Wi-Fi, transportes e segurança. Como está Lisboa a preparar-se para a Web Summit?

31 Outubro 2017131

Taxistas não vão fazer preços especiais porque "não têm os milhões da Uber". Regressa o Passe Web Summit. Podem estar 37 mil dispositivos ligados ao Wi-Fi do evento. PSP vai cortar várias ruas.

(atualizado às 17h55 do dia 3 de novembro com novas informações)

Os problemas com a rede Wi-Fi foram uma das razões que levaram o fundador da Web Summit, Paddy Cosgrave, a deixar Dublin — onde aconteceram as edições entre 2009 e 2015 — e a escolher Lisboa para ser a sua nova casa, no ano passado. Mas quando se mudou para a capital, os problemas de Internet vieram na bagagem. Na primeira apresentação em palco, a 8 de novembro, Cosgrave tentou fazer um live streaming no palco do MEO Arena, mas falhou. A PT explicou que Paddy Cosgrave estava conectado a outra rede wi-fi e não há rede da Web Summit, daí a falha. Ainda assim, o fundador disse ao Observador que a internet na edição do ano passado estava a funcionar a “99,8%”. Este ano, o fundador da Web Summit já garantiu: “O Wi-Fi vai funcionar a 99,9%”. Mas vai mesmo? A Altice diz que sim. Este ano, 67 mil dispositivos poderão estar ligados ao mesmo tempo à rede Wi-Fi — mais 14 mil do que no ano passado.

Paddy Cosgrave: “Wi-Fi da Web Summit vai funcionar a 99,9%”

Esta segunda-feira, Cosgrave disse também que já foi atingida a “capacidade máxima” de pessoas que a Web Summit pode receber este ano. No ano passado, mais de 53 mil pessoas de 166 países visitaram Lisboa para a Web Summit. Isso significa que este número pode aumentar este ano. Pode também significar carruagens de Metro cheias e aumento do trânsito em Lisboa.

A Carris, o Metro e a CP voltam a unir-se num passe combinado. A Cabify vai disponibilizar carros com oito lugares — a categoria Group — e códigos promocionais. A Uber regressa com o uberPOOL. Já os taxistas não preveem descontos: “Podíamos era aumentar o preço”, disse ao Observador Florêncio de Almeida, presidente da ANTRAL, associação que representa o setor.

Um evento com a dimensão da Web Summit implica um reforço na segurança. A PSP Vai cortar várias ruas na zona do Parque das Nações, Bairro Alto, Cais do Sodré e Alcântara. Vai estar ainda em colaboração com o Metro de Lisboa para garantir um serviço de transporte com as condições de segurança adequadas.

Altice. Uma rede de Wi-Fi que aguenta 67 mil dispositivos em simultâneo (mais 14 mil do que no ano passado)

Fonte oficial da Altice — parceira tecnológica e patrocinadora do Web Summit — garantiu ao Observador que todos os espaços estão dotados com cobertura wi-fi adequada ao nível de exigência e à dimensão do evento: “Serão asseguradas condições para dotar os espaços com cobertura Wi-Fi de alta densidade e alta disponibilidade”. Segundo a empresa, poderão estar 67 mil dispositivos ligados ao mesmo tempo à rede Wi-Fi. Em 2016, a rede aguentava apenas 53 mil dispositivos, estando a infraestrutura a ser dimensionada para o dobro dessa capacidade.

“O nosso relacionamento com a Web Summit vai muito além de patrocinadores, somos parceiros não só na tecnologia implementada no evento, como disponibilizamos o espaço para os seus escritórios em Lisboa e partilhamos uma visão comum no apoio a startups e ideias inovadoras”, pode ler-se num comunicado disponível no site.

A rede não se limita apenas ao espaço onde vai decorrer a Web Summit: além do Parque das Nações, o Cais do Sodré, Bairro Alto e LX Factory — zonas onde decorrerão ações associadas ao evento, como as Night Summit — e Ericeira, onde vai acontecer o Surf Summit terão reforçada a rede móvel do MEO, confirmou fonte oficial ao Observador.

Cabify ou a “alternativa para os participantes da Web Summit”. Carros de oito lugares e descontos

Pela altura da edição da Web Summit do ano passado, a Cabify tinha chegado a Portugal há seis meses: atualmente, a Cabify regista mais de 160 mil utilizadores, disse fonte da empresa ao Observador. Na edição deste ano, a Cabify espera um crescimento do número de viagens. “Acreditamos ser uma alternativa de mobilidade de peso para os participantes da Web Summit“, disse a empresa ao Observador.

