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Na Lisboa renascentista cabia o Mundo inteiro

19 Fevereiro 20171.467

Depois de (alguma) polémica, a exposição "A Cidade Global" chega finalmente ao Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa. O diretor, António Filipe Pimentel, fez-nos uma visita guiada.

Todas as histórias têm um início, um meio e o fim. É assim que faz sentido e, com A Cidade Global, a nova exposição do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), em Lisboa, não foi diferente. Tudo começou há muito, muito tempo, numa pequena loja de antiguidades no norte de Londres. Foi aí que, num dia cinzento de abril de 1866, Dante Gabriel Rossetti descobriu o quadro que hoje abre a mostra do museu lisboeta.

Londres tinha então despertado para a pintura espanhola e os grandes mestres espanhóis, como El Greco, Velázquez e Goya, gozavam de grande popularidade entre os apreciadores de arte. Os comerciantes iam tentando lucrar com a “moda” e, nesse dia cinzento, Dante Gabriel Rossetti, poeta, pintor e um dos fundadores da escola Pré-Rafaelita, tinha sido chamado por um antiquário para avaliar um quadro, composto por duas partes, de uma atarefada rua renascentista. Ao olhar para a pintura, Rossetti não soube identificar do que se tratava, mas de uma coisa teve certeza — era ibérico.

Apesar da pouca informação, Rossetti parece ter-se apaixonado pelo retrato. De tal forma, que acabou por comprá-lo. Quando no verão de 1869, alugou uma casa de campo em Kelmscott, em Oxfordshire, com William Morris e a sua mulher, Jane (a musa e amante pré-rafaelita que Dante Rossetti pintou quase obsessivamente), levou-o consigo. E foi aí que ele ficou, perdido para a História, depois de um desgosto de amor, até que Annemarie Jordan Gschwend e Kate Lowe o resgataram do esquecimento.

Imagem cedida por: © Society of Antiquaries of London, Kelmscott Manor

A descoberta da pintura aconteceu em 2009 na mesma mansão de Oxfordshire onde Rossetti o tinha deixado. Ao olharem para as duas telas (acredita-se que o quadro tenha sido dividido em dois no século XIX, antes de chegar às mãos do pintor), as duas investigadoras não tiveram dúvidas: estavam perante a Rua Nova dos Mercadores, o centro comercial lisboeta do século XVI e XVII, que desapareceu com o Terramoto de 1755.

Recorrendo a documentação oficial, testemunhos da época e objetos que sobreviveram até aos dias de hoje, Annemarie Jordan Gschwend e Kate Lowe procuraram reconstruir a história do quadro (pintado, provavelmente, entre 1570 e 1619 e atribuído a um pintor flamengo desconhecido) e de uma Lisboa renascentista, de portas abertas para o mundo e aonde afluíam diferentes culturas. A investigação virou livro (The Global City: On the Streets of Renaissance Lisbon), e o livro exposição. E agora, pela primeira vez, a pintura, atualmente na posse da Kelmscott Manor Collection — Society of Antiquaries of London, vai viajar para fora de Londres para abrir a mostra do MNAA, que foi buscar o nome precisamente ao livro das duas investigadoras.

Imagem cedida por: © Society of Antiquaries of London, Kelmscott Manor

Depois de alguma polémica (a data da inauguração foi adiada três vezes), A Cidade Global: Lisboa no Renascimento abre as portas dia 23 de fevereiro, reunindo quase 300 peças dos vários cantos do mundo que ajudam a contar a história da Lisboa do século XVI, tendo como ponto de partida o quadro de Rossetti. Será ele, aliás, que dará as boas-vindas aos visitantes, ocupando um ponto central no primeiro núcleo da exposição, que está ainda em fase de montagem. E foi assim, por entre caixas de cartão e trabalhadores empoleirados em escadotes, que António Filipe Pimentel, presidente do MNAA, nos guiou por entre as várias salas da mostra, desvendando os mistérios da capital portuguesa que, graças aos Descobrimentos, se tornou na capital de um império. Mas sem direito a espreitar o quadro de Rossetti — esse só chegará a Lisboa no dia 21.

