Pinto da Costa e as 80 frases que explicam quem é o sócio 808 do FC Porto (e muito mais do que isso)

28 Dezembro 2017389

Pinto da Costa cumpre 80 anos de vida, 35 dos quais como presidente do FC Porto. Da adolescência às polémicas, passando pelas conquistas do clube e gostos pessoais, um trajeto contado em 80 frases.

Tem como defeito mais tolerável nos outros a estupidez e o menos tolerável a ingratidão, que não costuma perdoar a ninguém seja na vida ou no desporto. Valoriza a solidariedade, tem como herói Nuno Álvares Pereira, mas Humberto Delgado foi o seu primeiro ídolo. E aprecia, cada um na sua área específica, nomes como Soares dos Reis, José Régio, António Nobre ou Pedro Burmester. Jorge Nuno de Lima Pinto da Costa, que completa esta quinta-feira 80 anos, é conhecido pelas três décadas e meia na liderança do FC Porto, mas foi ganhando um espaço muito maior do que aquele enraizou no país desportivo.

Ao longo desse tempo, o sócio 808 dos dragões nunca passou ao lado nem foi indiferente a ninguém. E, pelo meio, sem qualquer tipo de oposição interna, conquistou um total de 58 títulos no futebol (entre os quais os sete internacionais, como as duas Taças dos Campeões Europeus/Liga dos Campeões ou as duas Taças Intercontinentais) num total de 1.752 jogos oficiais com 67,3% de vitórias que atravessam nesta altura o maior jejum (não ganha nada desde a Supertaça de 2013), ao mesmo tempo que ganhou dezenas e dezenas de títulos nas modalidades como no hóquei em patins, onde chegou a passar como dirigente da secção e que nunca tinha conseguido um Campeonato, ou no andebol, onde quebrou um jejum de 31 anos.

Entre as muitas entrevistas (que foram sendo reduzidas com o passar dos anos) e milhares e milhares de declarações, foram escolhidas 80 de diferentes perspetivas para resumir um reinado com rivalidades, polémicas e conquistas, mas também de alguém com um gosto especial por poesia, teatro e animais.

Do escândalo no ponto escrito de ciências aos juniores do Infesta

Nasci no Dia dos Santos Inocentes, 28 de dezembro de 1937.
2003, em entrevista à Espiral do Tempo
Quando era criança jogava futebol todos os dias, porque estava num colégio interno, o Instituto Nun'Álvares. Ainda fiz um jogo na seleção do Porto como júnior quando jogava no Infesta. Insistiram para continuar a jogar, mas como os jogos do Infesta eram à mesma hora do FC Porto, queria ver o FC Porto.
2003, em entrevista à Espiral do Tempo
Assinei a ficha, como se dizia na altura, para provar ao Infesta que nunca jogaria noutro clube, e não cheguei a actuar como sénior.
2003, em entrevista à Espiral do Tempo
Lembro-me de uma vez ter provocado o escândalo no colégio, só porque num ponto escrito de ciências, ao pedido de dois exemplos de paquidermes, ter respondido 'um elefante e uma elefanta'.
2003, em entrevista à Espiral do Tempo
Depois dos exames, respondi a um anúncio, juntamente com dois amigos, que pedia jovens para o Banco. Estávamos no café Aviz, que era frequentado pelos alunos do Almeida Garrett, onde eu andava, vimos aquilo e decidimos inscrever-nos. Na semana a seguir recebemos os três um postal para ir prestar provas ao Palácio Atlântico.
em entrevista ao Viva Porto
Os meus pais nunca gostaram do meu entusiasmo pelo FC Porto, não queriam que me distraísse com os estudos. Foi a minha avó quem, às escondidas dos meus pais, me ofereceu a inscrição no clube quando fiz 16 anos. E era o meu tio que me levava aos jogos muitas vezes sem que os meus pais soubessem.
2003, em entrevista à Espiral do Tempo
Quando era jovem frequentava o café Aviz, porque estudava no Colégio Almeida Garrett. Era para o Aviz que íamos, eu e os meus colegas, quando acabavam as aulas e também nos intervalos, para jogar bilhar ou conversar. Foi o meu café da juventude. Depois passou a ser o café Bom Dia, na Praça Velasquez. Foram lá as reuniões preparatórias da minha candidatura à presidência do FC Porto.
2011, em entrevista à revista O Tripeiro
A minha mãe dizia sempre: 'Para aquilo que se for, seja para polícia ou para médico, tanto faz, o que é preciso é gostar, ser-se útil aos outros e ser-se sério'. Ouvi isto tantas vezes que me marcou profundamente.
2003, em entrevista à Espiral do Tempo
Os meus pais queriam que eu fosse um bom estudante, era para isso que me estavam a educar. Por outro lado, os princípios que me incutiram ainda os conservo. Fui educado em princípios muito rigorosos de seriedade, de lealdade, de coerência e em hábitos exigentes de trabalho.
2003, em entrevista à Espiral do Tempo
Recordei um episódio interessante, passado com o meu então presidente o Sr. Afonso Pinto Magalhães. No ano de 1972, aquando da sua sucessão para o saudoso Dr. Américo de Sá, fui convidado a continuar como dirigente. Conversei com o ainda presidente, que me disse: 'Jorge, não fique. Descanse e acompanhe o nosso clube, que vai precisar de si como presidente' (...) O que é certo é que no momento da difícil decisão, dez anos depois, lembrei-me dessa conversa.
no livro 31 anos de Presidência, 31 decisões, sobre a candidatura à presidência do FC Porto

