Marcelo fala pela primeira vez do que viu no dia do fogo de Pedrógão. “Numa situação de emergência, há tudo menos protocolo”

05 Agosto 2017577

Um mês e meio depois da tragédia de Pedrógão Grande, o Presidente conta ao Observador o que viu naquele dia do fogo e o que fez desde aí. E deixa mensagens ao governo, à ministra e à oposição.

Marcelo Rebelo de Sousa arranca de carro do miradouro de Alvares, de onde se vê a aldeia rodeada de floresta ardida. Abre o vidro de trás, junto ao banco onde segue, atrás do pendura do carro oficial, e lança um último elogio à presidente da câmara de Góis. “Já está com outra cara. Parece a filha da pessoa que eu vi há um mês e meio”, atira o Presidente da República.

O chefe de Estado voltou, mais uma vez, à zona de Góis, Pedrógão Grande e Figueiró dos Vinhos para presidir a uma cerimónia promovida pelo Observador para a reflorestação da freguesia de Alvares. Oportunidade para seguirmos no carro com o Presidente desde Alvares até Figueiró dos Vinhos, por estradas cujas bermas estão pintadas de um preto que não esconde a passagem do grande fogo de 17 de junho.

Nesta entrevista exclusiva ao Observador, Marcelo fala pela primeira vez daquele dia trágico e dos primeiros momentos da chegada à zona do incêndio. Conta a história de como desafiou a GNR para chegar ao centro de operações, passando por entre labaredas, árvores e cabos caídos, mas rejeita falar da atuação de António Costa e Passos Coelho e diz que não há protocolo em situações como a da tragédia de Pedrógão Grande. Admite também que possa haver “consequências” para governantes após a divulgação do relatório da comissão independente e revela que nos próximos dois dias vai decidir que destino dará à legislação que o Parlamento aprovou sobre as florestas.

Marcelo Rebelo de Sousa e Lurdes Castanheira, presidente da Câmara Municipal de Góis, no miradouro da aldeia de Alvares a observar a área ardida (JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR)

Pelo meio, explica como não chorou e diz que não pode dizer que foi o pior momento da sua vida: “Há comparações que não se fazem”. Revelou ainda que, ao contrário do antecessor, não tira notas das reuniões com o primeiro-ministro e que por isso não vai haver livro de memórias, muito menos sobre este caso.

Foi quase meia hora de conversa por estradas que estiveram cercadas pelo fogo nos dias da tragédia que provocou a morte de 64 pessoas (mais duas em investigação).

Neste mês e meio, passou diversas vezes por uma destas estradas aqui ao lado, a N-236, conhecida como “estrada da morte”. O que sente ao passar por lá?
Já passei lá muitas vezes. Tirando o dia 17 [de junho] para 18, nessa noite-madrugada, das outras vezes que passei por lá, múltiplas vezes, o panorama já não era o mesmo de cada vez que passava. No início, havia uma certa realidade, depois foi mudando. Mas é muito difícil não se evocar aquilo que se sabe que aconteceu. E, portanto, das várias vezes que lá passei evoquei sempre o que tinha acontecido naquele fim de tarde, começo de noite do dia 17.

Há relatos da altura de que, para chegar ao centro de operações, teve de enfrentar a GNR, que não o queria deixar passar por uma estrada. Quer contar esse momento com detalhe?
É muito simples: cheguei a Figueiró dos Vinhos e preparava-me para passar por uma via. Havia uma contra-indicação, essa contra-indicação era, no fundo, assumida, como lhe competia, pela Guarda Nacional Republicana. Aparentemente, para passar, era preciso ir com dois carros de bombeiros. E todas as viaturas de bombeiros estavam, naturalmente, afetas a missões muito mais importantes. Não se ia libertar um carro de bombeiros por causa do Presidente da República, para o Presidente passar. E, portanto, acabou por se concluir que teria de passar mesmo sem apoio de bombeiros, mas com a GNR à frente. É verdade que havia focos de incêndio de um lado e de outro da estrada.

"É verdade que havia focos de incêndio de um lado e de outro da estrada. Mais longínquos ou menos longínquos, que não eram imediatamente nas bermas. E depois havia o que havia naquela zona que era cabos caídos, que foi preciso remover, árvores que foi preciso afastar."

Passou, literalmente, pelo meio de labaredas?
Mais longínquos ou menos longínquos, que não eram imediatamente nas bermas. E depois havia o que havia naquela zona que era cabos caídos, que foi preciso remover, árvores que foi preciso afastar. Que era o efeito imediato daquilo que se estava a viver, naquela noite de dia 17.

