Esqueça 2017: estas são as novidades literárias do novo ano

13 Janeiro 2018385

Há livros para todos os gostos: do romance ao conto, passando pela poesia e pelo ensaio, sem esquecer os mais pequenos. Estes são "alguns" dos livros que 2018 vai trazer.

Janeiro

A Quetzal vai publicar Manobras de Guerrilha, uma coletânea de textos dispersos de Bruno Vieira Amaral, vencedor do Prémio Saramago em 2015, publicados em jornais, blogues ou apresentados em conferências e encontros de escritores. Manobras de Guerrilha “reúne em livro as palavras memoráveis do autor que, na sua variedade, erudição e humor, bem ilustram a mestria literária e o extraordinário leque temático de Bruno Vieira Amaral”, refere a editora. A ASA vai editar O Caso de Nero Wolfe, de Robert Goldsborough.

A Relógio d’Água vai lançar uma série de títulos, sobretudo de ficção. A China em Dez Palavras, de Yu Hua — um antigo dentista chinês que decidiu dedicar-se à literatura por estar farto de “olhar para a boca das outras pessoas o dia todo” –, Sonhos Eléctricos, de Philip K. Dick, Para o Casamento, de John Berger, e Alguma Coisa Tem de Chover. A Minha Luta: 5, de Karl Ove Knausgård, são alguns deles. A editora vai também dar continuidade à republicação das obras de Agustina Bessa-Luís com A Ronda da Noite. O prefácio é de António Mega Ferreira. E porque livros nunca são de mais, em breve devem também chegar às livrarias Prefácios, de Søren Kierkegaard, e Na Rússia com Rilke. Diário da Viagem com Rainer Maria Rilke em 1900, de Lou Andreas-Salomé, também da Relógio d’Água.

A Guerra & Paz vai continua a alargar o catálogo de grandes clássicos da literatura com a publicação, já em janeiro, de O Vermelho e o Negro, a obra-prima de Stendhal. A publicação do livro pela editora, coincide com o 235.º aniversário do escritor, nascido Marie-Henri Beyle a 23 de janeiro de 1783, na cidade francesa de Grenoble. Uma das obras favoritas de Ernest Hemingway, O Vermelho e o Negro foi precursor do romance moderno, influenciado muitos dos grandes escritores do século XX.

A publicação de O Vermelho e o Negro, obra-prima de Stendhal, pela Guerra & Paz coincide com o 235.º aniversário do escritor

A coleção “Vampiro”, da Livros do Brasil, vai ganhar um novo título logo em janeiro: O Gato de Diamantes, uma das primeiras histórias de Dorothy L. Sayers, está à venda desde dia 4. Publicado originalmente em 1926, O Gato de Diamantes — sobre uma misteriosa morte que abala a pacata localidade de Riddlesdale Lodge — confirmou a inglesa como uma das mais importantes autoras do género policial. A Porto Editora vai começar o ano com a publicação de Gungunhana, um romance sobre o último imperador de Gaza (ao qual Mia Couto dedicou uma trilogia), atualmente parte de Moçambique, escrito pelo moçambicano Ungulani Ba Ka Khosa. Khosa vai estar em Portugal no final de fevereiro para participar no Correntes d’Escrita, o festival literário da Póvoa de Varzim.

A Antígona vai começar o ano com a publicação de Uma Semana nos Rios Concord e Merrimack, dando assim continuidade à publicação da obra de Henry David Thoreau. Este livro é o relato da viagem de barco que o autor de Walden ou a Vida nos Bosques fez com o seu irmão, John, em 1939 pelo rio Merrimack e o seu afluente, Concord, na zona este do Massachusetts, nos Estados Unidos da América. “Este diário de bordo e grandioso ensaio sobre a amizade e o amor tempera a sublime solidão de Walden com salutares gotas da vida nos rios”, refere a editora. Uma Semana nos Rios Concord e Merrimack chega às livrarias a 15 de janeiro.

Este mês, Planeta vai apostar um thriller arrepiante: O Homem de Giz, o romance de estreia de C.J. Tudor. Claramente influenciado por Stephen King, O Homem de Giz conta a história de um grupo de crianças, “não poupando nos pormenores sociais onde estão inseridas e em como as influências de famílias disfuncionais contribuem para exacerbar o imaginário infantil”, refere a editora. Na Saída de Emergência, vai sair Sonata em Auschwitz, um romance da jornalista brasileira Luize Valente (de ascendência portuguesa e alemã) que conta a história de Amália, uma portuguesa com ascendência alemã que nascida em 1994, em Auschwitz.

Na Dom Quixote, o grande destaque vai para a publicação de Um Cavalo Entra num Bar, do israelita David Grossman, um dos grandes títulos do catálogo da editora para este ano. O romance, publicado no ano passado no Reino Unido, foi o vencedor da edição de 2017 do Man Booker International Prize, criado com o objetivo de incentivar a publicação e leitura de ficção de qualidade traduzida para inglês. A Cavalo de Ferro vai publicar Confissão de um Assassino — Relato de uma noite, de Joseph Roth.

A Companhia das Letras vai editar Meio homem metade baleia, o primeiro romance de José Garzeadebal, e a Glória e o Cortejo de Horrores, da atriz e escritora brasileira Fernanda Torres. Pela Alfaguara vai sair O Irmão de Gelo, de Alicia Kopf, que conta a história “de uma jovem mulher, artista em formação, em busca de um caminho”. “É ainda a história do seu fascínio pelo gelo, da obsessão pelos polos da Terra e por quem teve a coragem de os desbravar: heróis como Scott, Amundsen e Shackleton, que pela primeira vez pisaram as regiões geladas do planeta”, de acordo com a editora. A autora vai estar em Portugal para o Correntes d’Escrita.