À terceira é de vez

Quando A Cidade Global foi anunciada, a inauguração foi marcada para 24 novembro. Porém, cerca de uma semana antes, foi adiada para janeiro. De janeiro passou para fevereiro, tudo por “questões administrativas”. Na altura do primeiro adiamento, o diretor-adjunto José Alberto Seabra Carvalho, recordou à Agência Lusa que o MNAA “não tem orçamento próprio para exposições” nem “autonomia administrativa” e que, portanto, o que costuma fazer “é enviar o plano de atividades para a Direção-Geral do Património Cultural”. Quando questionámos o diretor do museu, a resposta não foi muito diferente.

“É muito complicado montar uma máquina como esta no quadro administrativo em que trabalhamos”, explicou ao Observador António Filipe Pimentel. “Por um lado, tem o processo extraordinariamente complicado dos contactos e cedências de todas as peças, além de todo o trabalho que existe por trás até se chegar a saber que peças é que se quer. Depois, temos o trabalho de negociação e diálogo com cada emprestador, o procedimento de coordenar tudo e depois de iniciar um procedimento administrativo com uma máquina que não é feita para isto. Assim sendo, evidentemente que há um lado em que as coisas perdem o pé.”

"Temos de trabalhar com orçamentos anuais que estão dependentes de uma outra estrutura que é por seu turno uma mega estrutura em que nós somos apenas um entre milhares de processos."
António Filipe Pimentel, diretor do Museu Nacional de Arte Antiga

Admitindo que os atrasos irão continuar a acontecer, Pimentel fez questão de salientar o tempo que é preciso investir na organização e montagem de uma exposição como A Cidade Global. “Leva pelo menos dois anos de trabalho e, entretanto, temos de trabalhar com orçamentos anuais que estão dependentes de uma outra estrutura que é por seu turno uma mega estrutura em que nós somos apenas um entre milhares de processos”, disse referindo-se à Direção-Geral do Património, organismo que tutela os museus portugueses.

“Isso gera entropias, faz tropeçar processos. Isto tudo somado, dá este fatal desencontro e a única maneira de o ultrapassar é dotar este museu com os instrumentos com que os museus têm de trabalhar e que são outros. Como têm os teatros nacionais, que têm de por as peças em cena na altura certa”, afirmou, acrescentando que todos os organismos responsáveis, Ministério da Cultura incluído, estão a trabalhar conjuntamente procurando alterar o panorama atual. “Às vezes é preciso ter uma lição para colher depois os frutos.”

O mundo todo na Rua Nova dos Mercadores

Meticulosamente organizados, como pequenas formigas, os funcionários do museu iam colocando as centenas de peças no seu devido lugar. O trabalho fazia-se a bom ritmo, mas num silêncio quase total. De vez em quando ouvia-se uma voz a ecoar, o som de um escadote a abrir, pouco mais do que isso. Havia caixas espalhadas pelo chão e muitas das paredes ainda estão vazias. Um número elevado de peças só chegará mais em cima da data de abertura, 23 de fevereiro, mas espera-se que por essa altura já só falte mesmo limpar o pó dos expositores.

“Uma exposição é uma operação muito complicada porque é meticulosamente preparada”, explicou António Filipe Pimentel. “São cerca de 280 peças, 80 prestadores e só quando a exposição começa a ser feita é que se tomam as últimas decisões, o que pode significar, por exemplo, mudar peças de sítio.”

Na primeira sala da exposição, foi exposto um quadro com uma vista da Praça do Rossio

A entrada para a exposição temporária faz-se pela porta lateral do museu, na Rua das Janelas Verdes. A primeira sala, do lado esquerdo de quem entra, apresenta aos visitantes essa Rua Nova dos Mercadores, desaparecida com o Terramoto de 1755. É na larga divisão que vão ficar “os quadros de Londres”, pendurados numa alta parede preta que contrasta com o branco do teto do antigo palácio do Conde de Alvor. Na parede oposta, vai ser projetado um filme, que está ainda a ser terminado em Barcelona, que conta a história do quadro da Rua Nova dos Mercadores — a sua viagem desde o pequeno antiquário londrino até às mãos das curadoras Annemarie Jordan Gschwend e Kate Lowe.