Foi dos momentos mais difíceis que viveu na sua vida, como foi, por exemplo, para a ministra da Administração Interna?
Não direi isso. Foi dos momentos mais singulares. Mais diferentes. Mas agora não estou a comparar [com outros momentos difíceis]. Há situações que são incomparáveis.

Nessa noite disse uma declaração muito criticada: “Que se tinha feito o máximo que se podia ter feito”. Está arrependido dessa declaração?
Nada. Está a ver? Eu primeiro tive o cuidado de começar a frase dizendo: “Com base naquilo que me foi descrito…”. Que é uma precaução que se tem que ter sempre. A pessoa acabou de chegar, ouviu um ponto de situação, não tem o conhecimento cabal. Nem eu tinha, nem aqueles que me descreveram tinham o conhecimento que mais tarde veio a ser tido. Segundo lugar, aquilo que tinha sido possível fazer, tinha sido feito. Com um conjunto de conhecimentos limitados. Por exemplo, naquela altura ignorava-se a extensão do que se tinha passado ali a 10, 20, 30 quilómetros. E, portanto, tinha sido a atuação possível, com os meios possíveis e disponíveis, sabendo o que se sabia e que hoje sabemos: que era pouco. Terceiro, é evidente que tive uma preocupação de estimular a prioridade no combate ao fogo. Havia muita gente a combater o fogo. Além das populações, havia várias entidades que estavam a combater o fogo. Muitas locais e muitas que tinham vindo de fora. E, nesses momentos, é como numa guerra: a pior coisa que se pode fazer é desmotivar, desmobilizar ou começar a fazer debates ou pontos de situação prematuramente quando o combate estava na fase pior e, em muitos casos, ainda iria piorar.

"Nesses momentos de emergência é como numa guerra: a pior coisa que se pode fazer é desmotivar."

Diz que é pouco o que foi feito. Um mês e meio depois já consegue tirar essa conclusão?
Vamos esperar para ver o relatório da comissão designada pelo Parlamento. Porque penso que é com base nela que, sobretudo, podemos avaliar exatamente momento-a-momento ao longo daqueles dias aquilo que porventura se terá passado e a resposta que terá sido dada ao que se passou.

E aí os responsáveis políticos têm de retirar consequências desse relatório?
Eu já disse que a comissão é muito importante para se investigar factos e responsabilidades. Veremos.

Pode ter como consequência que os próprios responsáveis políticos tenham que se afastar dos cargos?
É o que eu disse já. Se se apurar responsabilidades, há responsáveis.

Ministra pode ter de se demitir? "A comissão é muito importante para se investigar factos e responsabilidades. Se se apurar responsabilidades, há responsáveis."

Então na altura achou bem que a ministra não se demitisse?
Tenho mantido a mesma posição desde o início que é: esperar pelo apuramento dos factos. Tenho fugido àquilo que é uma grande tentação: formular conclusões provisórias ou precárias. Vamos esperar.

Quando mais tarde o centro se muda de Pedrógão para Góis, diz que a situação já está mais organizada. Isso sugere que o que encontrou na primeira noite foi o caos?
Em rigor, o que aconteceu foi que a partir do dia seguinte houve uma sofisticação do dispositivo em termos de comando, com vários postos de comando por setores. No início há a noção que são fogos isolados e depois há a noção de que é uma realidade que deve ser tratada em conjunto e que tem áreas diferentes. Para cada área há um posto e o próprio posto de comando de Pedrógão é mudado de localização, mas além dele são acrescentados outros postos que eu visito dois dias depois.

Sentiu que era um pilar de serenidade no meio da confusão? Quando chegou ao pé do secretário de Estado ele estava bastante abatido. A ministra chegou depois, mas também muito mais abatida.
O secretário de Estado chegou não muito tempo antes de mim. Deve ter chegado 40 minutos antes de mim.

Mas é pela experiência de vida que não foi naquele momento mais uma pessoa a chorar no centro de operações?
Cada um tem a sua maneira de viver esses momentos. Eu tenho a minha maneira. Outras pessoas têm outras maneiras. O papel do Presidente é um papel que não é por definição executivo, é representativo. É, se quiser, de proximidade e de partilha com as pessoas, com as comunidades, com as populações. Esse papel é diverso do papel do operacional do executivo que tem de tomar decisões. E que muitas vezes, nem sempre, tem de as tomar mais distanciado das populações.

