseram submeter, o Fernando Alves, o Emídio Rangel. Achei que era uma coisa ultrajante e recusei-me a participar nesse teatro. As outras pessoas até por necessidade tiveram que o fazer. Mas tratei de tudo até que se dá o 25 de Novembro e fui informado de que era bastante “esquerdalho” para poder entrar para a Emissora, para não dizer mesmo que era comunista. Para a Emissora, nem pensar. Por essa altura há a crise na Flama, eu fico numa situação um bocado dramática, e houve um querido amigo, que estava na altura na ANOP, que me disse que se arranjasse uma referência do PS, no dia a seguir entrava na ANOP. E o desespero era tanto, para ir para a ANOP, que fui ter com alguém que conhecia no PS. Ele fez quase de conta que não me conhecia. Esse cavalheiro, grande figura do Estado português, grande figura do Governo, enfim, um figurão, recusou-se nos Passos Perdidos da Assembleia a ajudar-me. Mas pronto, eu era muito “esquerdalho” para algum Partido Socialista. E ainda sou.

O facto de ser alguém tão frontal — e politicamente assumido, claro — trouxe-lhe problemas?
Só me trouxe felicidade. Não posso dizer que me orgulho todos os dias olhando para mim, porque não me barbeio. [Risos] Mas há uma coisa que tenho por absolutamente segura: se eu me tivesse envolvido partidariamente hoje era diretor disto, ou ministro daquilo, ou tinha sido, sem falsas modéstias. É evidente que sou uma carta fora do baralho para todos.

Estávamos a falar da Rádio Comercial. Curiosamente, os dias que diz serem os “mais felizes” que viveu na rádio até foram os da fundação da TSF. Porquê?
A rádio em Portugal tem tido ciclos, momentos melhores, momentos piores, mais duradouros, menos duradouros. Na altura do aparecimento da TSF a rádio estava muito mal. Quando a TSF começou a emitir, pirata, no dia 29 de fevereiro de 1988, rádio bisexta, eu regressei à rádio – tinha-me retirado da rádio no verão de 1987, muito desiludido na Comercial – pela mão do Emídio Rangel, que me convidou para fazer as manhãs. Fui a segunda escolha. A primeira era o José Nuno Martins. Ser a segunda escolha a seguir ao Zé Nuno é como ser o primeiro. [Risos] O que é que foi aquilo? Eu acho que para nós, os mais velhos, eu, que tinha vinte anos disto na altura, o Carlos Andrade, o Chico Sena [Santos], o Fernando Oliveira, o Luís Marinho, o David Borges, o próprio Emídio, o Fernando António, os mais veteranos devem ter vivido aquilo como os verdadeiros pioneiros da rádio. Eles, os que foram da cooperativa, eu nunca fui, os que construíram com as suas próprias mãos o primeiro estúdio da TSF na Rua Ilha do Pico. Foram aqueles que depois meteram papéis, passaram as burocracias, ultrapassaram as dificuldades, montaram um emissor, viveram coisas absolutamente fascinantes. Eu vivi a parte já final, a parte de executar aquilo tudo que vinha de trás. Foi absolutamente maravilhoso, não havia horas para nada, havia uma agenda que era para desrespeitar deste a primeira à última linha, mas tudo isto com uma responsabilização total, havia golpes de asa de dez em dez minutos, havia uma pessoa que punha no ar uma coisa completamente diferente, as reuniões eram coisas apoteóticas, com ideias absolutamente incríveis. E a rádio renasceu no dia 29 de fevereiro de 1988. Não apenas porque apareceu a TSF, mas porque a TSF foi uma locomotiva que obrigou a que o comboio da rádio entrasse nos carris e começasse a andar a uma velocidade completamente diferente. As outras rádios, acomodadas, perceberam que alguma coisa tinha mudado e que tinham que se pôr em sentido e tirarem as gravatas, levantarem-se das cadeiras e irem para a rua.

Continuará a fazer rádio enquanto for feliz e se divertir. Ainda se diverte?
Divirto. As quatros horas que eu passo aqui [Antena 1] são muito boas para mim, muito reconfortantes. Continuam, apesar de alguns tropeções, sobressaltos, incómodos, de algumas frustrações até, continuam ser quatro horas muito estimulantes. Continuam a justificar que eu me levante às quatro e meia da manhã.

Isso é duro, não? Ou o corpo habitua-se ao horário?
Habitua-se. Eu sempre fui um noctívago. Hoje já não posso dizer isso. Hoje digo é o contrário. Quando é que eu saio à noite? Nunca. Agora sou um amador completo. Mas ainda gosto da noite, de andar por aí, ir para os copos com os amigos, ouvir música. Mas há quantos anos é que não faço isso? Sei lá.

O dia em que as netas de António Macedo, Leonor e Joana, visitaram pela primeira vez a Antena 1. "Quis por-lhes o 'veneno' da rádio" (Créditos: D.R.)

O António tem hoje sessenta e seis anos. O que é que ainda gostaria de fazer na rádio? Sei que o seu amigo Júlio Pereira o desafiou a criar uma rádio online
Como diria o meu amigo João Paulo Guerra, eu em rádio tenho tudo por fazer. Gostava muito de acompanhar uma Volta a Portugal em bicicleta. Já não o vou fazer porque não tenho capacidade física para uma coisa dessas, eu hoje gosto de algumas comodidades. [Risos] Em relação à rádio online, neste momento não me estou a ver a fazer isso. Mas daqui a dez minutos se calhar já estou.

Porquê?
Sugiro que ouças no Facebook uma coisa que se chama “O Som da Minha Vida”. É um pequeno formato, três, quatro minutos, em que a Rita Colaço, aqui da Antena 1, desafia uma pessoa a contar qual é o som da vida dela. E desenvolver isto. E ela sonoriza. E aquilo é uma coisa muito estimulante e muito desafiante. Aquilo fez-me pensar: porque é que não faço também uma coisa no online, uma coisa cuidada? Também sou capaz de fazer.

As notícias da morte da rádio são, portanto, “manifestamente exageradas”? Seja em que formato for.
Sempre foram exageradas. E continuam a ser. Há gente nova muitíssimo boa, gente muito competente e talentosa, generosa, e com uma tremenda capacidade de fazer diferente, pá. O que me surpreende. A rapaziada que está na rádio, está porque gosta e não para ser um trampolim para ir para outro lado qualquer, para as luzes das televisões. Gosto muito das pessoas que estão a trabalhar na rádio.

Os filhos, o Gonçalo e a Rita, não lhe seguiram o ofício de radialista. Mas uma das netas, a Leonor, que é a mais velha das duas, até tem interesse por isto, não é?
Pode vir a ter, sim. Para a mais nova, de cinco anos, ainda é misterioso para ela ouvir o avô ali dentro. A outra pode ser que sim. Eu gostava muito que uma delas desse esse passo, mas não forço nada, não sugiro coisa nenhuma. Como não sugeri clubes. Ninguém é do Sporting, sou o último sportinguista da família, pá. [Risos]

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