O quadro só vai chegar às instalações do MNAA durante a próxima semana mas, na sala, já é possível ver um bocadinho dessa antiga rua lisboeta. Dentro de uma vitrina, encontramos um pequeno livro com uma vista da Rua Nova dos Mercadores, com o cortejo fúnebre do Rei D. Manuel I. Numa das paredes, estava já pendurado um quadro da Praça do Rossio — da autoria de um mestre português desconhecido –, realizado provavelmente entre 1750 e 1800. O Rossio era a segunda maior praça da cidade e ficava junto à Rua Nova dos Mercadores. Era igualmente aí que ficava o maior hospital da capital, o Hospital Real de Todos-os-Santos, que surge também retratado na pintura.

"Esta não é mais uma exposição sobre o período dos Descobrimentos — esta é a exposição que faltava fazer."
António Filipe Pimentel, diretor do Museu Nacional de Arte Antiga

Para o diretor do MNAA, esta primeira sala “é a chave interpretativa da exposição” porque “permite compreender como é que era a cidade, viajar até essa Lisboa destruída pelo Terramoto e até essa rua” que, no século XVI, passou a significar uma nova Lisboa, de portas abertas para o mundo. Graças ao impacto dos Descobrimentos, Lisboa deixou de ser uma “cidade europeia de média escala, capital de um país periférico”, para se transformar numa verdadeira “metrópole”.

“Cresce demograficamente, em área física e novos edifícios, mas sobretudo num multiculturalismo que reflete quer as pessoas que vivem na cidade, quer os artefactos e produtos que nela se entrecruzam — desde as loiças, as obras de arte, as joias, até aos animais e aos livros científicos. E, evidentemente, as pessoas de vários continentes”, afirmou António Filipe Pimentel. “É tudo isso, dessa Lisboa, que nós encontramos aqui.”

A ligação entre este primeiro núcleo e a restante exposição faz-se pelo corredor exterior do museu, que foi decorado com uma reprodução de um pormenor do quadro de Rossetti que mostra a movimentada Rua Nova dos Mercadores. É como se, a partir daquela primeira sala, entrássemos dentro da pintura e nos fosse apresentada essa Lisboa há muito desaparecida. “Faz parte de um percurso ontológico que nos conduz depois às outras salas”, salientou o diretor do MNAA. “A partir daqui, a exposição como que forma um anel que, no fim, estou convencido, vai dar imensa vontade às pessoas de voltarem a visitar a exposição a partir do princípio.”

As seis salas da Cidade Global foram divididas por temas que, em determinados momentos, são entrecortados por recriações, sóbrias, da Lisboa de então — uma loja de porcelanas, a casa de um comerciante. O segundo espaço, no entanto, é dedicado às “Novas novidades” e ao conhecimento científico. É aí que serão expostos alguns livros e instrumentos científicos, mapas, com o objetivo de mostrar como é que a “aventura dos Descobrimentos” permitiu consolidar e aprofundar o conhecimento existente, que vinha da Antiguidade, e mudar a forma como os europeus viam e encaravam o mundo que os rodeava.

Esta está intimamente ligada com a segunda sala, dedicada ao continente africano. “De África” apresenta alguns dos produtos importados pelos portugueses e que, depois da chegada a África, passaram a fazer parte do seu dia-a-dia. “Os artefactos, que começam por ser produtos de luxo e de prestígio, começam a ser incorporados pela sua raridade na nossa melhor pintura.” Exemplo disso são dois quadros que já se encontravam expostos nas paredes do MNAA e que têm exatamente o mesmo título — Anunciação. Nos dois casos, em vez de tapetes persas, pintores decidiram incorporar tapetes de esteira de África, um sinal claro da popularidade de que estes gozaram então. De tal forma, que na legenda de um conjunto de têxteis de ráfia (fibra de Palmeira), que vieram de propósito de Roma para a exposição, é referido que, na altura do Renascimento, estes eram “tão apreciados quanto o veludo”.