Marcelo a cumprimentar populares em Góis (JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR)

Quando vai para o local — e é bastante reativo –, há quem o critique por poder prejudicar as operações no terreno. Porque as autoridades, além de preocupadas com o que está a acontecer, têm de estar também preocupadas em proteger o chefe de Estado.
Precisamente, tive a preocupação das vezes em que vim aqui [Pedrógão Grande, Góis e Castanheira de Pera], de mobilizar um número mais pequeno de pessoas. Vim com uma comitiva sucinta. Numa das vezes era o ajudante de campo e eu. Das outras vezes havia, quando muito, mais uma pessoa ou duas. Para não pesar. Para não dispersar. E, por outro lado, sempre com a preocupação de não provocar problemas àquilo que é a ocupação dos autarcas, das forças que estavam no terreno a combater o fogo ou no rescaldo dos incêndios, precisamente para não introduzir um fator de complicação adicional. Foi o mais informal. Tão informal que o grande protesto dos responsáveis da comunicação social foi que não trouxe sequer o fotógrafo da Presidência da República. Portanto, não há registo, a não ser o dos órgãos de informação normais. Não há registo próprio da Presidência daquilo que fiz enquanto cá estive. E repeti isso hoje.

O agradecimento de Pedrógão Grande à solidariedade portuguesa (JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR)

É difícil cumprir o protocolo nestes momentos?
Nisto não há protocolo. Numa situação de emergência daquelas há tudo menos protocolo. O que há é a disponibilidade das pessoas para se moldarem àquilo que é a situação de emergência vivida. Não se trata de uma visita oficial ou protocolar. E por isso tem de perturbar o mínimo possível e trazer consigo o número mais pequeno de pessoas.

Representa os portugueses, mas também responde perante eles e a Constituição. Enquanto chefe de Estado está em condições de garantir que não volta a morrer este número de pessoas numa estrada nacional?
O que se pode garantir com sensatez é que se vai fazer tudo para retirar as lições do que aconteceu e que se vai fazer tudo, desejo e espero, para criar condições em muitos domínios de forma a que se reduzam drasticamente as hipóteses de se verificarem factos que vivemos neste passado recente.

Mas o que lhe queria perguntar é se enquanto figura maior do Estado consegue garantir aos portugueses que o Estado não volta a falhar desta forma?
A minha função é exigir que, realmente, tudo seja apurado em termos de factos e de responsabilidades e que sejam apuradas todas as lições. E que, portanto, seja feito tudo o que estiver ao alcance de todos, do Estado, principalmente, mas dos outros poderes públicos e da própria sociedade civil, para evitar situações trágicas como esta.

"Acabei de receber os diplomas que vieram do Parlamento. E, portanto, vou tomar a decisão sobre eles nos próximos dois/três dias. Mas o que penso que as pessoas têm de perceber é o seguinte: este problema é um problema que numa parte exige medidas legislativas, mas reduzir o problema a leis, por muito importante que sejam, é reduzir a uma parte que está longe de ser o todo."

Defendeu também alguma urgência em legislar. Disse que, se fosse preciso, os deputados não tiravam férias. Também aí houve algumas críticas, com especialistas a alegarem que a reforma da floresta não se faz num mês. Considera que essa pressão que fez foi importante?
Acabei de receber os diplomas que vieram do Parlamento. Vou tomar a decisão sobre eles nos próximos dois/três dias. Mas o que penso que as pessoas têm de perceber é o seguinte: este problema é um problema que numa parte exige medidas legislativas, mas reduzir o problema a leis, por muito importante que sejam as leis, é reduzir a uma parte que está longe de ser o todo. Quer dizer: o todo é mais do que isso. Hoje tivemos o exemplo da iniciativa do Observador. Não tem nada a ver com a lei. É uma iniciativa da sociedade civil. É um projeto de reflorestação. E, portanto, tivemos aqui muitas componentes que vão para além das leis. E, depois, não basta haver leis: é preciso que as leis mostrem no seu confronto com a realidade que são adequadas. E é preciso que sejam cumpridas. É uma característica muito nossa: de ficarmos felizes de elaborarmos leis e ninguém ter a atenção para ver porque é que as leis não são efetivamente aplicadas.

Falou com a oposição e com o líder da oposição. Sensibilizou Passos Coelho de alguma forma para que houvesse um grande consenso?
Tenho apelado a isso.

Mas quando esteve pessoalmente com ele…
Atenção. Não há nenhum líder partidário e — por maioria de razão, aqueles que estão no Governo ou estiveram no Governo, aqueles que têm a noção do que é a responsabilidade de exercer o poder –, que não perceba que se trata de uma prioridade nacional. E isso aplica-se, a meu ver, a todos os líderes partidários.