Esta é uma novidade em Portugal: a Relógio d’Água vai publicar a obra completa de Arthur Rimbaud, nunca antes disponível em português. O volume, que chega às livrarias já neste mês de janeiro, inclui todos os poemas em verso do poeta francês, escritos entre 1868 e 1873, e ainda Une saison en enfer (Uma temporada no inferno) e Illuminations (Iluminações), obras já publicadas em Portugal separadamente. Esta última é considerada um dos maiores trabalhos de Rimbaud e foi a última composta pelo francês antes de abandonar completamente a escrita, aos 21 anos de idade. Além da poesia, a edição da Relógio d’Água inclui ainda cartas escritas pelo poeta entre 1870 e 1875, os anos do seu curto período criativo.

A editora vai ainda publicar este mês um outro livro de poesia — A Ciência das Sombras, de Bernardo Pinto de Almeida, com desenhos de Julião Sarmento. Pela Guerra & Paz vai sair Angola, Me Diz Ainda, do angolano José Luís Mendonça, autor do romance O Reino das Casuarinas, publicado em Portugal pela Caminho. A Companhia das Ilhas vai fazer chegar às livrarias Ao Largo de Delos, um livro de poesia de Ramiro S. Osório, e Um mosquito num voo baixo, de Gisela Canãmero. A Dom Quixote vai editar A Pura Inscrição do Amor, de Nuno Júdice.

Nos primeiros dias do mês, a Guerra & Paz vai publicar o ensaio Porque é “Lixo” o Rating Social dos Negros, de Filipe Oliveira Silvestre. Neste livro, o autor procurou afastar-se das “leituras enviesadas pela ditadura do politicamente correto que, na sua opinião, envenena a discussão intelectual”, de acordo com a editora, afirmando que “os negros que lerem este livro vão perceber que dessa pequena ‘aventura’ pelos caminhos tortuosos da ilegalidade e da pobreza resultaram apenas prejuízos étnicos que — muitos deles — dei­xarão rasto ao longo de pelo menos mais uma ge­ração”. Chegou às livrarias a 2 de janeiro, no mesmo dia que És Meu, Disse Ela, no qual António Manuel Ribeiro, vocalista dos UHF, fala de como foi vítima de stalking durante vários anos.

A Bertrand vai publicar Goethe: O Eterno Amador, de João Barrento, sobre o autor de Fausto, uma obra que promete preencher uma lacuna na crítica literária portuguesa, e Utopia para Realistas, um livro de Rutger Bregman (considerado um dos grandes jovens pensadores europeus) que tem como premissa a necessidade de lutar por utopias, desde o rendimento básico incondicional a uma semana de trabalho de 15 horas, passando por um mundo sem fronteiras e sem pobreza. Porque, segundo acredita o jornalista do The Correspondent, elas são alcançáveis. Pela mesma altura, vai sair pela Temas e Debates O Mito da Singularidade, de Jean-Gabriel Ganascia, sobre o futuro da inteligência artificial e o seu impacto na humanidade.

Uma das apostas da Temas e Debates para 2018 é o livro Luísa de Gusmão — A Rainha Restauradora, uma biografia da investigadora norte-americana Monique Vallance sobre a mulher de D. João IV

Para o mês de janeiro, a Temas e Debates guardou ainda a reedição de Luísa de Gusmão — A Rainha Restauradora, uma biografia da investigadora norte-americana Monique Vallance sobre a mulher de D. João IV. A Oficina do Livro vai lançar Dias que (não) contam, uma biografia do ator João Ricardo, que morreu em novembro passado, vítima de cancro. Pela BookBuilders, uma chancela da E-Primatur, irá sair Terrorismo e Comunismo — Resposta a Karl Kautsky, de Leon Trotsky, um texto que a editora considera “absolutamente fundamental nos tempos que correm” com “a ascensão do terrorismo“. A edição inclui uma introdução do filósofo esloveno Slavoj Žižek.

Chegou a estar programado para outubro passado, mas As Rotas da Seda – Uma nova história do mundo, de Peter Frankopan, só vai chegar às livrarias neste mês de janeiro. Com tradução de Isabel Castro Silva, o livro editado pela Ítaca fala da região que, em tempos, ligou o Oriente com o Ocidente, “onde as grandes religiões do mundo se enraizaram, onde eram trocados bens e onde as línguas, as ideias e a doença se disseminavam”. “N’As Rotas da Seda, Peter Frankopan afasta-se de uma visão eurocêntrica do mundo para oferecer um relato da História onde as Rotas da Seda de novo se levantam”, refere a editora.

Foi em 1816, o “ano sem verão”, que Mary Shelley começou a escrever aquele que viria a ser o primeiro romance de ficção científica da história. Mas Frankenstein só viria a ser publicado dois anos depois, em 1818. De modo a assinalar a data, a editora Guerra & Paz vai lançar uma edição adaptada aos mais novos.

Pela Presença vai sair, já em janeiro, La Belle Sauvage, o primeiro volume da nova trilogia de Philip Pullman, O Livro do Pó. Publicado em outubro passado no Reino Unido, o romance — fortemente elogiado pela crítica britânica e não só — marca o regresso do escritor ao universo de Os Reinos do Norte, 17 anos depois. A história passa-se dez anos antes e tem como personagem principal um rapaz de 11 anos, Malcolm Polstead, filho dos donos d’A Truta, uma estalagem muito popular nos arredores de Oxford, junto à margem do Tamisa.

O livro chega às livrarias portuguesas na mesma altura que três novas edições da Biblioteca de Hogwarts, uma coleção de três livros publicados há alguns anos por J.K. Rowling. Monstros Fantásticos e Onde Encontrá-los, de Newt Scamander, O Quidditch Através dos Tempos, de Kennilworthy Whisp e Os Contos de Beedle, o Bardo ganharam novas capas mas também um maior número de páginas. Para esta edição, Rowling acrescentou seis novos seres mágicos a Monstros Fantásticos, assim como um prefácio da autoria de Scamander. No caso de Beedle, além dos contos já conhecidos dos leitores, esta edição inclui ainda cinco novas histórias de fantasia.

A Caminho vai publicar dois livros das autoras Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada — uma edição em inglês de Uma Aventura no Porto, An Adventure in Porto, e A Bruxa Cartuxa no Hotel Assombrado. Já a Orfeu Negro Mini vai editar O Regresso da Baleia, de Benji Davies.