Durante o Renascimento, os tapetes africanos tornaram-se tão populares quanto o veludo

Mas não foram apenas os produtos que passaram a fazer parte da arte portuguesa — os próprios africanos começaram a surgir na pintura que era então feita em Portugal. Em O Casamento de Santa Úrsula com o Príncipe Conan, por exemplo, surge um grupo de seis músicos negros, “exemplo dos talentosos músicos africanos da corte” portuguesa. Uma outra pintura, da Coleção Berardo e que ainda não chegou ao MNAA, mostra uma vista da Rua Nova dos Mercadores onde é possível distinguir um negro a cavalo, vestido com um hábito das ordens militares. “O que escandalizava imenso os europeus”, salientou o diretor António Filipe Pimentel. “Como é que um negro, que era considerado a base da sociedade, podia ser nobilitado? Só que nós recebíamos príncipes negros como se fossem príncipes europeus.”

Além de exemplos de arte portuguesa do século XVI, “De África” mostrará também representações dos portugueses feitas pelos povos africanos, dentes de marfim esculpidos e pequenas estátuas. “É a descoberta de África, por um lado, mas é também mais do que isso — é também como África nos via”, disse António Filipe Pimentel. E essa é uma das características que distingue a nova exposição do Museu de Arte Antiga de todas as outras que já foram feitas sobre os Descobrimentos portugueses.

“Esta exposição tem um lado extraordinariamente sedutor e único”, explicou o diretor. “Esta não é mais uma exposição sobre o período dos Descobrimentos — esta é a exposição que faltava fazer”, afirmou ainda, acrescentando que A Cidade Global não procura apenas olhar para o que os portugueses fizeram por eles, “mas olhar para nós e para o que os outros fizeram por nós”. “E como nós, com os outros, nos modificamos e nos tornamos outros. E, de algum modo, esses outros somos nós hoje — com o nosso multiculturalismo. Temos os nossos defeitos e qualidades, mas temos de facto este modo de absorver com facilidade os outros e de sermos absorvidos pelos outros. A nossa emigração integra-se com facilidade exatamente por isso — porque somos, desde sempre, permeáveis.”

Num momento em que “o país está a sofrer um novo impacto de permeabilidade que nos está a ajudar economicamente” e em que o mundo, por outro lado, “está a ter rebates de impermeabilidade”, o diretor do MNAA considera ser importante mostrar um “momento longo, mas relativamente breve num país com quase 900 anos” de história que mostra que foi nos momentos em que o país abriu as suas portas que se tornou maior. “Fomos maiores quando fomos permeáveis. Quando as circunstâncias, não só nossas mas também do mundo exterior, nos pressionaram a fechar-nos e a isolar-nos, até ideológica e culturalmente, empobrecemos e ficámos mais pequenos. É, no fundo, a lição que de aqui se tira.”

A passagem marítima para a Índia (e Oriente)

Depois de África, vem a Índia e a China — países de onde era importado um grande número de peças que se vendiam na Rua Nova dos Mercadores. E é quando começamos a entrar no mundo das porcelanas chinesas, que surge a primeira reconstrução da exposição. “Com a devida cautela”, claro. Num recanto do museu, em cima de uma mesa retangular, foram dispostas várias porcelanas da China que serão usadas para construir “uma espécie de loja”. As peças vieram todas de fora porque, apesar de o MNAA ter uma coleção própria de loiça, a ideia era mostrar algo novo, que os visitantes nunca tinham visto.

"As pessoas estão a entrar na sociedade de consumo e a deixar a monotonia medieval em tudo — na alimentação, na apresentação e, evidentemente, no adereço quer da casa quer deles próprios.”
António Filipe Pimentel, diretor do Museu Nacional de Arte Antiga

A porcelana chinesa foi, para a Lisboa renascentista, “um absoluto rasgar de cortina”. “Nunca loiça tão fina, tão brilhante, tão resistente, tão maravilhosa tinha entrado nos territórios da Europa. A cobiça foi enorme”, explicou António Filipe Pimentel. “Houve uma importação em massa de porcelana da China e as lojas encheram-se de porcelana até ao cimo.” Mas “não como a Vista Alegre do Chiado”, brincou o diretor. Eram verdadeiras pilhas de loiça que a equipa do museu tentará imitar utilizando, para isso, um teto curvado.