"Não vou escrever sequer memórias. Não haverá sequer a preocupação que normalmente têm os historiadores que é andarem à procura de apontamentos."

E alguns deles caíram na tentação de fazer aproveitamento político? Houve muitas críticas também nesse sentido… Sobretudo sobre a não divulgação imediata da lista de vítimas…
Perante, precisamente, a dimensão nacional do problema e a necessidade de haver convergência, não é função do Presidente da República estar agora a dividir em vez de estar a unir.

A comunicação com o primeiro-ministro funcionou durante a tragédia?
Há um princípio básico. Acho eu! Um órgão de soberania que tem de se relacionar com outros órgãos de soberania não deve estar a opinar sobre o relacionamento. E, portanto, nesse sentido, não devo opinar sobre o que é, o que não é, o que é falado, o que não é falado.

Não vai escrever um livro de memórias [como o seu antecessor Cavaco Silva]?
Exatamente. Não vou escrever sequer memórias. Não haverá a preocupação que normalmente têm os historiadores que é andarem à procura de apontamentos. Não os há.

Por essa altura — pós-Pedrógão — até houve críticas ao primeiro-ministro por ter tirado férias?
É uma questão sobre a qual não me vou pronunciar.

"Daqui por três anos e sete meses, os portugueses estarão em condições de fazer a avaliação do meu mandato, que é feito de muitos momentos."

Considera que os portugueses fizeram uma boa avaliação da atuação que teve durante estes incêndios? De estar sempre na primeira linha, ser dos primeiros a chegar, acompanhar de perto?
Isso, o próprio é um mau juiz das situações. Tenho dito e repito que daqui por três anos e sete meses os portugueses estarão em condições de fazer a avaliação do meu mandato, que é feito de muitos momentos. Portanto: não momento-a-momento. O próprio é sempre um mau juiz daquilo que faz. E, verdadeiramente, o juiz dos que exercem o poder político, a começar no Presidente da República, é o povo português.

Tem falado com autarcas. Qual o estado de espírito: as coisas estão a correr bem a nível do apoio da administração central?
Estou a acompanhar isso. Vou acompanhar nas próximas semanas. Acho que é prematuro estar a pronunciar-me sobre essa matéria. Posso é dizer o seguinte: eles têm demonstrado compreenderem um apelo que fiz, um apelo a uma trégua eleitoral. E tenho encontrado, pelo menos daquilo que me dizem os diferentes autarcas, a preocupação nestes meses de pensar no problema do rescaldo de uma situação muito trágica e não no ganhar votos. Não na matéria meramente eleitoral. E isso é positivo.

E a nível nacional? Há pouco disse que, no interior, por viverem menos milhões, e valerem menos em termos eleitorais, muitas vezes o interior esquecido. Há uma relação direta entre eleitoralismo e esquecimento do interior?
Muitas vezes, aqueles que vivem mais longe, têm outros problemas, têm outras prioridades e passam para segundo plano aquilo que são as prioridades do chamado interior.

A aldeia de Alvares que na madrugada de dia 17 de julho esteve cercada pelas chamas (JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR)

Tem recebido cartas de familiares ou vítimas. Tem feito o acompanhamento da situação?
Sim. Sim. Recebi as duas autoras das duas cartas que recebi ainda há poucos dias. A primeira recebi-a em conjunto com a comissão das vítimas e a segunda é a porta-voz da associação de vítimas. E, portanto, não só falei com elas primeiro por telefone, como já as conheço. E já falámos não direi longamente, mas já falámos bastante neste encontro, que não é o último. Nem foi o primeiro.

Tem havido algumas queixas da oposição e suspeições de que o dinheiro não está a ser canalizado para as vítimas. Ou, pelo menos, não atempadamente.
Vamos esperar para ver o grau de execução. Neste momento não tenho dados vistos no terreno para poder falar. Quando tiver, aí falarei.

Mas o que correu mal que já se sabe neste mês e meio?
Da minha formação de professor tenho o hábito de achar que é de bom tom não estar a formular conclusões prematuras e, porventura, apressadas sobre uma realidade que vai conhecer as suas conclusões definitivas daqui por um mês, mês e meio, não chega a dois meses.

Disse que voltaria cá, periodicamente, a esta zona. Vai ser o fiscal do povo português?
Não. Vou sobretudo fazer aquilo que prometi, que corresponde a um dever de consciência. Prometi a mim mesmo que cá viria, e de uma forma consistente, ao longo do tempo para acompanhar os factos. É o que vou fazer.

O rasto ainda bem visível do incêndio (JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR)

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Helena Matos
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