Não gaste já. Cinco destinos alternativos para o seu subsídio de férias

13 Julho 2017

Se não precisa do subsídio de férias para pagar a próxima pausa anual, aplique a soma na melhoria das suas finanças pessoais. Desde a amortização de créditos onerosos até à preparação da reforma.

Quem adianta o pagamento das férias não só consegue reduzir a despesa — os custos tendem a ser mais baixos quando se paga antecipadamente — mas também fica com uma folga orçamental quando recebe o subsídio de férias. Se não planeia consumir o subsídio de férias na sua próxima pausa anual — em parte ou na totalidade —, temos cinco ideias para o destino a dar a esse dinheiro.

Amortizar o crédito é o melhor negócio

A par de investir em câmbios, os créditos que não se destinam à compra de habitação estão entre os piores negócios que se podem fazer nas finanças pessoais. A lista inclui a dívida do cartão de crédito (quando ultrapassa o período livre de juros), do crédito pessoal, do crédito automóvel e o descoberto bancário.

Se contratou um crédito ao consumo nos últimos dois anos, pode estar a pagar uma taxa de juro até 19%. Amortizar o saldo com o subsídio de férias é um dos melhores negócios que pode fazer. A elevada taxa de juro conduz muitas vezes a falhas nos pagamentos, o que encarece ainda mais as dívidas. Uma em cada sete famílias com créditos ao consumo está em incumprimento, segundo o Banco de Portugal.

Amortizar o crédito fornece uma folga às famílias. Por exemplo, abater 1.000 euros num crédito automóvel de 25 mil euros a cinco anos contratado em 2015 reduz a prestação mensal do carro de 540 euros para 518 euros. A diferença pode parecer pouca, mas a família fica 22 euros mais longe de faltar aos seus compromissos mensais.

Arrancar com o pé-de-meia de aposentação

Poupar para o longo prazo, em particular para a aposentação, deve ser uma das maiores preocupações financeiras dos portugueses. O montante do subsídio de férias é o ideal para começar ou reforçar essa poupança.

O leque de soluções de aforro é vasto, mas os investidores de longo prazo devem concentrar o seu património na bolsa: os rendimentos tendem a ser mais elevados do que noutras aplicações. Elroy Dimson, Paul Marsh e Mike Staunton, investigadores da London Business School, calculam que as bolsas mundiais renderam 5,1% acima da inflação desde o ano de 1900.

Se tem pouca experiência bolsista, um fundo como o HSBC GIF Economic Scale Index Global Equity AC, comercializado pelo Banco Best, é a melhor opção: investe numa carteira diversificada de cerca de 1.600 ações espalhadas por todo o mundo. Este produto está entre os mais baratos: a taxa de encargos correntes soma anualmente 0,95% dos ativos investidos. (O BiG tem outra versão deste fundo, o HSBC GIF Economic Scale Index Global Equity EC, que é mais caro: a taxa é de 1,25%.)

O fundo do HSBC, um dos que recomendámos aos investidores para investir em 2017, exige 1.000 dólares norte-americanos na primeira aplicação no Banco Best, o equivalente a cerca de 880 euros, pouco mais do que a média do subsídio de férias em Portugal. As aplicações seguintes podem ser satisfeitas com cerca de 33 euros.

Reduzir o prazo do crédito à habitação

Assim como nos créditos ao consumo, é uma boa ideia amortizar o empréstimo para a compra da casa, mesmo quando as taxas de juro estão em mínimos. No entanto, a estratégia pode ser adaptada para reduzir a duração da dívida.

Abater 1.000 euros num crédito de 60 mil euros que ainda tenha 15 anos para o vencimento corta a prestação mensal de cerca de 362 euros para 356 euros à taxa de juro de 1,1%, que é a taxa média dos créditos à habitação em Portugal, segundo os últimos números do Banco de Portugal. Porém, se o devedor solicitar ao banco a antecipação simultânea da data de vencimento do empréstimo, então a amortização permite cortar em cinco meses o prazo do financiamento, mantendo a prestação perto de 365 euros.

Se, todos os anos, a família aplicar um subsídio de férias num montante de 1.000 euros na amortização e redução do prazo do crédito hipotecário, então consegue saldar a sua dívida em menos três anos com o mesmo esforço mensal. Além disso, poupa 1.136 euros em juros, mais do que o equivalente a um subsídio de férias.