O único número 2 que era o João Pinto e o Estádio do Dragão

Aquilo que é imortal não pode ser destruído e o FC Porto é um clube que teve princípio mas nunca terá fim. Ninguém é capaz de o destruir.
no final de um jantar de apoio à recandidatura a presidente
O Deco é invendável, inegociável e imprestável.
2003, numa altura em que se falava do assédio de vários clubes ao jogador
Há uma coisa que tenho como garantia: não serei eu o presidente nos próximos dez anos.
1992, em declarações à RTP a propósito dos dez anos na presidência do FC Porto
Já tinha idade para me reformar mas não o farei enquanto tiver vontade de fazer mais e fazer com que o FC Porto seja maior. Enquanto sentir isso, esqueço-me do bilhete de identidade e encaro o dia-a-dia como mais um dia de trabalho.
2015, em entrevista ao Porto Canal sobre nova recandidatura à presidência do FC Porto
Não me candidatei como prémio do que ganhei, isso é passado e está no museu. Candidatei-me porque verifiquei que as coisas estão mal e é preciso voltar a pô-las como eram. Sinto-me capaz e tenho a certeza absoluta de que vamos dar a volta ao que está mal. Batemos no fundo, fizemos a radiografia e há que não repetir os erros.
2016, no rescaldo de uma derrota no Dragão frente ao Tondela
A marca que imprimo em tudo o que diz respeito ao FC Porto, à SAD e a todo o Grupo assenta em quatro pilares fulcrais: a competência, o rigor, a ambição e a paixão. Conseguindo ter à minha volta todas as pessoas com esses requisitos, torna-se tudo mais fácil.
2011, em entrevista à RTP
Era bom que estivéssemos sentados aqui daqui a dez anos, mas como presidente do FC Porto não será. Ninguém poderia prever que estivesse mais 13 quando disse isso em 1992, como ninguém previa que iria estar os primeiros dez, nem eu mesmo.
2005, em entrevista à RTP
Para que eu tivesse de dizer se ia, ou não, ter número 2 e quem seria, saiu a pergunta: 'Quem é o seu número 2?'. João Pinto, respondi. Pois na equipa quem jogava com esse número era há muitos anos o João (...) Esta questão e a respetiva resposta ainda hoje são lembradas. E uma ou outra são importantes, porque toda a gente percebeu que, nas minhas direções, são todos iguais e ninguém mais se intitulou ser o que estatutariamente não existe.
no livro 31 anos de Presidência, 31 decisões, sobre a hierarquia na direção do FC Porto
Estádio do FC Porto considerava que continuaria a ser um nome (...) Estádio Jorge Nuno Pinto da Costa não aceitaria por ser contra os meus princípios batizar qualquer que seja a obra com o nome do presidente que lidera a equipa que a faça (...) A minha proposta foi Estádio do Dragão e hoje revejo-me nessa decisão: ir ou estar no Dragão é o mesmo do que ir ou estar na casa e no coração de todos e cada um de nós. 
no livro 31 anos de Presidência, 31 decisões, sobre o nome do novo estádio
Já pensei muitas vezes que não havia mais nada a fazer, quando inaugurámos o estádio e fomos campeões em Gelsenkirchen. Depois disso já ganhámos diversos títulos, fizemos o Dragão Caixa e o museu. A única coisa que posso dizer, partindo do princípio de que sonhar é fácil, é que este é o meu último sonho concretizado, mas não é o meu último sonho.
2013, a propósito da inauguração do novo Museu do FC Porto

