“Putinlândia”: Vladimir é a Rússia

06 Junho 2016

O Observador publica um excerto do novo livro de Bernardo Pires de Lima, um ensaio sobre o presidente russo e a forma como moldou a Rússia à sua imagem, estendendo influências à Europa.

“Putinlândia” é o título do novo livro de Bernardo Pires de Lima. Como o autor explica, este não é um ensaio sobre a Rússia, nem sobre o lugar que o vasto país ocupa no mundo. É, sim, uma reflexão sobre aquilo que o investigador intitula de “putinocracia”, a forma como Vladimir Putin moldou a Rússia à sua imagem. A formação de um líder, a subida ao poder e o controlo absoluto de um país que ninguém sabe como vai reagir à eventual saída do seu presidente.

Neste excerto que o Observador publica, Bernardo Pires da Lima escreve sobre a influência russa na Europa atual, como Putin está ligado a partidos, movimentos e ideais e como a paisagem geoestratégica da Europa está em mudança também graças a Vladimir Putin.

putin lândia

“Putinlândia”, de Bernardo Pires de Lima; Ed: Tinta da China; 167 páginas; Preço: 14,90€

União de Fachos

Putin está a construir um império de influência na Europa. Não precisa de ocupar territórios inteiros — basta apoiar bolsas separatistas —, não precisa de esmagar forças armadas — basta expor as suas incapacidades para exercerem soberania —, não precisa de marionetas nos governos — basta ameaçar cortar‐lhes o abastecimento energético —, e não precisa de uma agenda de agressividade pública contra europeus — basta alimentar o fascínio que alguns líderes sentem por ele e comprar apoios nos sítios certos. Tudo isto serve uma estratégia de curto prazo: inviabilizar o consenso em Bruxelas sobre novas sanções. E outra de paciência a longo termo: estabilizar parcerias para manter a trepidação na UE e na NATO, apoiando partidos‐agitadores das respectivas democracias, sabendo que nenhum faz fretes à moderação e ao compromisso pela integração europeia.

Vejamos a última conquista de curto prazo: Chipre. A novidade não está na atracção de Nicósia, até porque 80 por cento do investimento estrangeiro no Chipre é russo, está na intenção de Moscovo ao emprestar 2,5 mil milhões de euros em troca de uma base naval no Mediterrâneo, paredes‐meias com outra usada pelos britânicos e que tem servido de suporte aos bombardeamentos contra o ISIS. Isto significa que países vulneráveis dentro da UE estão à mercê de Moscovo, além de mostrar o grau de disponibilidade russa em permanecer no centro do tabuleiro ocidental.

Já no caso da paciência a longo termo, a coisa assume outra subtileza. A senhora Le Pen tem ido buscar financiamento à Rússia e Putin já apontou baterias a partidos em Estados fundamentais — Ukip no Reino Unido, AFD e NPD na Alemanha —, a outros de menor dimensão — Jobbik na Hungria, Attack na Bulgária, Aurora Dourada na Grécia — e a futuros membros, como a Bósnia e a Sérvia. A estratégia russa vai muito para lá da Ucrânia.

Senão, vejamos. Não deixa de ser paradoxal que Putin passe os dias a bradar contra os «fascistas» e «nazis» de Kiev, mas tenha a trupe dos camisas negras europeus ajoelhada aos seus pés. A Frente Nacional, apesar de concorrer ao Parlamento Europeu, está hoje bem mais próxima de Moscovo do que de Bruxelas. Marine Le Pen gosta de elogiar o «patriotismo» de Putin e de coincidir França e Rússia num projecto «contra a globalização neoliberal». Claro que abominam o sucesso de um acordo de livre comércio entre a UE e os EUA: as suas acções políticas parecem ser locais, mas a lógica é geopolítica. O Ocidente liberal e as suas instituições pluralistas são os alvos a abater. Le Pen quer fazer implodir a Europa a partir das suas instituições, e Putin quer minar a relação euro‐atlântica através de frentes laterais, como a Ucrânia. Não por acaso, um dos livros mais populares na propaganda da Frente Nacional é uma biografia do presidente russo de nome Vladimir Bonaparte Poutine.

"Todos apreciam o perfil nacionalista de Vladimir Putin, pela ruptura em curso com os termos da «expansão democrática» europeia definida pela União Europeia e pelos EUA nos últimos 25 anos: liberdade de circulação, integração política e financeira, abertura comercial, pluralismo político e social."

