Os livros que podem curar doenças

23 Julho 2016140

Ella Berthoud e Susan Elderkin sugerem livros para tratar os mais variados padecimentos que afligem as nossas vidas, mas há legítimas suspeitas de que não possuem habilitações para passar receitas

Em O consolo da filosofia (publicado originalmente em 2000 e editado em Portugal pela D. Quixote), Alain de Botton recorreu a filósofos célebres para dar resposta a problemas prosaicos que podem afligir qualquer um: Sócrates para a falta de popularidade (um padecimento que se reveste de maior gravidade na era do Facebook do que na Grécia Clássica), Epicuro para a falta de dinheiro (assunto intemporal, com ou sem políticas de austeridade), Séneca para a frustração, Montaigne para a “inadequação” (a palavra inglesa “inadequacy” é de difícil tradução e pode ser entendida como a incapacidade para enfrentar situações ou a vida em geral), Schopenhauer para os desgostos amorosos ou Nietzsche para enfrentar dificuldades.

O livro está elaborado com sageza e humor e a filosofia não é abastardada por aproximar-se do comum dos mortais e dos seus comezinhos problemas e ao ser vertida em linguagem clara e acessível – o que não impediu que Botton fosse rotulado, pejorativamente, de “filósofo pop”, por ter retirado a filosofia da sua torre de marfim e da sua teia de elucubrações abstrusas e de lhe ter devolvido a sua função primordial de dar resposta às indagações fulcrais da existência: como viver uma vida boa e justa? Como encontrar nela um sentido?

Em Remédios literários: Livros para salvar a sua vida, de A a Z (Quetzal), Ella Berthoud e Susan Elderkin, ensaiam abordagem análoga, recorrendo não à filosofia mas à literatura.

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O que vem a ser isso da literatura?

Para Berthoud & Elderkin, literatura não inclui poesia nem ensaio ou memórias ou alguma forma de não-ficção. Mesmo na ficção, não há lugar para contos – só para romances. E entre estes é evidente uma preferência por obras de autores anglo-saxónicos.

À sobre-representação anglo-saxónica tem contrapartida no menosprezo pelos países mediterrânicos: França está representada pelos “clássicos” Honoré de Balzac, Alexandre Dumas, Gustave Flaubert, Victor Hugo, Émile Zola e vários autores de renome do século XX – Simone de Beauvoir, Jean Cocteau, Albert Camus, Marguerite Duras, Louis-Ferdinand Céline, Georges Perec – mas a única obra de um autor mais recente é Todas as manhãs do mundo, de Pascal Quignard – provavelmente porque foi alvo de uma adaptação ao cinema. Espanha resume-se nos clássicos O Lazarilho de Tormes e D. Quixote e nas obras mais recentes Coração tão branco, de Javier Marías, e A sombra do vento, de Carlos Ruiz Zafón. A Itália é igualmente maltratada e a única obra de um autor recente é Eu não tenho medo, de Nicoló Ammaniti, que foi adaptada ao cinema. Da Grécia apenas se receita Zorba, o grego, de Nikos Kazantzakis – ou seja, mais um livro que deu um filme célebre (a prevalência de “livros que deram filmes de sucesso” nas escolhas das autoras é notória, como se a literatura fosse um parente pobre do cinema e necessitasse da “aprovação” dos resultados de bilheteira).

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O Cinto Eléctrico do Dr. McLaughlin prometia cura para “dores e doenças nervosas”, através do “grande remédio do nosso tempo”: a electricidade

Todo o Norte de África e Próximo Oriente (com excepção de Israel) é um vasto e inóspito deserto e a Rússia depois de Dostoievsky e Tolstoy, que são terapia para maleitas diversas, é uma estepe ressequida, onde só há lugar para Mikhail Bulgakov, Yevgeny Zamiatin e Stanislaw Lem. A restante literatura eslava são três livros de Milan Kundera e o Breviário Mediterrânico de Predrag Matvejević (um dos raros livros escolhidos que não é um romance).

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O Wizard Oil prometia curar o reumatismo e também “a neuralgia, a dor de dentes, a dor de cabeça, a difteria, a garganta inflamada, as dores nas costas, as entorses, as pisaduras, os calos, as cãibras, a cólica, a diarreia e todo o tipo de dores e inflamações”

Do Brasil apenas se menciona, en passant, Machado de Assis, e a América hispanófona resume-se a Gabriel García Márquez e Mario Vargas Llosa, a que soma o neo-realismo de pacotilha de Isabel Allende e Laura Esquivel e o sobrevalorizado A Terra do Fogo, de Francisco Coloane. Roberto Bolaño também aparece, mas suspeita-se que é só porque nos últimos anos nasceu um formidável hype em torno dele no mundo anglo-saxónico.