Fevereiro

Em outubro de 2018, assinalam-se os 20 anos da atribuição do Prémio Nobel da Literatura de José Saramago e a Porto Editora não vai deixar a data passar em branco. Além de várias iniciativas a ser realizadas na Feira do Livro de Frankfurt, de Lisboa e do Porto, a editora pretende ter, até ao final do ano, ter em catálogo a obra completa do escritor português, que tem vindo a reeditar nos últimos anos. Este ano, a primeira a sair será Cadernos de Lanzarote — Diário V, já em fevereiro. Além desta, a Porto Editora vai ainda publicar Bangladesh, Talvez e Outras Histórias, do brasileiro Eric Nepomuceno, e Um Muro no Meio do Caminho, um romance da escritora e magistrada portuguesa Julieta Monginho que gira em torno da questão dos refugiados. Os dois autores vão no Correntes d’Escrita, no final de fevereiro.

A Porto Editora guardou também para este mês o lançamento da adaptação para banda desenhada do clássico de Ernest Hemingway O Velho e o Mar, com ilustrações de Thierry Murat. O livro é o segundo na série de romances gráficos que a editora inaugurou com o Diário de Anne Frank, em 2017, e à qual pretende dar continuidade. A próxima obra a ser adaptada deverá ser O Primeiro Homem, de Albert Camus, que a Livros do Brasil vai reeditar no verão. E por falar em Livros do Brasil: em fevereiro, a editora vai publicar um novo volume da coleção “Vampiro”, A Quadrilha de Rubber, de Rex, Stout, e o primeiro livro da trilogia da autobiografia ficcionada de Henry Miller, Sexus. Os dois outros volumes — Plexus e Nexus — serão editados até 2019.

Uma das grandes apostas da Planeta para o mês de fevereiro é Deixarás a Terra, um romance do jornalista e escritor peruano Renato Cisneiros baseado na história da sua família, uma das mais poderosas do Peru. “Um livro profundamente íntimo que revela anos de pesquisa familiar sobre uma intricada árvore geneológica”, refere a editora. Cisneiros vai estar em Portugal em fevereiro para participar no 19.º Correntes d’Escritas, na Póvoa do Varzim.

No ano passado, a Porto Editora decidiu apostar numa coleção de romances ilustrados. O segundo livro — uma adaptação do clássico de Ernest Hemingway O Velho e o Mar — vai sair em fevereiro

No início de fevereiro, a Imprensa Nacional-Casa da Moeda vai dar início à publicação da “Biblioteca José-Augusto França”, composta por uma seleção de obras, divididas por 16 volumes, feita pelo próprio autor. Os três primeiros volumes saem logo neste mês: o primeiro inclui o romance Natureza Morta, Pequenos Contos de África, D. Júlia e O Retornado; o segundo Charles Chaplin, o “SelfMadeMyth” e Hitchcock Há 100 Anos; e o terceiro os textos Amadeo de Souza-Cardoso, o “Português à Força”, Almada Negreiros, o “Português sem Mestre”, Vieira da Silva e Vieira da Silva para depois.

“O Homem partiu em busca de outros mundos, de outras civilizações, sem conhecer inteiramente os seus próprios recantos, os seus becos sem saída, os seus abismos, e sem saber o que está por detrás das suas portas negras.” É esta a sinopse de Solaris, um romance de Stanisław Lem, escritor de ficção científica de culto, que chega às livrarias em fevereiro, com chancela da Antígona. Traduzido pela primeira vez do polaco, por Teresa Swiatkiewicz, esta edição inclui ainda uma nota introdutória do ensaísta e tradutor argentino Alberto Manguel.

A Quetzal vai editar Na Memória dos Rouxinóis, de Filipa Martins, a história de um matemático galego — Jorge Rousinol — que, apesar de sempre ter defendido o esquecimento como o melhor veículo para a tomada de decisões acertadas, decide, no final da vida, encomendar a produção de uma biografia. O romance chega às livrarias a 9 de fevereiro, semanas antes da nova tradução de Frederico Lourenço da Odisseia, de Homero. Pela Presença, vai sair O Tatuador de Auschwitz, de Heather Morris.

Na editora Relógio d’Água é lista é, como sempre, longa. O Manto, de Agustina Bessa-Luís (com prefácio de João Miguel Fernandes Jorge), Dicionário de Literatura Bloom, de Gonçalo M. Tavares, Nesta Grande Época. Sátiras Escolhidas, de Karl Kraus, Nados Líquidos, de Zygmunt Bauman e Thomas Leoncini, Na Primavera, de Karl Ove Knausgård, O Meu Amor Absoluto, de Gabriel Tallent e uma antologia de diários de Virginia Woolf são alguns dos livros com que vai poder contar em fevereiro. A Guerra & Paz vai publicar uma antologia de contos de Eça de Queirós com o título Adão e Eva no Paraíso, seguido de O Senhor Diabo e Outros Contos, na mesma altura em que chega às livrarias uma nova tradução de Lord Jim, de Joseph Conrad.

A Dom Quixote vai publicar O Nervo Ótico, de María Gainza, A Filha, de Anna Giurickovic Dato, Um Gentleman em Moscovo, de Amor Towles, Querida Ijeawele, de Chimamanda Ngozie Adichie, e ainda A Febre das Almas Sensíveis, de Isabel Rio Novo, finalista do Prémio Leya (atribuído em 2017 a João Pinto Coelho, autor de Os Loucos da Rua Mazur, publicado em dezembro passado). Já a ASA vai lançar Talento para Matar, um policial do britânico Robert Wilson inspirado num episódio protagonizado por nada mais nada menos do que Agatha Christie.

A Cavalo de Ferro vai editar A Maldição de Hill House, uma história de fantasmas de Shirley Jackson. A Elsinore, por outro lado, vai editar A Tempestade, um volume de contos reunidos de Marina Prezagua, e Homem-Tigre, do indonésio Eka Kurniawan.