O frio de Viena, o gelo em Tóquio e a chuva na Luz (que veio da rega)

Quando fui candidato em 1982, disse que queria vencer uma prova europeia e dois anos depois chegámos lá. Havia entusiasmo, foi uma partida disputada com grande raça. Não fomos inferiores, perdemos devido a uma prestação menos boa do árbitro. Foi uma lição: depois da final disse a todos que venceríamos a próxima. Graças ao que aprendemos naquela noite, conseguimos a Taça dos Campeões de 1987, com o Bayern de Munique.
2017, em entrevista à Gazzetta dello Sport sobre a final da Taça dos Campeões Europeus de 1987
Uma semana antes, instalámos a equipa no antigo Hotel Sheraton para nos habituarmos às horas de Tóquio. Foi muito interessante viver ao contrário, treinar de madrugada e dormir de manhã.
no livro 31 anos de Presidência, 31 decisões, sobre a vitória na Taça Intercontinental de 1987
Já festejei muitos títulos mas nunca às escuras. Foi uma novidade festejar de luz apagada e com chuveiro. Nunca me tinha acontecido. É uma experiência nova. Pensei que já tinha visto tudo. Foi giro.
2011, após a conquista do Campeonato Nacional na Luz com o Benfica
Não foi um grande jogo, cada equipa jogou com as suas armas, mas a vitória na Liga Europa é motivo de grande alegria. Agora é tolerância zero porque há uma final da Taça de Portugal para preparar. Se eu fosse presidente da Câmara receberia o FC Porto, mas como sou presidente do FC Porto, não costumo assaltar câmaras...
2011, em declarações à chegada a Portugal após a vitória na final da Liga Europa
São muitos títulos, tenho essa felicidade... Não sei quantas Taças são, quantas Supertaças são, ganhámos as três provas internacionais... Já me tinham feito o funeral, já me tinham arranjado um lugarzinho mas 20 anos depois ainda continuo a contribuir com a minha parte para ganhar. 
2003, em declarações após o regresso às vitórias no Campeonato
O FC Porto ganhou a Champions e os jogadores são falados em toda a parte porque demonstraram que são grandes jogadores. No caso do Ricardo Carvalho, toda a gente já conhecia menos o Luiz Felipe Scolari... O senhor Camacho está à espera dele no Real Madrid? Que espero sentado, porque pode ganhar varizes.
2004, numa festa de homenagem pela vitória na Liga dos Campeões
Eu sou pentacampeão, pela primeira vez, e o seu clube [Benfica] é pentadescampeão, que também nunca tinha estado cinco anos sem ganhar. Árbitros? Se errarem a favor do FC Porto é porque está comprado, se errarem contra o FC Porto é diferente... Ganhámos porque voltámos a ser melhores.
1999, em entrevista à TVI após a conquista do pentacampeonato
Quando aqui cheguei, provocaram-me um pequeno susto. Talvez não estivesse atento, mas quando ouvi 'campeões, campeões' pensei que estava a ouvir outra coisa. Mas é engano, porque ainda há luz do dia. Está aí um cachecol que diz 'tricampeão'. É mesmo melhor começarem a dizer 'tricampeões', para que não haja confusões. Mas queremos mais, seja no primeiro minuto ou no 92.º, conforme der mais gozo.
2013, numa festa comemorativa da vitória do Campeonato dessa temporada
Lembro-me que, no primeiro programa que tive, há 34 anos, tinha como um dos pontos ganhar o Campeonato de hóquei em patins, porque nunca tinha ganho. Fiquei muito satisfeito porque ganhámos muitos, inclusive provas europeias.
2016, numa reportagem do Porto Canal no fim-de-semana da última reeleição
Lágrimas quando o FC Porto foi campeão de andebol 31 anos depois? Não, era um senhor que estava ali a cortar cebolas...
2016, numa reportagem do Porto Canal no fim-de-semana da última reeleição