Embora em Portugal se edite apenas uma pequena fracção do que se publica pelo mundo fora, não só quase todas as obras “receitadas” por Berthoud & Elderkin estão disponíveis em português como são, frequentemente, a única das muitas obras do autor que cá foi editada, o que sugere que as receitas de Berthoud & Elderkin foram meticulosamente ajustadas à nossa realidade editorial.

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“O charlatão”, por Jan Steen, c. 1650-60

A excepção portuguesa

Face ao enviesamento em favor da literatura anglo-saxónica, a literatura portuguesa sai-se bem, o que pode significar que 1) as autoras nutrem uma paixão assolapada por escritores portugueses, ou que 2) acrescentaram autores portugueses expressamente para a edição portuguesa, ou ainda que 3) o editor português fez isso por elas.

Por Portugal alinham os clássicos Peregrinação, de Fernão Mendes Pinto, Os fidalgos da casa mourisca, de Júlio Dinis, Os Maias e A cidade e as serras, de Eça de Queiroz, e O livro do desassossego, de Fernando Pessoa, e obras de autores consagrados mais recentes: Prazer e glória, de Agustina Bessa-Luís, Um amor feliz, de David Mourão-Ferreira, Mau tempo no canal, de Vitorino Nemésio, Balada da praia dos cães, de José Cardoso Pires, e Ensaio sobre a cegueira e Caim, de José Saramago. Há ainda representação indirecta em dois livros passados em Portugal e escritos por dois estrangeiros que viveram em Portugal: Afirma Pereira, do italiano Antonio Tabucchi e Atrás dos montes, do holandês Gerrit Komrij.

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Metcalf’s Coca Wine, um preparado de “folhas frescas de coca e o mais puro vinho”, “um tónico agradável e revigorante”, recomendado para “a fadiga da mente e do corpo” e para a “neuralgia, sonolência, prostração, etc.”

A presença de Mia Couto (com A varanda do frangipani) e de José Eduardo Agualusa (A Rainha Ginga) poderá justificar-se pelo reconhecimento obtido no mundo anglo-saxónico (ambos foram nomeados para o Man Booker Prize, Couto em 2015 e Agualusa em 2016). Mais difícil de explicar é a presença de Manuel Jorge Marmelo (Somos todos um bocado ciganos), a não ser que seja por Somos todos um bocado ciganos ser editado pela Quetzal, que é também a editora de Remédios literários.

Tão intrigante como a omissão de António Lobo Antunes, o mais prestigiado e traduzido dos escritores portugueses depois de Saramago, é o facto de, deste último, não se recomendarem as suas obras-primas – O memorial do convento, O ano da morte de Ricardo Reis ou Levantado do chão – mas a desajeitada fábula distópica Ensaio sobre a cegueira e o esquemático e maçadoramente demonstrativo Caim.

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“O charlatão”, por Pietro Longhi, 1757

Erros de diagnóstico e posologias equívocas

Quando se vê Bartleby, o escrivão, de Herman Melville, receitado para casos de “pouca ambição”, só pode ficar-se perplexo. O caso do sorumbático Bartleby nada tem a ver com falta de ambição mas com anomia, solidão e incapacidade de comunicação (não nos esqueçamos que o emprego de Bartleby, antes de se empregar na firma do narrador em Wall Street, foi num depósito de refugos postais). Mesmo a “revolta” de Bartleby nada tem de afirmativo ou libertador: ele limita-se a dizer que “prefere não fazer” algumas das tarefas que lhe são destinadas. Na raiz deste seu bizarro comportamento não está o pouco interesse em progredir na carreira – nada indica que Bartleby conceba a sua vida e o seu emprego como uma “carreira” – mas a crença de que tudo é vão e que o trabalho que faz é, basicamente, absurdo (ainda que o execute com diligência mecânica).

Não fosse o enviesamento anglo-saxónico de Berthoud & Elderkin e a entrada “estar falido” incluiria não só O grande Gatsby, de Scott Fitzgerald, e Dinheiro, de Martin Amis, como o egípcio Albert Cossery (1913-2008), que escreveu quase exclusivamente sobre mendigos, marginais, vadios e loucos que levam vidas felizes de ócio, despreocupação, desprendimento pelas coisas materiais e desprezo pelas vaidades mundanas.