A Assírio & Alvim vai lançar uma nova edição de Rente ao Dizer, livro de poesia de Eugénio de Andrade (cuja obra poética completa saiu no ano passado) editado originalmente em 1992. Além deste volume, a editora vai ainda publicar Poesia Reunida, de Luís Filipe Castro Mendes, ministro da Cultura, e Poemas da Antologia Grega, com tradução (feita a partir do inglês) de José Alberto Oliveira, no âmbito da coleção de livros de bolso “Gato Maltês”.

A Relógio d’Água vai publicar O Pangolim e Outros Poemas, da poetisa norte-americana Marianne Moore. A tradução é de Margarida Vale de Gato.

Depois da polémica nos Estados Unidos da América, Fire and Fury (ainda sem título em português) vai chegar a Portugal em fevereiro. O livro de Michael Wolff sobre os bastidores da Presidência Trump vai ser editado pela Actual Editora, uma chancela do Grupo Almedina. “Com base nas suas opiniões e entrevistas exclusivas, este livro explosivo desconstrói este fenómeno que, até agora, não tinha explicação”, garante a editora..

Depois de Contos Completos, uma antologia de contos do autor da Mensagem (que inclui dois inéditos), a Antígona vai publicar, a 19 de fevereiro, Fernando Pessoa — Um Retrato Fora da Arca, “uma recolha de textos que resulta numa biografia intelectual e humana do poeta dos heterónimos, estabelecida a partir de textos do próprio Pessoa e dos testemunhos dos seus contemporâneos com quem mais intimamente conviveu”, explica a editora. Com organização, prefácio e notas de Zetho Cunha Gonçalves (também responsável por Contos Completos), Um Retrato Fora da Arca inclui textos de António Botto, Raul Leal, Mário de Sá-Carneiro, José de Almada Negreiros, entre outros. Chega às livrarias a 19 de fevereiro.

A Presença vai publicar Requiem para o Sonho Americano, de Noam Chomsky. Pela Lua de Papel, vai sair Nudge, um livro escrito pelo Prémio Nobel da Economia de 2017 Ricard H. Tahler em co-autoria com o jurista Cass R. Sunstein. De acordo com a editora, Nudge é “um livro revelador sobre o modo como decidimos — e como podemos decidir melhor — questões de saúde, riqueza e felicidade”. A BookBuilders vai editar O Mar, Uma História cultural, de John Mack, com um prefácio de Álvaro Garrido.

Pela Tinta-da-China vai sair História a História, um ensaio de Fernando Rosas, e pela Ítaca Mercadores de gente, uma investigação meticulosa da jornalista e economista italiana Loretta Napoleoni sobre a indústria do rapto no Médio Oriente e Norte de África que vale centenas de milhares de milhões de dólares anualmente. O Terror Entre Nós, do correspondente da SIC Henrique Cynerman e do especialista em terrorismo Aviv Oreg, vai ser publicado pela Porto Editora também neste mês. O livro “explora as origens da Jiade Global, acompanha de perto os atentados que mudaram a face do mundo e prevê os próximos passos do terrorismo islamita no ocidente”, refere a sinopse.

A biografia Béla Guttmann: De sobrevivente do Holocausto a Glória do Benfica, de David Bolchover, é uma das apostas da Oficina do Livro para o novo ano. Chega às livrarias em fevereiro

Béla Guttmann foi “o primeiro treinador superstar de futebol e o homem que abriu caminho aos famosos treinadores da era moderna”. Sobrevivente do Holocausto, foi jogador de futebol antes de se tornar no “lendário treinador da década de 60 do Benfica” e de lançar a “maldição” que perdura até hoje: “Nem daqui a 100 anos uma equipa portuguesa será bicampeã europeia e o Benfica jamais ganhará uma Taça dos Campeões sem mim”. A sua história surge agora contada num livro da autoria de David Bolchover: Béla Guttmann: De sobrevivente do Holocausto a Glória do Benfica chega às livrarias em fevereiro, com chancela da Oficina do Livro.

Em fevereiro a Guerra & Paz vai estrear uma nova coleção de clássicos da não-ficção, intitulada “Grandes Livros”, com as obras Arte da Guerra, de Sun Tzu, e Memórias, de Raymond Aron. Pela mesma altura, sairá a autobiografia do jornalista Fernando Correia. Da Miséria Simbólica — A Era Hiperindustrial, de Bernard Stiegler, um dos mais destacados pensadores da atualidade, chega também às livrarias neste mês de fevereiro. O livro é uma análise das relações entre política e estética na era hiperindustrial e a edição é da Orfeu Negro.

Na Planeta, fevereiro vai ser mês de “Star Wars”: Star Wars — O Livro do Filme, a história completa de “Star Wars: Os últimos Jedi”, e Star Wars — Chewie e os Porgs, sobre a viagem de Chewbacca até uma misteriosa ilha do planeta Ahch-To com Rey, vão sair neste mês, juntamente com dois livros de Rita Vilela — O Curioso Jogo do Dr. Alberto e o primeiro volume de Os Heróis de Andósia, uma trilogia juvenil.

A Orfeu Negro Mini vai publicar Um Capuchinho Vermelho, de Marjolaine Leray, e Um Dia de Neve, de Erza Jack Keats. Este último, publicado originalmente em 1963, é o primeiro livro com um protagonista negro na história do livro ilustrado.

Março

Vários meses depois de ter sido publicado em inglês pela Harper Collins, chega finalmente a Portugal a versão em português de Beren e Lúthien, de J.R.R. Tolkien, numa edição da Planeta com ilustrações de Alan Lee, ilustrador de longa data dos livros do autor de O Senhor dos Anéis. Publicado 100 anos depois de ter sido escrito, o conto tinha especial significado para Tolkien. De tal forma, que quando a mulher, Edith, morreu, mandou gravar na sua campa “Lúthien”, por baixo do seu nome. Dois anos depois, quando Tolkien foi sepultado no mesmo local, foi acrescentado à lápide o nome “Beren”.