Quem também se rege por esta cartilha é o Jobbik húngaro (20 por cento nas eleições de Abril), a Aurora Dourada grega, o FPÖ austríaco e o Ataka búlgaro. Não coincidem apenas na atribuição dos males europeus à imigração, sobretudo não católica, ou até mesmo à homossexualidade. Todos apreciam o perfil nacionalista de Vladimir Putin, pela ruptura em curso com os termos da «expansão democrática» europeia definida pela União Europeia e pelos EUA nos últimos 25 anos: liberdade de circulação, integração política e financeira, abertura comercial, pluralismo político e social. Por outras palavras, há um arco político cada vez mais próximo que quer renacionalizar a Europa, torná‐la novamente refém do proteccionismo, isolar sociedades, fechar mentalidades, erguer fortalezas, pregar o medo, reavivar fantasmas, recriar uma matriz rácica em programas políticos e, com isto, vergar o Estado, a administração pública e moldar a vida aos europeus. Não é altura de assobiarmos para o lado.

Vejamos então alguns exemplos menos mediáticos. Fundado em 2005, o Ataka entrou de rompante, com cardápio explosivo, na política búlgara anti‐NATO, anti‐UE , antiglobalização, xenófobo, racista e profundamente pró‐Putin. Como tantos outroscasos de populismo selvático, também este partido de extrema‐‐direita vive do carisma do líder, Volen Siderov, um antigo jornalista que conduzia um talk show precisamente com o nome do partido que viria a fundar. Nas legislativas de 2006, 2009 e 2013, o Ataka manteve‐se como quarta força mais representada no parlamento, mas foi nas presidenciais de 2006 que o seu alcance se mostrou: Siderov passou à segunda volta, perdendo apenas em seguida para Georgi Parvanov, recandidato do partido socialista. No fundo, essa eleição foi para a Bulgária o que as presidenciais de2002 foram para França, quando Jean‐Marie Le Pen escandalizou a Europa ao passar à segunda volta, perdendo depois para Chirac. É verdade: quem se lembra da Bulgária quando tem a França para se entreter? Ainda assim, convém não desvalorizar.

Aliás, a relação entre Siderov e Marine Le Pen é próxima, bem como a de ambos com Vladimir Putin. Quando este cumpriu 60 anos, o líder do Ataka foi de propósito a Moscovo celebrar a data e tecer loas ao putinismo. Afinal de contas, a barricada é mútua: estilhaçar a União Europeia e a NATO e fazer vingar uma agenda revanchista que, no caso de Siderov, é profundamente anti‐imigração e, no caso de Putin, assumidamente antiocidental. O zelo de Siderov impressiona. Quando a Crimeia referendou a anexação à Federação Russa e as regiões do Donbass realizaram semelhantes fraudes eleitorais, o Ataka foi um dos partidos europeus que enviaram «observadores», juntamente com o FPÖ austríaco, a Frente Nacional francesa, o Jobbik húngaro e o União Letónia Rússia, um partido de extrema‐esquerda defensor da minoria russa na Letónia e adepto do comportamento externo de Putin na Ucrânia. Aliás, este partido formalizou mesmo uma aliança com o Rússia Unida da Crimeia, o braço do partido do presidente russo na península do Mar Negro.

Desenganem‐se os que pensam existir apenas uma rede partidária na UE entre as grandes famílias socialista, social‐democrata, liberal e conservadora, capaz de moldar os termos do debate europeu. A rede funciona para todos. Um dos pivôs da teia putinista é Konstantin Malofeev, poderoso oligarca da banca de investimento russa e anfitrião de um encontro em Viena, em Maio de 2014, para afinar laços e estratégias políticas entre vários partidos de extrema‐direita europeia. O Ataka esteve naturalmente presente, mesmo com Malofeev a constar da lista de sancionados pela UE sob acusação de financiar os rebeldes do Donbass e a anexação da Crimeia. Putin, quando não tem cão, caça com gato.

Vem da Áustria o partido pró‐Putin com maior representação parlamentar na União Europeia, o FPÖ, fundado em 1956, com passagem pela coligação governamental entre 2000 e 2005, e com um programa bem definido de paixão pelo populismo: anti‐‐imigração, anti‐Islão e de desprezo pela UE. Não surpreende por isso que no Parlamento Europeu faça parte do grupo de Marine Le Pen. Nas legislativas de 2013, o FPÖ foi a terceira força mais votada, com 20 por cento (40 deputados), menos seis por cento que o vencedor, os sociais‐democratas do SPO. O Austria First (alô, Trump), o papão islâmico, o monstro burocrático da UE, a homofobia e a pureza cristã da Europa enchem a boca do seu líder, Heinz‐Christian Strache.