Do mestre Pedroto aos riscos (ganhos) Artur Jorge e Villas-Boas

Pedroto foi um lutador incansável, até na doença que sofreu. Tinha um lado humano e um enorme sentido de família. Homens como ele fazem falta em Portugal. Era um homem de coração, causas e paixões. Nortenho a 100 por cento, combatia o centralismo de forma clara. Hoje, se fosse vivo, tenho a certeza que o faria.
2015, numa homenagem a Pedroto no Instituto Superior da Maia
Decisão mais arriscada? A do Artur Jorge. Em 1984, quando ele veio, estava a sair do Belenenses e do Portimonense, que tinham descido de divisão. Quando eu falei no nome dele à direção, toda a gente ficou assustada. 
2010, em entrevista ao Expresso
Jurei na campa do Rui Filipe que haveria de ser outra vez campeão. É bom que as pessoas não se esqueçam de que foi ele quem marcou o primeiro golo do FC Porto neste Campeonato.
1995, após a conquista do primeiro de cinco Campeonatos consecutivos
Eu e Fernando Santos somos grandes amigos e tenho uma grande admiração pessoal por ele. É um homem sério, com princípios de vida, íntegro, conhecedor do futebol e inteligente. Agora vai haver um projeto para a Seleção Nacional.
2014, em entrevista ao Porto Canal comentando a escolha de Fernando Santos para a Seleção
Há dois Mourinhos: o que treinava o FC Porto e era considerado mal-educado, e o que saiu do FC Porto e que era admirado como um génio. Esse segundo José Mourinho, no dia a seguir a ser campeão europeu pelo Inter, mandou-me uma mensagem a agradecer a oportunidade que lhe dei no FC Porto para ele ter chegado onde chegou. E isto não é de um homem arrogante e que só pensa nele. 
2010, em entrevista ao Expresso
Foi em segundos que tive de tomar a grande decisão, aceitar ou não a exigência do Sporting de Gijón. Acontece que não tínhamos nem 20 contos, quanto mais 20 mil! Mas a minha decisão estava tomada, era um ponto de honra do meu programa a vinda do Fernando Gomes e, para além disso, tinha a certeza de, com ele, podermos arrancar para grandes êxitos.
no livro 31 anos de Presidência, 31 decisões, sobre a contratação de Fernando Gomes em 1982
A transferência de Vítor Baía foi excelente mas, ao mesmo tempo, não estava feliz já que, talvez até hoje, foi o atleta que mais me custou a ver partir. Quando me despedi do Vítor, foi como se um irmão meu partisse (...) A decisão da saída custou-me muito, a do regresso encheu-me de felicidade.
no livro 31 anos de Presidência, 31 decisões, sobre a transferência de Vítor Baía para o Barcelona
Todos os treinadores são diferentes na forma de atuar e tive muitos treinadores competentes. Ainda hoje recebi felicitações sinceras do Artur Jorge e do Jesualdo Ferreira. Mas o André Villas-Boas tem uma vantagem sobre todos os outros: além da sua paixão pelo futebol, é tão portista quanto eu.
2011, em entrevista à RTP
Belmiro de Azevedo era uma grande figura nacional. Fica na história como um grande empresário do país mas também como um grande homem que sempre defendeu os ideais nortenhos e que nunca teve medo de assumir as suas posições publicamente. Recordo com saudade esses tempos [em que foi dirigente do FC Porto), em que fez uma notável obra na natação – foi o grande impulsionador da modalidade, sem condições. Conseguiu projetá-la para hoje conseguir os grandes níveis que tem.
2017, em declarações após a morte de Belmiro de Azevedo (que foi seu colega de direção)
Melhor onze? Vítor Baía na baliza, João Pinto, Aloísio, Fernando Couto e Branco na defesa. Depois, no meio campo, o André, o Deco, que é inevitável, e o Jaime Magalhães. Depois no ataque é muito difícil escolher para um clube que teve Madjer, Jardel, Futre ou Hulk, deixando ainda de fora os jogadores do plantel atual. Era difícil escolher, mas seria uma equipa fantástica.
2012, a propósito do onze ideal nas comemorações do 1.000.º jogo no FC Porto