A Antígona vai continuar a publicação das obras de Eduardo Galeano com O Livro dos Abraços, o primeiro de três livros do escritor e jornalista uruguaio agendados para a primeira metade de 2018. O Livro dos Abraços — escrito durante o exílio na Argentina, depois do golpe militar de 1973 no Uruguai, e ilustrado pelo próprio Galeano —“reúne memórias e sonhos, critica do mundo e reflexões inesquecíveis”, refere a editora. Para março, a Guerra & Paz guardou a publicação de duas novas edições de Mensagem, de Fernando Pessoa, e A Ilustre Casa dos Ramires, de Eça de Queirós.

O Livro dos Abraços é o primeiro de três livros do escritor e jornalista uruguaio Eduardo Galeano que a Antígona pretende publicar na primeira metade de 2018

Continuando com a republicação das obras de José Saramago, a Porto Editora vai fazer chegar às livrarias em março uma nova edição de A Bagagem do Viajante, um conjunto de mais de 60 crónicas publicadas em A Capital e no Jornal do Fundão, entre finais dos anos 60 e inícios dos anos 70. Em março, a editora vai também publicar o romance Longe do Paraíso, do escritor francês Sacha Sperling. Pela Dom Quixote vai sair O Fogo Será a Tua Casa, de Nuno Camarneiro, e Pátria, do escritor espanhol Fernando Aramburu.

Depois da publicação do romance Morte pela Água, em 2017, a Livros do Brasil vai dar continuidade à reedição das obras de Kenzaburo Oe com Não Matem o Bebé, obra publicada originalmente em 1964. Com um forte lado autobiográfico (como, de resto, acontece em quase todos os livros de Oe), Não Matem o Bebé conta a história de um professor de inglês, casado e com um trabalho estável, e do nascimento do seu primeiro filho, com uma deficiência grave. “Esta é provavelmente a mais pessoal das obras de Kenzaburo Oe, e também uma das mais importantes do conjunto dos seus romance, anunciando já então a originalidade e a força poética que lhe mereceriam 30 anos mais tarde, em 1994, a atribuição do Prémio Nobel da Literatura”, refere a editora, que irá ainda publicar em março O Enigma do Sapato Holandês, de Ellery Queen, no âmbito da coleção “Vampiro”.

A Tinta-da-China vai publicar Alguns Humanos, o livro de estreia do brasileiro Gustavo Pacheco, que escreveu um conto para o número 8 da revista Granta, dedicado ao “Medo”. Pela mesma altura, deverá sair Nanquim Não Chora, um romance de Hong Zheng sobre os efeitos do nazismo do Japão, com edição da Gradiva. A Quetzal vai continuar com a reedição das obras completas de José Eduardo Agualusa: em março, vai sair Barroco Tropical, romance originalmente publicado em 2009. A Presença, por seu turno, vai lançar A Mulher À Janela, um thriller psicológico de A.J. Finn.

A editora Relógio d’Água vai publicar A História, de Elsa Morante, Ressurreição, de Lev Tolstói, A Quarta Ode Pítica de Píndaro, de Maria Mafalda Viana, Com Esta Chuva, de Annemarie Schwarzenbach, e mais duas obras de Agustina Bessa-Luís — Os Meninos de Ouro (com prefácio de Pedro Mexia) e As Estações da Vida e Viagens com Água –, entre outros. A ASA vai lançar dois policiais da rainha do crime, Agatha Christie: A Visita Inesperada e Nemesis.

Deverá ser também neste mês que será publicado, pela E-Primatur, Ficção Curta Completa, de Herman Melville. O volume, composto por mais de 600 páginas, revela as várias facetas de um escritor que foi muito mais do que o autor de Moby-Dick. A maioria dos textos nunca foi editada em Portugal. Mais ou menos por esta altura, deverá sair uma das grandes apostas da editora: Contos Completos, de Marcel Proust. Além de textos mais tardios, contos de juventude e os famosos contos perdidos, entre os quais se incluem “O Indiferente”, o volume inclui ainda alguns pastiches e textos trans-genéricos.

A Cavalo de Ferro vai editar Os Prémios, de Julio Cortázar, enquanto a Elsinore vai fazer chegar às livarias o romance de estreia do norte-americano Paul Betty, vencedor do Man Booker Prize em 2016. Em A Dança do Rapaz Branco, publicado originalmente em 1996, é possível encontrar as características que têm feito com o que o escritor se destaque no âmbito da literatura de língua inglesa: “escrita versátil, do erudito ao calão, humor subtil e inesperado, e uma atenção especial aos temas da raça e da condição afro-americana”, refere a editora.

A Assírio & Alvim vai publicar um volume de poemas de William Wordsworth, um dos grandes poetas românticos ingleses, escolhidos e traduzidos por Daniel Jonas. Mais ou menos na mesma altura, vai chegar às livrarias publicação da mortalidade, que reúne a obra poética (profundamente revista) de Valter Hugo Mãe, De Passagem, o novo livro de poesia de José Alberto Oliveira, e uma seleção de poemas de Ron Padgett, um dos grandes poetas norte-americanos da atualidade, com tradução de Rosalina Marshall. A edição — tal como a de Wordsworth — é bilingue.

Para este mês, a Dom Quixote guardou a publicação de três livros de poesia: Poemas de Amor, de Manuel Alegre, Olha-me Como Quem Chove, de Alice Vieira, e Estranhezas, de Maria Teresa Horta. Pela Caminho vai sair o novo livro de poesia do angolano Ondjaki e pela Companhia das Letras o novo romance de João Tordo, Ensina-me a Voar Sobre os Telhados.

A Porto Editora vai publicar em minúsculas, que reúne pela primeira vez as crónicas e reportagens que Herberto Hélder escreveu para o Notícia, em Angola. Apesar de Hélder nunca se ter considerado um jornalista — se lhe perguntassem “se alguma vez foi jornalista é possível que respondesse, com um sorriso irónico ou até alguma irritação, que não”, escreveu o filho, Daniel Oliveira –, durante pouco mais de um ano, entre abril de 1971 e junho de 1972, trabalhou como correspondente em Angola para o Notícia — Semanário Ilustrado, assinando como Herberto Hélder ou Luís Bernardes (ou com as respetivas iniciais). Fê-lo por “coisas de dinheiros”, recusando sempre “a impessoalidade competente”, fugindo “da narrativa de consumo confortável”, não se compartimentando “em géneros com as suas respetivas receitas” e sorrindo “de quase tudo”. Foi por isso, talvez, que sempre recusou a palavra “jornalista” — “porque foi sempre outra coisa qualquer”, afirmou Daniel Oliveira no Prefácio de em minúsculas.