Acreditamos ser uma alternativa de mobilidade de peso para os participantes da Web Summit”, disse a empresa ao Observador.

Nestes dias da Web Summit — entre 6 a 9 de novembro — não só a categoria Group vai disponibilizar carros até oito lugares como vai oferecer 20% de desconto para utilizadores privados, em viagem até 25 euros. Basta inserir um código promocional que a Cabify vai disponibilizar na aplicação e nas redes sociais, no dia em que arranca o evento. Os clientes empresariais não irão precisar de código promocional. Nas viagens de e para o local do Web Summit durante os dias do evento terão automaticamente 15% de desconto.

Uber. Regressa o uberPOOL que foi testado durante 10 dias em 2016

Quanto aos serviços especiais da Uber, haverá uma redução de 25% no custo das viagens através da plataforma, mas apenas para quem aceite dar boleia a outros utilizadores e dividir despesas com eles: é o serviço uberPOOL.

Lisboa vai receber milhares de pessoas durante o Web Summit, o que terá impacto na mobilidade na cidade. Com o uberPOOL, queremos ajudar a manter Lisboa em movimento, incentivando a que mais pessoas possam viajar em menos carros” refere Rui Bento, diretor geral da Uber para a Ibéria, em comunicado.

Usar o uberPOOL não traz grandes exigências: basta pedir a viagem na aplicação, selecionar o modo de viagem uber POOL e, caso exista alguma outra pessoa a fazer um trajeto semelhante naquele momento, a aplicação encarrega-se de ligar automaticamente os utilizadores para que partilhem as suas deslocações.

Rui Bento defende que soluções como esta serão “cada vez mais importantes para o futuro da mobilidade nas cidades”. O diretor geral informou que o objetivo da empresa é “trazer opções de mobilidade mais partilhadas às cidades portuguesas”.

Além da edição passada da Web Summit, em que a funcionalidade foi testada durante 10 dias, a Uber já tinha usado esta funcionalidade uma segunda vez, de 4 a 31 de julho deste ano, durante os festivais de verão.

Táxis. Descontos? Nem pensar: “Os táxis não têm milhões como a Uber”

A estratégia dos taxistas é diferente da Uber ou da Cabify. Passa apenas por deslocar os táxis para a zona do Parque da Nações, zona onde acontece a Web Summit. É, aliás, o que fazem sempre: “Os táxis deslocam-se para onde há mais possibilidade de ter clientes”, explicou o presidente da ANTRAL, Florêncio Almeida, ao Observador.

Questionado sobre a possibilidade de fazerem descontos durante o período da Web Summit, o presidente afastou essa ideia: “Podíamos era aumentar o preço. Descontar não, porque os táxis não têm milhões como a Uber tem para dar as pessoas. Os táxis não estão em saldo”. No entanto, a Cooptáxis diz-se “pronta para garantir o transporte dos 60 mil participantes da Web Summit” em Lisboa. Vai estar com uma frota de mais de 600 automóveis na Avenida Boa Esperança, uma praça de táxis temporária criada especialmente para o evento, junto ao Hotel Myriad “com unidades móveis controladas por operadores munidos de tablets e intercomunicadores para que se consiga rapidez tecnológica dos serviços pedidos”.

Já a mytaxi vai oferecer 50% de desconto a todos os clientes que optarem por utilizar o serviço de táxis via app para se deslocarem até ao Parque das Nações — uma campanha que vai decorrer de dia 2 a 12 de novembro. A frota mytaxi também será reforçada para os dias do evento. “Ninguém conhece melhor os recantos da cidade que os taxistas, e é por isso que preparámos a nossa frota para dar resposta aos pedido”, disse o diretor geral Pedro Pinto em comunicado.

Regressa o passe Web Summit e é dada a garantia: “Não faltarão bilhetes”

A par do que aconteceu na edição do ano passado, a CP (Comboios de Portugal), a Carris e o Metro voltam a unir-se num passe combinado — o passe Web Summit — com três modalidades. Um dia custa 10 euros, três dias custam 20 e cinco dias custam 25. O cartão está incluído no valor. O passe será vendido nas zonas de entrada para a Web Summit e na FIL (Feira Internacional de Lisboa).