A retrete das Antas, a bomba, o Apito Dourado e a Operação Fénix

Vamos ver se a Direção da Federação Portuguesa de Futebol tem coragem de mandar o FC Porto para a 2.ª Divisão.
1983, numa Assembleia Geral do clube a propósito da final da Taça
Peço-vos a maior serenidade porque acabam de me avisar que vem a caminho do Pavilhão a GNR com o pretexto de que estará aqui uma bomba. Se estiver aqui uma bomba, eu espero que ela expluda! Levem o dinheiro, façam a Expo 98, mas nunca levarão a nossa dignidade!
1994, numa Assembleia Geral sobre as penhoras por alegadas dívidas ao Fisco
Se há brasileiros a mais não é no FC Porto, é no departamento de quem escolhe o Ricardo para guarda-redes da Seleção Nacional!
a propósito da não convocação de Vítor Baía por parte de Luiz Felipe Scolari
[Jornalistas alegadamente agredidos por elementos do FC Porto] Olhe, está a dar-me uma boa ideia porque assim vou abrir um hospital nas Antas, com tantos feridos é capaz de ser um bom negócio mas não há notícia de ter ido a qualquer hospital... Se procurei saber? Sim, procurei.
1992, em entrevista na RTP (a José Eduardo Moniz)
Sinto-me exactamente como me sentia ontem, quando não era pronunciado e era um dos milhares de arguidos deste país. Neste momento espero tudo, porque quando nasceu o Apito Dourado, quando ouvi as primeiras acusações em tribunal, pareceu-me tudo um filme de ficção...
2008, em entrevista ao Rádio Clube Português sobre o processo Apito Dourado
Há muitos anos que vou a Espanha no dia 1 de Dezembro para ir fazer compras ao El Corte Inglés. Já tinha quarto marcado no Parador em Tuy há muito tempo. E fui à RTP por causa do lançamento do meu livro, adiei a ida por um dia, telefonei para lá a dizer que ia um dia depois. Mas estas escutas, e eu na altura estava sob escuta, não aparecem. E fui de carro, não fui escondido. E andei a passear no El Corte Inglés, não me escondi. 
2010, em entrevista ao Expresso sobre a ausência do país no dia das buscas à sua casa
Se me dissessem que um clube que ganhou o campeonato com não sei quantos de avanço, um título europeu e tinha uma equipa fabulosa, subornou um árbitro para um jogo em casa com o último, eu dizia que era maluco. 
2010, em entrevista ao Expresso sobre o Apito Dourado
Nem esfriaram nem deixaram de esfriar, eu tinha combinado com ele, como de costume, irmos jantar ao Altis na véspera de um jogo do FC Porto com o Sporting, e ainda hoje estou à espera. Tive de me vir embora, ele deixou de aparecer e deixou de me falar.
2016, em entrevista ao JN sobre a relação com Joaquim Oliveira após o FC Porto ter assinado com a Meo
Tudo faremos para que corra tudo bem embora haja alguns incendiários por aí espalhados que não têm nada a ver com o futebol. A caminho daqui ouvi uma entrevista do António Mexia [presidente executivo da EDP], na Antena 1, que formulou o desejo que o Benfica vencesse o campeonato porque era bom para o país e para o PIB. É lamentável uma atitude destas e tudo farei para que o FC Porto tenha uma alternativa à EDP enquanto ele lá estiver.
2013, em declarações antes do clássico a reagir a palavras de António Mexia
Nunca tive guarda-costas. Vigilantes da empresa na Afurada? Isso não era para serviços de segurança, mas para eu não ser asfixiado. Isso era proteção dos afetos, para não deixar que caíssem todos em cima de mim.
2017, no âmbito do processo Operação Fénix onde acabaria por ser absolvido