Breaking Free: How I Escaped Polygamy, the FLDS Cult, and My Father Warren Jeffs (ainda sem título em português) é um impressionante relato de Rachel Jeffs, filha mais velha do antigo presidente da Igreja Fundamentalista Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (FLDS), atualmente a cumprir uma pena de 20 anos de prisão por violação de menores, a que foi condenado em 2011. Rachel foi uma das suas vítimas e conta e, em Breaking Free, descreve os abusos e castigos de que foi vítima durante anos e como arranjou coragem para fugir da seita mórmon em 2015. O livro sai em março, pela Planeta.

Será que somos um povo de brandos costumes? Foi essa a pergunta à qual António Luís Marinho e Mário Carneiro tentaram responder em À Lei da Bala, um livro com chancela da Temas e Debates que atravessa todo o século XX português, onde não faltaram períodos de grande violência. A Ítaca vai publicar Menos que um, uma antologia de ensaios de Joseph Brodsky sobre grandes escritores, como Fiódor Dostoiévski ou Konstandinos Kavafis.

Na Tinta-da-China, deverão sair dois ensaios: História da Violação, de Isabel Ventura, “primeiro grande ensaio sobre um tema ainda tabu que tem vindo a marcar a atualidade internacional”, de acordo com a editora, e o novo livro do ensaísta e tradutor argentino Alberto Manguel, que será publicado em simultâneo em Portugal, Inglaterra e Estados Unidos da América. A Relógio d’Água vai lançar a correspondência de Kafka e Milena, numa tradução de António de Sousa Ribeiro, e a Casa das Letras Njinga: Africa’s Warrior Queen (ainda sem título em português), de Linda M. Heywood.

Depois dos “Grandes Livros” de fevereiro, a Guerra & Paz vai estrear outra nova coleção — os “Livros Azuis”, “pequenas pérolas imortais da literatura mundial”, de acordo com a editora. Os dois primeiros títulos saem em março: Apologia de Sócrates, de Platão, e um volume com dois textos curtos de Jonathan Swift, mestre da sátira — Os Benefícios de Dar Peidos Ou A Causa Fundamental das Afetações do Sexo Feminino: Onde se prova, a posteriori, que a maioria das maleitas que condicionam as senhoras são culpa de aragens não ventiladas como deve ser. Escrito em espanhol, por Don Fartinhando Puffindorst, Professor da Universidade Bumbast em Cracóvia e traduzido para o inglês a pedido da Lady Dampfart de Herfartshire, por Obadiah Fizzle, pelo Cuidador das Fezes da Princesa de Arsemini na Sardenha e o famoso Uma Proposta Modesta, que fala sobre como evitar que as crianças irlandesas sejam um fardo para os pais.

As Edições 70 vão publicar Géneros e Génio em Howard Hawks, de Carlos Melo Ferreira, e Os Cinco Magníficos — Uma história de Hollywood e da Segunda Guerra Mundial, de Mark Harris. A BookBuilders vai lançar uma edição revista e anotada de Portugal contemporâneo, de Oliveira Martins, e a Orfeu Negro um conjunto de ensaios de Mário Moura intitulados O Design que o Design não vê.

A Porto Editora vai publicar um novo livro do autor bestseller David Walliams. O Bando da Meia-Noite é “uma deliciosa história de cinco crianças numa enfermaria de hospital” que, depois da meia-noite, quando todos estão a dormir, saltam da cama e vivem as maiores aventuras. O livro vai chegar às livrarias na mesma altura que Os Altos e Baixos do Meu Coração, o novo livro de Becky Albertalli, autora de O coração de Simon contra o mundo, editado no ano passado em Portugal pela Porto Editora. Pela mesma editora vão ainda sair Os Mauzões, de Aaron Babley, O Que é Que Aconteceu na Terra dos Procópios, de Maria Alberta Menéres, O Estranhão 7 e Os Indomáveis F.C. 6, ambos de Álvaro Magalhães, e E.T. — O Extraterrestre, uma adaptação do filme de Steven Spielberg de Melissa Mathinson, com ilustrações de Kim Smith.

Uma Aventura no Palácio das Janelas Verdes, de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, vai chegar às livrarias também neste mês pela Caminho. A Orfeu Negro vai editar Horizonte, de Carolina Celas, e ainda o novo livro da escritora e ilustradora Madalena Moniz.

Abril

Um dos grandes acontecimentos literários de abril será o início da publicação da Obra Completa de Vitorino Nemésio, escritor português que, apesar de considerado um dos mais importantes do século XX, acabou por cair no esquecimento. A publicação de toda a obra do autor de Mau Tempo no Canal — da responsabilidade da editora açoriana Companhia das Ilhas, em parceria com a Imprensa Nacional-Casa da Moeda, com coordenação científica de Luiz Fagundes Duarte — será feita em 16 volumes, divididos em quatro séries (“Poesia”, “Teatro e Ficção”, “Crónica e Diário” e “Ensaio e Crítica”), prevendo-se a edição de quatro por ano.

O primeiro a sair será dedicado à poesia escrita por Nemésio entre 1916 e 1940 e incluirá as seguintes obras: Canto Matinal (1916), A Fala das Quatro Flores (1920), Nave Etérea (1922), Sonetos para Libertar um Estado de Espírito Inferior (1930), La voyelle promise (1935), O Bicho Harmonioso (1938) e Eu, Comovido a Oeste (1940). A este serguir-se-á, mais tarde, o primeiro volume de teatro e ficção, composto por Amor de nunca mais (1920) e Paço do Milhafre (1924).