“A expetativa é de crescimento face a 2016, tendo em atenção, nomeadamente, as notícias que dão conta de que é esperado um aumento significativo do número de participantes”, disse a CP ao Observador.

No ano passado, cerca de 10 mil passageiros foram transportados nos dias do evento, nos comboios da CP. Este ano, esse número deverá aumentar: “A expetativa de transporte de passageiros é de crescimento face a 2016, tendo em atenção, nomeadamente, as notícias que dão conta de que é esperado um aumento significativo do número de participantes”.

Além do passe combinado, a CP — que volta este ano a ser parceira da Web Summit — vai oferecer uma tarifa especial de 2 euros nas viagens de ida e volta nos comboios urbanos CP em Lisboa: comboios que circulam na linha de Sintra, linha de Azambuja, linha de Cascais e linha do Sado.

Vai haver um aumento das máquinas de venda de bilhetes para transportes públicos, de acordo com garantia dada pela secretária de Estado da Indústria, Ana Lehman, em entrevista à agência Lusa. Lehman garante também que não irá haver falta de bilhetes de transportes: “Há um stock de bilhetes que dá para o ano todo, segundo me disseram, deram-nos todas as garantias que não faltarão bilhetes e postos de distribuição”.

O Metropolitano de Lisboa, a Carris e a CP vão marcar presença nos locais de acreditação do evento, designadamente no Aeroporto e na FIL, prestando a informação e o encaminhamento dos visitantes para o transporte público e ainda venda de títulos de transportes. Nas estações Aeroporto, Oriente, Alameda, São Sebastião, Restauradores, Baixa Chiado e Cais do Sodré, o serviço de apoio ao cliente será reforçado.

Trânsito condicionado no Parque das Nações e zona do Bairro Alto

Passe o rato por cima do mapa para ver as indicações acerca dos condicionamentos de trânsito. Os pontos a preto indicam os condicionamentos de trânsito, os pontos vermelhos marcam pontos de referência e o ponto verde simboliza o MEO Arena, onde decorrerá o Web Summit entre 6 e 9 de novembro.

O regresso da Web Summit ao Parque das Nações vai provocar condicionamentos no trânsito no Parques das Nações, Cais do Sodré e Alcântara entre os dias 27 de outubro e 13 de novembro. Entre os dias em que o evento decorre, de 6 a 9 de novembro, é encerrada a circulação em toda a Alameda dos Oceanos e na Avenida do Índico entre a Alameda dos Oceanos e a Avenida Dom João II, onde será garantido o acesso ao parque e a operações de cargas e descargas. A Rua do Bojador é encerrada à circulação no troço entre a Rotunda da Lágrima e a Alameda dos Oceanos e a Avenida da Boa Esperança estará condicionada à circulação entre a rotunda dos Vice-Reis e a Torre Vasco da Gama, ficando apenas circulável para viaturas autorizadas. Ainda nesse período de tempo, a Avenida do Atlântico é encerrada à circulação no lado Norte, entre as 7h e as 22h do dia 6 e entre as 7h e as 20h nos restantes dias.

Entre 6 e 9 de novembro é possível que, em caso de necessidade face ao elevado número de pessoas, sejam encerradas ruas do Bairro Alto. Haverá também condicionamentos na Rua da Misericórdia, Cais do Sodré e zona envolvente ao Lx Factory. A polícia vai estar em peso na rua para coordenar o trânsito perante todas estas mudanças, avisa a Câmara Municipal de Lisboa.

Num prazo mais alargado, é encerrada a circulação na Avenida do Atlântico e na Alameda dos Oceanos, junto à FIL, entre 27 de outubro e 13 de novembro. Entre esses dias, a circulação na Rua do Bojador é invertida, com exceção nos dias entre 5 e 9 de novembro, período em que estará encerrada à circulação no troço entre a Rotunda da Lágrima e a Alameda dos Oceanos.

Segurança. Medidas não são demais: “Nunca se deve facilitar”

Não é por Portugal ser um dos “três países mais seguros do mundo” que não serão tomadas medidas de segurança. A secretária de Estado da Indústria, Ana Lehman, disse, em entrevista à agência Lusa, que “nunca se deve facilitar”. “Do ponto de vista da segurança, com o mundo em que vivemos, apesar de Portugal estar no top três dos países mais seguros do mundo, nunca se deve facilitar e tomamos as medidas mais importantes”, disse.

Lehman não garante que “tudo correrá bem” mas dá uma certeza: “Fizemos tudo o que estava ao nosso alcance”.

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