Da final em que torceu pelo Benfica à Guerra Civil de Espanha

O Benfica é uma grande instituição e já sofri tanto pelo Benfica como pelo FC Porto, na final da Taça UEFA que perdeu contra o Anderlecht. Torcer agora pelo Benfica numa prova europeia? Não, é-me indiferente. 
2010, em entrevista ao Expresso
Os ataques de Vale e Azevedo preocupam-me tanto como a caspa.
1997-2000, em resposta a críticas do então presidente do Benfica
Santana Lopes é um político que está em hibernação e se calhar prepara-se para voltar, não posso ir a nenhum frente a frente com ele porque não sou político. Foi secretário de Estado e ficou famoso por duas coisas: a pala de Alvalade e os violinos de Chopin. De futebol não posso falar porque não sabe nada, entrou para criar suspeição. É um ovni que vai passar. E olhe, transparência é isto? Jantaradas de dirigentes do Sporting com árbitros?
1996, em entrevista no programa Crossfire da SIC
Na verdade estava a caminho das urgências, quando passei pela morgue e vi que lá estava grande parte do Benfica. Aí, melhorei e vim embora.
comentando o rumor de que tinha sofrido um enfarte e ia a caminho do Hospital da Luz
Esse senhor não pode ser levado a sério depois de almoço.
2003, em entrevista ao Público em resposta às críticas de Soares Franco
Vergonha teria se tivesse sido condenado por roubo, fosse no tribunal da Boa Hora ou noutro qualquer. De resto não entro nessa conversa porque não estou em campanha eleitoral (...) Não preciso de ofender ninguém como estratégia para me tentar armar em vítima quando os meus jogadores cometem atos irrefletidos.
2012, no seguimento de uma série de acusações mantidas com Luís Filipe Vieira
O Sporting deve estar muito satisfeito com o valor que conseguimos pelo João Moutinho, a não ser que consigam vender melhor que nós. Conseguimos que uma maçã podre que foi comprada por 11 milhões de euros fosse vendida por 25 milhões.
2013, a propósito da polémica sobre a venda de João Moutinho para o Mónaco
BTV? Não tenho esse canal. O Benfica pode falar no que quiser. Querem que o Benfica fale do quê? Da Champions? Em cinco jogos tem zero pontos, um golo marcado e 12 sofridos. O Benfica tem de falar de qualquer coisa, nem que seja da Guerra Civil de Espanha (...) Se fosse o Benfica falava das guerras de Aljubarrota e de tudo o que quisessem, agora de futebol é óbvio que não podem falar.
2017, na inauguração da exposição sobre os 90 anos de basquetebol no FC Porto
Obrigado pela caneta, é muito útil porque continuo a escrever, não tenho email.
2017, no jantar de Natal da Comissão de Apoio à Recandidatura de Pinto da Costa
Não podíamos estar calados e assistir àquelas bandalheiras nos emails.
2017, em entrevista ao Jogo a propósito do caso dos emais

A poesia, o teatro, os animais e a razão para deixar de fumar

Por Jorge Nuno poucos me tratam. As minhas irmãs tratam-me por Nuno. Os meus irmãos tratavam e o que ainda é vivo trata-me por Jorge. 
2010, em entrevista ao Expresso
A mim, a poesia relaxa-me. Quando estou mais ‘stressado’ é quando mais procuro ler poesia. É o ideal para eu acalmar.
2003, em entrevista à Espiral do Tempo
Não bebo álcool. Não gosto, só bebo água. Nunca bebi álcool. Um bom jantar para mim é acompanhado com San Pellegrino ou Vitalis.
2010, em entrevista ao Expresso
Gosto imenso de teatro. A minha família era proprietária do Teatro São João e, desde pequeno, habituei-me a ir ao teatro e tive a sorte de apanhar ainda uma geração de grandes atores, como a Rey Colaço.
2003, em entrevista à Espiral do Tempo
A maior parte das pessoas diz: ‘O meu cão é fantástico, vou para ali e ele vem atrás de mim’. Quer dizer, as pessoas gostam é que os animais gostem delas, não gostam dos animais. De modo que eu, naturalmente com algumas limitações, estando em casa, deixo-os andar à vontade. Se estiver a ver um jogo na televisão, eles estão sentados ao meu lado no sofá. Os animais têm de ser felizes.
2003, em entrevista à Espiral do Tempo
Ainda hoje me levanto todos os dias às sete da manhã, aconteça o que acontecer. Se dormir cinco ou seis horas, chega-me perfeitamente. São hábitos.
2003, em entrevista à Espiral do Tempo
[Quanto dinheiro tenho no banco?] Tenho sempre pouco (...) Quando acabar o mandato vejo-me a descansar, escrever e passear.
2010, em entrevista ao Expresso
Cansado? Não, não andei a correr… Hoje nem atingi o meu objetivo dos passos que tenho todos os dias aqui no telefone.
2016, numa reportagem do Porto Canal no fim-de-semana da última reeleição
Quando vi que tinha de ser eu o candidato [à presidência do FC Porto], tomei decisões na minha vida, uma importante que foi deixar de fumar durante dois anos, porque vi que ia ter uma vida muito atribulada e com muito trabalho. Resolvi poupar-me e há 23 anos que não fumo, até é um apelo que faço mesmo que não sejam candidatos...
2005, em entrevista à RTP a propósito do lançamento da autobiografia
Vou pouco ao cinema, mas gostava muito. Dos filmes que me lembro, de quando tinha tempo para ir ao cinema, lembro-me do 'Deus lhe pague', que esteve no cinema São João quase meio ano, do 'Rebecca' e do 'Cyrano de Bergerac'. Agora, infelizmente, é raríssimo ir ao cinema.
2011, em entrevista à revista O Tripeiro