A 23 de abril, a Antígona vai lançar mais um livro de Eduardo Galeano, As Palavras Andantes, inspirado nas lendas e mitologia da América do Sul. De acordo com o próprio autor, esta obra — que nesta edição inclui as gravuras de J. Borges — reúne “histórias de espantos e de encantos, vozes que encontrei no caminho e sonhos que sonhei acordado, realidades delirantes, delírios realizados, palavras andantes que encontrei – ou que me encontraram”.

A Casa Golden, o último romance de Salman Rushdie (entrevistado em 2016 pelo Observador), é a grande aposta da Dom Quixote para abril. O sucessor de Dois Anos, Oito Meses e Vinte e Oito Noites, tem sido comparado a obras como The Great Gatsby, de F. Scott Fitzgerald, e Brideshead Revisited, de Evelyn Waugh, porque, tal como estes últimos, de “uma grande riqueza e uma grande queda”, como refere o The Guardian. Além do novo livro do “Booker dos Bookers”, a Dom Quixote vai ainda lançar neste mês Cadáveres às Costas, de Miguel Real, Para Lá de Si, de Sasha Marianna Salzmann, Florinhas de Soror Nada, de Luísa Costa Gomes, e Testamentos Traídos, de Milan Kundera.

Burgueses somos todos nós, o novo livro de Mário de Carvalho, chega às livrarias também em abril, com chancela da Porto Editora. A editora vai também publicar neste mês O Caçador, de Lars Kepler, e O Caderno, obra que reúne vários textos de José Saramago, “balizados temporalmente entre setembro de 2008 e março de 2009”. Os textos, dos mais variados, incluem reflexões, sugestões e críticas. Muitos foram publicados na Internet. A Assírio & Alvim vai publicar dois novos títulos da coleção “Pessoa Breve” — A Educação do Estóico, de Barão de Teive, e Sobre a Arte Literária, um pequeno livro com alguns dos textos mais importantes de Fernando Pessoa sobre a literatura e a escrita.

A Livros do Brasil vai editar, pela primeira vez em Portugal, Um Diário Russo, uma “grande reportagem” do escritor John Steinbeck (cujos 50 anos da sua morte se assinalam em dezembro) e do fotojornalista Robert Capa pela União Soviética. “Combinando a paixão, o humor e a atenção ao pormenor de Steinbeck com os magníficos estudos fotográficos de Capa, Um Diário Russo é um retrato único da Rússia e do seu povo quando emergiam da devastação da guerra. É também um vislumbre íntimo de dois grandes artistas em ação”, salienta a editora. Neste mês, vai também sair Um Crime em Glenlitten, do escritor inglês E. Philips Oppenheim, no âmbito da coleção “Vampiro”, dedicada aos policiais.

A Cavalo de Ferro vai publicar A Língua Resgatada — História de uma juventude, de Elias Canetti, A Mente Aprisionada, de Czesław Miłosz, e ainda 60 contos, de Dino Buzzati. Pela Elsinore vai sair A Devastação do Silêncio, o terceiro romance de João Reis, O Gato, o Anku e o Maori, de Michel Rio (com ilustrações de Marie Belorgey) e I am I am I am (ainda sem título em português), de Maggie O’Farrell.

A Assírio & Alvim vai publicar um novo livro de Adília Lopes, Estar em Casa.

“Um dos mais fidedignos e completos relatos históricos sobre o movimento social de cariz revolucionário que ocorreu entre o 25 de Abril de 1974 e o 25 de Novembro de 1975” É assim que a Antígona descreve Portugal: A Revolução Impossível?, um livro do ativista irlandês Phil Mailer, que assistiu à revolução portuguesa em primeira mão. Além de Portugal: A Revolução Impossível?, a Antígona vai ainda publicar em abril A Sociedade Contra o Estado, a obra mais famosa do antropologista francês Pierre Clastres, considerada um “monumento incontornável do pensamento anarquista e antropológico”. A tradução é de Manuel de Freitas.

A Saída de Emergência vai continuar a apostar na não-ficção com a publicação em Portugal de Lava-Jato, a investigação do jornalista brasileiro Vladimir Netto sobre o complexo processo de corrupção e lavagem de dinheiro que já deu origem a mais de mil mandados de busca, apreensão e detenção no Brasil. Vladmimir Netto vai estar em Lisboa para apresentar o livro, que deverá sair em abril.

Pela Dom Quixote vai sair WTF — What’s The Future and Why It’s Up to US? (ainda sem título em português), uma análise do impacto da tecnologia por Tim O’Reilly. A Actual vai lançar A Economia do Bem e do Mal, do economista checo Tomáš Sedláček.

A Orfeu Negro Mini vai publicar Boa Noite a Todos, de Chris Haughton, e o novo livro da dupla premiada Mac Barnett e Jon Klassen, O Lobo, O Pato & O Rato. Os autores forma distinguidos com a Menção Honrosa da Medalha Caldecot.

Maio

Maio vai ser um mês em cheio para a Livros do Brasil, com a publicação de Um Sentido Para a Vida, de Antoine de Saint-Exupéry, A Estrada Para a Morte, de Margery Alligham (mais um da coleção “Vampiro”), e A Harpa de Ervas, de Truman Capote, que será publicado no âmbito da coleção “Miniatura”.

O Poder, o romance de Naomi Alderman que venceu o Baileys Women’s Prize for Fiction em 2017, vai chegar aos leitores portugueses pela Saída de Emergência. O livro de ficção científica conta a história de uma mulher que se torna capaz de libertar raios pelos seus dedos. Os direitos já foram comprados para a realização de uma série de televisão. Pela Antígona, mais um livro de Eduardo Galeano: Espelhos — Uma História Quase Universal (e não-oficial do mundo) chega às livrarias a 21 de maio, numa tradução de Helena Pitta.

Espelhos — Uma História Quase Universal (e não-oficial do mundo), de Eduardo Galeano, chega às livrarias a 21 de maio. A edição é da Antígona e a tradução de Helena Pita

A Porto Editora vai reeditar Deste Mundo e do Outro, um conjunto de crónicas publicadas por José Saramago no jornal A Capital, entre 1968 e 1969. Já a Assírio & Alvim vai dar continuidade à publicação das obras de Nikolai Gógol com O Casamento, que reúne o essencial da obra dramática do escritor ucraniano.