O seu antiamericanismo é também uma marca de água e converge com a defesa da aproximação estratégica a Moscovo em detrimento dos laços com Washington. Aliás, reconhecer e validar os interesses russos na Europa é parte da doutrina do líder do FPÖ: as sanções europeias à nomenclatura de Putin depois da invasão da Ucrânia nunca deviam ter entrado em vigor, tal como qualquer condenação à invasão da Crimeia. Os encontros em Moscovo são recorrentes, e Strache faz gala nisso na sua página de Facebook, alimentando assim as suspeitas levantadas de financiamento pela corte de Putin. Aser verdade, não surpreenderia ninguém.

Na Dinamarca, mora um outro partido com grande expressão eleitoral, o Partido Popular (DPP), que se tornou no segundo maior partido no parlamento após os 21 por cento (37 deputados) conquistados em 2015. Aliás, tinha sido o mais votado nas europeias de 2014, com 27 por cento. O cardápio acompanha as bandeiras do FPÖ ou da Frente Nacional, mas é na proximidade com o Rússia Unida que o leque fica completo. Em Março de 2015, reuniu em São Petersburgo o «Fórum Russo Internacional Conservador», organizado pelo «braço cultural» do partido Rodina, de extrema‐direita, em tempos liderado pelo actual vice‐primeiro‐ministro russo, Dmitry Rogozin.

"Não é só ao nível partidário e geoestratégico que Putin vem transformando a paisagem europeia — é também ao nível da desinformação e propaganda generalizada. Os canais estatais de televisão RT (ex‐Russia Today) e Russia 24, assim como a agência de notícias Sputnik (ex‐Ria Novotni) são braços do regime na propagação da mensagem oficial e uma bateria constantemente apontada à audiência espalhada pela Europa."

Bernd Lucke foi, em 2013, um dos fundadores da Alternativa para a Alemanha (AfD), trazendo um eurocepticismo à direita alemã focado na oposição ao apoio financeiro a países da zona euro. A sua liderança durou até ao Verão passado, altura em que 60 por cento dos militantes escolheram Frauke Petry para os liderar. Tinha ficado claro que as finanças não entusiasmavam o séquito, era preciso marchar contra a vaga de refugiados e a abertura do governo CDU/SPD em acolhê‐los. Para termos noção da viragem, o próprio Lucke teve de sair do partido que acusou de ceder à xenofobia, ao Pegida e a Putin. O resultado chegou a 13 de Março de 2016: a AfD ficou em segundo nas eleições da Saxónia e em terceiro no Baden‐Wurttemberg e na Renânia‐Palatinado. Mas, mais do que a validação dessa linha partidária, estes resultados carregam uma linhagem geopolítica, porque o grande vencedor destas eleições chama‐se Vladimir Putin.

Vale a pena começar por dizer que a benevolência para com o presidente russo e o seu crónico iliberalismo extravasam os corações dos militantes da Afd. Ela está bem presente entre os neonazis do Pegida e do NPD, com um ódio visceral ao Islão, mas também à esquerda, no Die Linke, com quem partilham antiamericanismo, antiliberalismo, anti‐UE e antiglobalização. Se o quadro partidário vai trilhando o seu caminho, subindo degraus em momentos específicos da política alemã, Moscovo tem sabido explorar o sentimento russófono na Alemanha para conduzir uma bem engendrada campanha de comunicação. Sempre são quatro milhões de falantes russos. O melhor exemplo foi a maciça propaganda feita pelas agências noticiosas russas em redor da suposta violação de uma jovem de origem russa, em Berlim, às mãos de refugiados muçulmanos, história que veio a confirmar‐se falsa mas que levou alguns milhares às ruas de Baden‐Wurttemberg. As eleições estaduais validaram a mentira.

Todavia, não é só ao nível partidário e geoestratégico que Putin vem transformando a paisagem europeia — é também ao nível da desinformação e propaganda generalizada. Os canais estatais de televisão RT (ex‐Russia Today) e Russia 24, assim como a agência de notícias Sputnik (ex‐Ria Novotni) são braços do regime na propagação da mensagem oficial e uma bateria constantemente apontada à audiência espalhada pela Europa. De tal forma, que o Conselho Europeu, em Março de 2015, mandatou Federica Mogherini para criar uma equipa de comunicação permanente sob o chapéu da Comissão Europeia para travar o ímpeto de desinformação do Kremlin.