A seguir às porcelanas, foram dispostas as filigranas, os embutidos, as peças de marfim e os têxteis orientais, ricamente ornamentados. Tudo o que podia ser comprado durante um passeio à Rua Nova dos Mercadores. “Os têxteis era uma das importações mais massivas do oriente. Revolucionaram completamente a aparência das pessoas”, contou António Filipe Pimentel. “As pessoas estão a entrar na sociedade de consumo e a deixar a monotonia medieval em tudo — na alimentação, na apresentação e, evidentemente, no adereço quer da casa quer deles próprios.”

Mas o mais impressionante ficou para o fim — os produtos mais sofisticados e reservados, como as joias, as pratas, os cristais de rocha, os embutidos de madrepérola e as peças feitas de corno de rinoceronte. Produtos que se vendiam na rua lisboeta e que, mais tarde, passaram a ser comercializados no palácio real, no chamado Pátio da Capela, que “era uma espécie de centro comercial dos produtos de luxo”, como explicou o diretor. Era aí que se podia encontrar “tudo o que era mais sofisticado e mais caro”. “Isso é uma característica muito ibérica — tanto em Portugal como em Espanha, os pátios reais eram de livre acesso. A sociedade entrava e saía, e daí a existência deste comércio.”

O penúltimo módulo da exposição é dedicado aos animais de outros mundos, que chegaram à Europa graças à expansão marítima. A peça central é um rinoceronte negro africano, taxidermizado nos anos 50 em Londres, mas haverá outros animais e ainda quadros que virão de propósito do Museu do Prado, um dos mais importantes museus espanhóis, que mostrarão como os animais exóticos começaram a ser incorporados na pintura pelos artistas renascentistas. “A certa altura aparece um cão à bulha com um peru ou com uma ave”, disse o diretor.

A maior peça da exposição é um rinoceronte africano, taxidermizado nos anos 50 em Londres

De frente para o rinoceronte, numa vitrina vertical, foi colocada uma cruz feita a partir de um corno de um unicórnio (aliás, de um nerval), ao qual os bestiários medievais atribuíam poderes curativos, purificadores e mágicos. Feita em Inglaterra em 1664, a cruz processional (que contém uma relíquia do santo Thomas Becket) foi trazida para Portugal pela rainha D. Catarina, filha de D. João IV, depois da morte do marido, o rei Carlos de Inglaterra.

A exposição termina dentro de casa, mais precisamente dentro da casa de Simão de Melo, um comerciante da Rua Nova dos Mercadores. Tudo graças à Inquisição, que fez o inventário da casa de Melo, um homem da media-alta burguesia de então, “que serve de paradigma para o que era o recheio típico de uma casa de mercador daquela época”. “Ou seja: a Rua Nova dos Mercadores é feita para uma sociedade nova, de que ele era o paradigma”, explicou António Filipe Pimentel, que também nos guiou por esta última sala, já com algumas peças em exposição. Estas não são, claro está, as que o comerciante tinha em sua casa, mas são muito próximas às que ele teria.

No final do núcleo dedicado a Simão de Melo, haverá igualmente um vídeo, que mostrará a casa onde o mercador vivia, e um inventário dos seus bens mais preciosos, como um cofre de tartaruga, pedras preciosas e joias de ouro. Junto aos anéis de ouro que poderiam ter sido de Simão de Melo, fica a porta que dá acesso ao hall do MNAA. Passando do interior para o exterior, A Cidade Global termina como começa: entre a azáfama da Rua Nova dos Mercadores. “Acho que uma exposição é como um livro — pode começar de um lado ou do outro. Mas o melhor é mesmo lê-lo duas vezes se o livro é bom“, disse o diretor entre risos, enquanto abria a porta pesada. “Quando saio, saio com o sentimento que sai para a rua e que estou na cidade.”

A exposição A Cidade Global será inaugurada na quinta-feira, 23 de fevereiro, às 18h30. Pode ser visitada de terça a domingo, entre as 10h e as 18h. Os bilhetes (que dão acesso a todas as exposições do MNAA) custam 6 euros.

Texto de Rita Cipriano, fotografia de Henrique Casinhas.
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