A Cavalo de Ferro vai dar continuidade à publicação da obra de Ferreira de Castro, “um dos mais destacados escritres portugueses do século XX”, com A Lã e a Neve, lançado inicialmente em 1947. A Elsinore vai publicar Mikhail e Margarita, “um romance sobre um romance” de Julie Lekstrom Himes, e Pássaros na Boca, de Samanta Schweblin.

Logo no início do mês, a Antígona vai publicar Técnica e Civilização, a “história global da máquina” do filósofo e historiador norte-americano Lewis Munford. Está também agendada mais ou manos para a mesma altura a edição de A Chegada das Trevas, um trabalho da jornalista do The Times Catherine Nixey (licenciada em Estudos Clássicos pela Universidade de Cambridge) sobre a destruição da cultura clássica pela religião cristã. A autora vai também estar em Lisboa para a apresentação do livro da Saída de Emergência.

As Edições 70 vão lançar Uma História de Violência e da Desigualdade, do historiador Walter Scheidel, e a Actual O Dilema da Inovação, de Clayton M. Christensen. Pela Vogais vai sair O Carisma de Hitler, do historiador Laurence Rees.

A Orfeu Negro Mini vai publicar Quadrado, de Mac Barnett e Jon Klassen, o segundo título da trilogia das formas. Pela mesma editora vai ainda sair O Pior Aniversário da Minha Vida, de Benjamin Chaud.

Junho

Foi em plena ascensão do nazismo, que Karel Čapek escreveu A Guerra das Salamandras, uma obra de ficção política que, de acordo com a Antígona, rivaliza com romances como 1984, de George Orwell, Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, e que tem como mote a frase: “Salamandras oprimidas de todo o mundo, uni-vos!”. O romance, traduzido diretamente do checo por Lumir Nahodil, chega às livrarias a 11 de junho.

A Porto Editora vai republicar A Segunda Vida de Francisco de Assis, uma peça de teatro de José Saramago sobre “o capitalismo, a qualidade, as chefias, a política, as eleições, a bolsa, as valorizações e desvalorizações dos produtos e das pessoas”, refere a editora. Já na Assírio & Alvim deverão sair a reedição de À Sombra da Memória, um livro de prosa de Eugénio de Andrade publicado originalmente em 1993, e Livro de Horas VI, obra que encerra a publicação dos cadernos escritos por Maria Gabriela Llansol durante o exílio na Bélgica. O volume anterior, Livro de Horas V, saiu em 2015.

Pela Livros do Brasil, vai sair O Primeiro Homem, o último livro de Albert Camus, A Tragédia da Rua das Flores, de Eça de Queirós, e O Crime Exige Propaganda, de Dorothy L. Sayers, um novo volume da coleção “Vampiro”. A Alfaguara vai editar Go Tell It On The Montain (ainda sem título em português), de James Baldwin. A Cavalo de Ferro vai editar Rua Katalin, de Madga Szabó e O Arcote na Orelha — História de uma vida 1921-1931, de Elias Canetti.

A Elsinore vai publicar o novo livro de Viet Thanh Nguyen, vencedor do Pulitzer Prize de 2016. The Refugees (ainda sem título em português) é uma coletânea de contos onde “o que interessa ao escritor norte-americano de ascendência vietnamita são as personagens divididas entre dois mundos, duas culturas, dois destinos”. “Como ele”, refere a editora que vai lançar, também em junho, Uma Odisseia — Um Pai, um Filho e um Épico, de Daniel Mendelsohn e Dor, o sexto romance de Zeruya Shalev.

24/7 — Capitalismo Tardio e os Fins do Sono, de Jonathan Crary, fala daquele que parece ser um dos males da sociedade moderna: “Consumir e trabalhar continuamente, 24 horas por dia, 7 dias por semana”. Recorrendo a autores como Gilles Deleuze, Hannah Arendt e Jean-Luc Godard, o professor de Teoria e Arte Moderna na Universidade de Columbia explora as consequências deste “estado de eterna vigília”, ao mesmo tempo que traça “um panorama vertiginoso da contemporaneidade, em que o sono é a maior afronta aos nocivos sistemas que nos regem”. A edição é da Antígona e chega às livrarias a 25 de junho, cerca de duas semanas antes de A Prática da Natureza Selvagem, um conjunto de novos ensaios do poeta beat Gary Snyder, publicados originalmente em 1990.

A Orfeu Negro vai publicar o primeiro volume de Historia da Virilidade — A Invenção da Virilidade. Da Antiguidade ao Século das Luzes, é uma obra colossal, dividida em três partes, que traça a genealogia da identidade masculina e a sua transformação ao longo dos séculos nas sociedades ocidentais. Dirigida por Alain Corbin, Jean-Jaques Courtine e Georges Vigarello, Historia da Virilidade conta ainda com a participação de vários autores de referência, como Bruno Dumézil e Claudine Haroche.

Ao Longo da Longa Estrada, do designer premiado Frank Viva (que tem andado de bicicleta pelas ruas de Nova Iorque, ao longo do deserto da Índia e à volta das vinhas de França e de Itália), vai chegar às livrarias em junho, pela Orfeu Negro Mini.

Nota: as datas de lançamento são meramente indicativas e podem vir a ser alteradas

Texto de Rita Cipriano, ilustração de Maria Gralheiro.
Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: rcipriano@observador.pt

Só mais um passo

Ligue-se agora via

Facebook Google

Não publicamos nada no seu perfil sem a sua autorização. Ao registar-se está a aceitar os Termos e Condições e a Política de Privacidade.

E tenha acesso a

  • Comentários - Dê a sua opinião e participe nos debates
  • Alertas - Siga os tópicos, autores e programas que quer acompanhar
  • Guardados - Guarde os artigos para ler mais tarde, sincronizado com a app
  • Histórico - Lista cronológica dos artigos que leu unificada entre app e site