A admiração por Eanes, as guerras com Rio e os ataques ao centralismo

Há em Lisboa muitas coisas bonitas: a delegação do FC Porto, os Jerónimos, muitos portistas. Mas em Lisboa persistem mentalidades que pensam que Portugal é a capital e o resto é paisagem. É essa mentalidade, que no sentido figurado, gostaríamos de ver a arder...
1995, a propósito da penhora de uma retrete do estádio das Antas
Rui Rio? Ainda não me foi apresentado e não conheço nenhuma obra dele (...) O Rui Moreira seria um fantástico presidente da Câmara do Porto e se calhar nunca vai ser porque não está colado a nenhum partido. [Está a ser empurrado pelo Rui Rio] É? Então ainda vai parar ao mar. 
2010, em entrevista ao Expresso
Somos o único clube que ganha títulos internacionais e que não é recebido nos Paços do Concelho da sua própria cidade. Mas é recebido, felizmente, no resto do país.
2012, em declarações na CM Viseu (visando Rui Rio)
Vou relembrar o que já antes disse e escrevi: para mim o general António Ramalho Eanes é o português vivo que mais admiro e será sempre o meu presidente. Obrigado pela lição de vida que é no dia-a-dia para todos nós. Do seu admirador, Jorge Nuno Pinto da Costa.
2013, numa mensagem lida numa homenagem a Ramalho Eanes
Lisboa, como cidade, gosto muito. Gosto muito do Bairro Alto, acho lindíssimo, gosto muito de ir aos fados a Lisboa. O que não gosto é dos imigrantes em Lisboa que acham que Lisboa é que é o país e o resto não conta (...) O que sinto em relação ao FC Porto é que é uma espécie de último resistente ao centralismo. Todas as grandes instituições do Porto capitularam. O que ficou? O FC Porto.
2003, em entrevista à Espiral do Tempo
Quando é o Benfica, o Governo assobia para o lado. Não espero nada do Governo, mas da Polícia Judiciária espero, porque sei que estão a trabalhar no assunto.
2017, em entrevista ao O Jogo a propósito do caso dos emails e das claques ilegais
Tem sido um prazer lutar pelo FC Porto num país cada vez mais centralista. É muito bom ver este clube cada vez mais forte, como se viu recentemente no Mónaco. Quanto mais se fala em descentralização, mais o país é centralista e o FC Porto será sempre um baluarte nessa luta contra o centralismo.
2017, em entrevista ao Porto Canal no dia de aniversário do FC Porto
Está complicado? Está, está… Mas olhe, o que é importante é que atiram pedras, não deixam receber a Taça mas estamos na capital do Império e estou feliz com este espetáculo, que lindo que isto é… Faz parte deste espetáculo, estamos no ano da cultura. A ministra [Manuela Ferreira Leite] também deve estar, mas não vem cá abaixo porque não é tola, senão não era ministra.
1994, em entrevista à RTP no final da Taça de Portugal no Jamor com o Sporting
A única coisa que o centralismo ainda não conseguiu extorquir ao FC Porto são os Campeonatos. Como os clubes centralistas não ganham no campo, é preciso fazer com que ganham em jogos fora do campo. Para isso, é preciso tomar medidas imediatas: lançar uma OPA sobre o FC Porto e transferindo-o para a capital; depois do Apito Dourado, lançar apitos prateados, verdes, laranjas, vermelhos e até pinks.
em discurso numa Casa do FC Porto no rescaldo do Apito Dourado
Tenho um compromisso de, como presidente do FC Porto, não me envolver com a política e não envolvo. Mas tenho o compromisso e obrigação de defender o FC Porto contra quem for. Envolvi numa luta contra Catroga, em relação às presidenciais nunca disse nada. Cavaco Silva é Dragão de Honra, coisa que nem eu sou, porque considero que qualquer primeiro-ministro ou presidente da República, ao deslocar-se a uma sessão solene ou para presidir um jantar tão importante como o do centenário, merece essa distinção.
1996, em entrevista ao Crossfire da SIC
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Desimportantizar os caraoqueiros

Paulo Tunhas

O pensamento-karaoke funciona como obstáculo a que se procure entender o que se passa à nossa volta. Os caraoqueiros estão-se, de resto, nas tintas. Só querem caraocar mais alto do que os outros.

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