Recomendar a Peregrinação de Fernão Mendes Pinto como um dos “melhores romances para tratar os xenófobos” é um duplo equívoco: por um lado porque, apesar de alguma fantasia e empolamento (indissociáveis da “literatura de viagens” de tempos mais remotos), é menos um romance do que um relato autobiográfico; por outro porque, como seria expectável num europeu do século XVI, Fernão Mendes Pinto assume o pressuposto da superioridade dos portugueses e do seu direito a um quinhão das riquezas da Ásia e não é um profeta da tolerância e do multiculturalismo (ainda que, por vezes, se mostre horrorizado com a excessiva ganância e crueldade de alguns dos seus compatriotas).

Recomendar Afirma Pereira, de Tabucchi, para casos de “obesidade” e Ensaio sobre a cegueira para “medo do compromisso” é indício de que se falhou redondamente a compreensão dos livros.

Nem sempre o problema está no desacerto entre a maleita e o tratamento, é que a maleita seja tão descabida que dá ideia de que as autoras se esqueceram do conceito que preside ao livro. É o caso da entrada “loiça partida”, completamente deslocada do contexto do livro.

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“O charlatão”, por Gerrit Dou, 1652

Medicamentos de venda livre

Além das “terapias” para cada “maleita” ou “problema”, em que cada livro é alvo de um breve comentário, há listas que se limitam a alinhar títulos sem oferecer justificações para a sua inclusão. Estas parecem ser estritamente arbitrárias, já que não se vislumbra razão para que Middlesex, de Jeffrey Eugenides, ou 2666, de Roberto Bolaño, sejam mais recomendáveis como leitura aos “trinta e tal anos” do que noutra idade qualquer; para que todos os títulos da lista “os melhores romances depois de um pesadelo” aludam a rios; para que Um espião perfeito, de John Le Carré, seja um dos “melhores romances para quando estamos trancados na rua” (mesmo supondo que ficar “trancado na rua” é um evento frequente e que é propício à leitura de romances); ou para que A idade da inocência, de Edith Warton, seja um dos “melhores romances para quando temos uma constipação”.

Não há nenhuma entrada para “obstipação”, mas ficamos a saber que As cidades invisíveis, de Italo Calvino, e Diário de um mau ano, de J.M. Coetzee, merecem ser incluídos entre os “melhores romances para ler na sanita”. Já descobrir que As ondas, de Virginia Woolf, está entre “os melhores romances para baixar a tensão arterial”, pode causar a subida brusca da tensão arterial a quem tenha genuíno apreço por Woolf.

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“The inspection”, terceiro quadro da série satírica “Marriage-à-la mode”, de William Hogarth, 1743: um nobre (à direita), infectado com sífilis, consulta um charlatão (à esquerda), ele próprio padecendo da mesma doença; o consultório está atulhado com boiões de unguentos, frascos com elixires, esqueletos, corpos embalsamados (incluindo um crocodilo, suspenso do tecto), bricabraque com poderes curativos e mecanismos ortopédicos que mais parecem instrumentos de tortura(no chão, à direita)

Placebos, elixires e banha-de-cobra

Berthoud & Elderkin têm um pueril entendimento da literatura, que resume todo o valor de um romance ao seu conteúdo – o enredo – e ignora quase completamente a forma, como se a literatura não passasse de um artificioso encadeamento de eventos. É por isso que os seus “comentários” aos livros costumam ficar-se por uma sinopse da acção, geralmente num tom frívolo, superficial e que quer desesperadamente ser divertido.

Não admira que ao lado de obras-primas surjam policiais negros estereotipados, como a trilogia Millennium de Stieg Larson, emplastros espirituais como Fernão Capelo Gaivota, de Richard Bach, xaropes para crianças, como A história interminável, de Michael Ende, A culpa é das estrelas, de John Green, ou Os jogos da fome, de Suzanne Collins, sucedâneos dos thrillers esotéricos de Dan Brown, como O labirinto perdido, de Kate Mosse, ou revivalismos do folhetim de aventuras oitocentista, como A sombra do vento, de Carlos Ruiz Zafón.

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“O charlatão”, por Albert Anker, 1879

Na perspectiva de Berthoud & Elderkin, tudo se equivale, a grande literatura e o romance de aerogare, pois atribuem aos livros a função primordial de ajudar a passar o tempo, não a de nos desinquietar e nos transformar em pessoas diferentes do que éramos quando começámos a lê-los.