Os bancos podem cobrar nas amortizações antecipadas de créditos: até 0,5% se o crédito for de taxa indexada ou até 2% se for de taxa fixa.

Preparar-se com um fundo de emergência

Um fundo de emergência é uma poupança que está sempre pronta para socorrer em caso de necessidade financeira. Se o automóvel necessitar de fazer uma visita imprevista à oficina, se surgirem despesas médicas súbitas ou se precisar de fazer reparações urgentes na habitação, o fundo de emergência pode ser chamado a intervir.

Como o dinheiro deve estar sempre pronto a remediar alguma situação, os produtos de baixo risco são os candidatos naturais para o fundo de emergência. Todavia, entre os instrumentos que recomendámos recentemente para combater a inflação, os Certificados do Tesouro Poupança Mais devem ser descartados: como não podem ser movimentados durante o primeiro ano, não cumprem o princípio de salvaguarda financeira a qualquer momento.

Neste momento, os depósitos a prazo são as aplicações certas para o fundo de emergência. Escolha o que mais rende, desde que possa ser movimentado livremente em qualquer altura. Embora as taxas de juro do mercado monetário estejam agora negativas, há vários bancos que pagam mais de 1% por ano, mas poucos oferecem soluções a um ou mais anos.

O Banco Invest, através do depósito Invest Choice Novos Depósitos, oferece uma taxa anual nominal bruta de 1,75% para uma aplicação de um ano. Todavia, o montante mínimo de 2.000 euros pode afastar alguns subsídios. O BNI Europa 5 Anos na opção com possibilidade de mobilização antecipada, disponível do Banco BNI Europa, exige 1.000 euros e remunera a uma taxa de 1,61%. Há, todavia, outros depósitos generosos para aplicações mais reduzidas, como se pode ver no quadro em baixo.

Melhores depósitos prazo para quem tem menos de 1.000 euros
Estes são os depósitos a prazo simples em euros que exigem menos de 1.000 euros, pagam taxas superiores a 0,50% e permitem a mobilização antecipada dos capitais aplicados.
Banco Depósito Taxa anual nominal bruta Prazo Montante mínimo
BiG Super Depósito 3 Meses 2,00% 3 meses 500€
Atlântico Europa DP Valor Crescente 1,25%* 720 dias 500€
BiG Super Depósito 6 Meses 1,25% 6 meses 500€
Caixa Económica da Misericórdia de Angra do Heroísmo Depósito a Prazo CEM 0,85% >1 ano 250€
Caixa Económica da Misericórdia de Angra do Heroísmo Depósito a Prazo CEM 0,75% 181 a 365 dias 250€
Atlântico Europa DP Atlântico 12 Meses 0,65% 360 dias 500€
Crédito Agrícola Poupança Cristas 0,60% 10 anos 10€
Crédito Agrícola Poupança Cristas 0,55% 7 anos 10€
Crédito Agrícola dos Açores Depósito a Prazo CCAMA Online 0,55% 365 dias 500€
Novo Banco DP NB 18 Meses Taxa Crescente 0,53%* 540 dias 500€
Fonte: bancos a 5 de julho de 2017. *TANB média.

Pagar as férias do próximo ano

Se acredita que o dinheiro do subsídio deve servir exatamente para pagar as férias, então guarde-o para saldar as despesas do descanso do próximo ano. Vários estudos indicam que pagar as férias com uma antecedência de seis meses permite minimizar os custos de veraneante. Por isso, aplique o subsídio de férias num depósito a prazo a seis meses: o início de 2018 será uma boa altura para fazer as suas reservas de viagens.

O quadro anterior mostra-lhe alguns dos melhores depósitos a prazo a seis meses. O Super Depósito 6 Meses, do BiG, paga uma taxa anual nominal bruta de 1,25% para aplicações a partir de 500 euros. Na Caixa Económica da Misericórdia de Angra do Heroísmo bastam 250 euros para constituir o Depósito a Prazo CEM a 181 dias, que remunera a uma taxa de 0,75%. Além desses, o Banco Invest tem uma taxa de 1,75% no Invest Choices Novos Depósitos a 183 dias, mas o montante mínimo é de 2.000 euros.

Qualquer que seja o depósito que eleger, não conte com muitos juros: 1.000 euros aplicados no Super Depósito 6 Meses rendem 4,60 euros no início de 2018.

David Almas é analista financeiro independente registado na CMVM com o número oito. O autor trabalha subordinado ao Código Deontológico dos Jornalistas.

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