Entre outras ideias, transformando a revolução de Maidan numa operação nazi encapotada — vimos bem a expressão residual dos partidos de extrema‐direita nas eleições presidenciais e legislativas ucranianas em 2014. Ou difundindo a anexação da Crimeia como uma resposta às manifestações populares — sabemos hoje que o plano estava a ser arquitectado ainda antes da queda de Ianukovitch e dos contactos mantidos desde 2012 entre o Kremlin e as milícias ao seu serviço na Crimeia, nomeadamente grupos paramilitares cossacos ou o clã de motards Night Wolves, os mesmos grupos que, em 2015, inauguraram um busto de Putin como imperador romano. Ou ainda inventando literalmente casos de violações de adolescentes russas às mãos de muçulmanos em países da Europa, ampliando o medo e a intolerância reacendidos por outros casos, esses sim reais. A mesma estratégia fora usada durante os conflitos na Ucrânia, com histórias de horror forjadas, fazendo crer em massacres que não ocorreram ou abafando por completo o número de tropas russas mortas em combate. Hoje sabemos que foram mais de dois mil homens, mesmo que Putin continue a negar qualquer presença no terreno. A desinformação é sobretudo dirigida à imensa minoria russófona espalhada pela Europa, mas o foco vai para a Alemanha e os países bálticos, de tal maneira que a Letónia e a Lituânia, através das suas entidades reguladoras para os media, decidiram suspender temporariamente, em 2014, as emissões dos canais detidos pela estatal russa VGTRK e, já em 2016, com Riga a encerrar efectivamente a versão letã da Sputnik.

Aliás, e vão perdoar‐me o microprotagonismo, mas deixo‐vos também aqui um exemplo pessoal, quando a mesma Sputnik, versão inglesa, em Outubro de 2015, adulterou um artigo meu publicado dias antes no Diário de Notícias, intitulado «Uma guerra com fim». Numa peça baseada nesse artigo, intitulada «US can no longer throw obstacles in Russia’s way in Syria» [«Os EUA já não conseguem lançar obstáculos no caminho da Rússia até à Síria»], transformaram a frase «a aviação russa, as tropas iranianas, as milícias curdas e a retaguarda política chinesa ocuparam o vazio da acção ocidental na Síria» em «o analista acrescentou que, em graus diferentes e com meios diversos, a Rússia, o Irão, os curdos e a China avançaram, de modo a ocuparem o vazio de segurança na Síria, que foi criado pelo Ocidente». Não é certamente a mesma coisa falar em «vazio da acção ocidental» e «vazio de segurança na Síria, que foi criado pelo Ocidente».

"O iliberalismo putinista encontra em Marine Le Pen e Viktor Orbán dois aliados, mas é de Donald Trump que quero falar. O candidato à Casa Branca tem na Rússia longo trajecto de negócios, o que por si só não quer dizer nada, mas já lança neblina sobre o assunto."

Isto vale o que vale, mas trilha o seu caminho. Aliás, foram vários os analistas europeus que partilharam comigo semelhantes episódios. O caminho da manipulação da mensagem em favor da bajulação de uma narrativa só interessa à popularidade de Putin. Admirar a Rússia, a sua História, cultura e os amigos que lá tenho não pode jamais ser confundido com o branqueamento feito a um seu líder político. Eu não misturo os planos.

Se já temos aprendizes de Putin na Europa, só nos faltava mesmo um admirador em Washington. Não há mal em desejar boas relações com a Rússia e cooperar na resolução de dilemas comuns, como o terrorismo, a proliferação nuclear, as alterações climáticas ou a estabilidade do sistema financeiro. A Rússia faz parte da história da Europa e vai continuar a fazer. Coisa diferente é cortejar o actual regime, branquear o seu revisionismo agressivo, validar o exercício de poder de Putin e as suas ambições externas. É que as principais são totalmente contrárias aos interesses das democracias ocidentais: estilhaçar a UE e fazer implodir a NATO.

O iliberalismo putinista encontra em Marine Le Pen e Viktor Orbán dois aliados, mas é de Donald Trump que quero falar. O candidato à Casa Branca tem na Rússia longo trajecto de negócios, o que por si só não quer dizer nada, mas já lança neblina sobre o assunto. Difícil de aceitar é que tenha no núcleo restrito de conelheiros para a política externa um antigo consultor da Gazprom que toda a vida fez profissão das negociatas com os oligarcas russos. Carter Page, como Trump, defende um «desanuviamento» da relação com Moscovo, leia‐se levantamento das sanções após a anexação da Crimeia e instigação à guerra no Donbass, as quais, como o próprio Page admite, lhe têm estragado vários negócios. Não duvido.

Há ainda duas perigosas convergências entre Trump e Putin: ambos vêem a NATO como obsoleta, seja por custar demais a Washington ou por ser uma ameaça nacional; e Trump desdenha o chapéu nuclear americano à Europa e aos aliados asiáticos, enquanto Putin investe na modernização do seu aparato nuclear e nem os pés pôs na cimeira sobre o assunto que teve lugar em Washington em Abril de 2016. Ao contrário do seu slogan de campanha — America First —, o que Donald Trump quer é a América barricada. Bela receita para o fim do Ocidente liberal que Vladimir Putin despreza.

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