É por isso que nos propõem Carlos Ruiz Záfon em vez de Gonzalo Torreste Ballester e Ian Fleming em vez de James Ellroy, ou Uma casa na pradaria, em vez de A condição humana, e é por isso que não as incomoda a ausência de Jorge Luís Borges, Adolfo Bioy Casares, Júlio Cortazar, Witold Gombrowicz, Vassili Grossman, Bohumil Hrabal, Ismail Kadare, Herta Müller, Bruno Schulz, W.G. Sebald, Milorad Pavić, Dubravka Ugrešić, Manuel Vásquez Montalbán, Boris Vian ou Enrique Vila-Matas.

Em compensação, a farmacopeia de Berthoud & Elderkin abunda em comprimidos de açúcar, mistelas homeopáticas, extractos de raízes exóticas, elixires prodigiosos e chás detox. Boa parte destes preparados são tão inócuos como água destilada, mas outros são claramente prejudiciais à saúde e é óbvio que nenhuma obra contendo uma tirada como “os teus calções, a tua camisa, tudo em ti estava coberto de poeira como um croissant está coberto de manteiga” (vem em As confissões de Max Tivoli, de Andrew Sean Greer, um dos fármacos receitados por Berthoud & Elderkin) deveria merecer aprovação do Infarmed.

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Efeitos secundários: Interacções com estrogénios

Embora as autoras tenham reticência em assumi-lo, são numerosos os indícios de que Remédios literários se destina ao público feminino (é mais fácil manter a ambiguidade em inglês, em que “reader” é palavra sexualmente neutra).

É muito significativo que o livro que suscita comentário mais desenvolvido em Remédios literários seja O diário de Bridget Jones, de Helen Fielding (de quem também se recomenda O novo diário de Bridget Jones), e que as recomendações incluam uma fracção desproporcionadamente grande de romances destinados ostensivamente ao público feminino e escritos por mulheres – é o caso de O clube de tricô de sexta à noite, de Kate Jacobs, A memória das pedras, de Carol Shields, A ponte invisível, de Julie Orringer, A ternura dos lobos, de Stef Penney, A tenda vermelha, de Anita Diamant, Jantar no restaurante da saudade, de Anne Tyler, Encantamento, de Alice Hoffman, ou Restauração, de Rose Tremain. É uma “literatura de afectos”, com personagens femininas fortes e ênfase nas relações familiares, pontuada por “uma sensibilidade poética muito feminina” e redigida naquele linguajar padronizado que se aprende nos cursos de escrita criativa e que está coberto de comparações e metáforas tolas “como um croissant está coberto de manteiga”. Estas obras têm em comum a tendência para ocuparem as listas de best-sellers durante semanas a fio.

O género é também cultivado por alguns homens, dos quais o mais célebre (e rico) é Nicholas Sparks, de quem Berthoud & Elderkin recomendam O diário da nossa paixão. Vale a pena assinalar que Sparks, antes de ter obtido o sucesso planetário de que hoje disfruta, enfrentou sucessivas recusas de editores e teve de ganhar a vida nos mais variados empregos, um dos quais foi como delegado de propaganda farmacêutica, onde terá aprendido tudo o que é preciso saber sobre o fabrico e comercialização de comprimidos de açúcar.

Do ponto de vista comercial, a opção feminina é atilada: são as mulheres as principais leitoras de romances (e livros sobre alimentação, dietas e “espiritualidade”), focando-se os homens nos jornais (em particular na imprensa desportiva e económica), nos livros que relatam carreiras de personalidades do futebol, dos negócios e da política e outras histórias de superação pessoal e nos livros de gestão, marketing e finanças. Apesar das muitas mudanças ocorridas nas últimas décadas, a sociedade moderna continua a apresentar um acentuado dimorfismo sexual e em poucas áreas tal é tão evidente como nos padrões de leitura – quem frequente um clube de leitura de uma biblioteca já se terá apercebido desta realidade.

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Contra-indicações

A falta de disciplina e talento de Berthoud & Elderkin fazem com que o conceito de “remédio literário” não seja mais do que um pretexto para recomendar, de forma leve e divertida (na verdade, frívola e superficial), livros que as autoras têm em apreço e que constituirão – presume-se – o seu cânone pessoal. Porém, a sua concepção de literatura como algo destinado a entreter momentos de ócio, faz com que Remédios literários seja um Cânone ocidental – o ensaio em que Harold Bloom tenta estabelecer as obras fundamentais da história da literatura – adaptado à oferta da secção de livros dos hipermercados.

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