Explicador

A ameaça é real? Até onde irá o conflito na Coreia do Norte?

Janeiro 201703 Janeiro 2017
João Francisco GomesEdgar Caetano

Quais são as ameaças da Coreia do Norte?

Pergunta 1 de 7

(Este Explicador, originalmente publicado a 3 de janeiro de 2017, foi atualizado e expandido a 16 de abril)

A Coreia do Norte tem um longo historial de ameaças, sobretudo dirigidas aos Estados Unidos, à Coreia do Sul e à China. Desde as mais retóricas, como a de tornar a capital da Coreia do Sul, Seul, “num mar de fogo”, em 1994, às mais concretas, como a de que tem mísseis prontos a atingir o continente dos EUA, o regime norte-coreano tem emitido frequentemente todo o tipo de avisos.

Uma das mais recentes foi feita no primeiro dia do ano, durante a mensagem de ano novo do líder norte-coreano, Kim Jong-un. No discurso, Kim garantiu que o regime entrou “na fase final de testes do míssil balístico intercontinental”, depois de em 2016, ano em que terá efetuado dois testes nucleares, a Coreia do Norte se ter tornado numa “potência nuclear”.

Depois de ter afirmado que construiu um dispositivo nuclear em miniatura, capaz de ser alojado em mísseis de longo alcance, o líder norte-coreano sublinhou que o país já “pode equipar os seus mísseis balísticos intercontinentais de um novo tipo com ogivas nucleares mais poderosas e manter ao alcance de tiro todas as zonas cheias de malfeitores da Terra, incluindo a zona continental dos EUA“.

A South Korean man watches a television screen showing North Korean leader Kim Jong-Un's New Year speech, at a railroad station in Seoul on January 1, 2015. North Korean leader Kim Jong-Un said he was open to the "highest-level" talks with South Korea as he called for an improvement in strained cross-border relations. AFP PHOTO / JUNG YEON-JE (Photo credit should read JUNG YEON-JE/AFP/Getty Images)

(Imagem: JUNG YEON-JE/AFP/Getty Images)

Um ano antes, o regime norte-coreano tinha divulgado a ameaça que foi levada mais a sério: a de que o país teria em sua posse uma bomba de hidrogénio, um dispositivo nuclear ainda mais poderoso do que a bomba atómica.

Em dezembro de 2015, Kim Jong-un sublinhou que a Coreia do Norte se tinha tornado um “estado de armas nucleares poderosas pronto a detonar bombas atómicas e de hidrogénio auto-suficientes para defender de forma confiável a soberania e a dignidade da nação”, deixando o resto do mundo em estado de alerta.

Mas há mais: o facto de Kim Jong-un ter feito o anúncio do míssil intercontinental no primeiro dia do ano pode não ser uma coincidência. Quem o afirma é Thae Yong-ho, diplomata norte-coreano que desertou para a Coreia do Sul.

Num encontro com jornalistas sul-coreanos, citado pelo The New York Times, o diplomata revelou que o regime de Pyongyang está a aproveitar as mudanças de liderança nos Estados Unidos (onde Trump tomou posse a 20 de janeiro) e na Coreia do Sul (onde a presidente, Park Geun-hye, foi destituída em dezembro) para fazer avançar o programa nuclear.

Questionado pelos jornalistas sul-coreanos sobre as condições em que o programa avançaria, Thae Yong-ho sublinhou que a Coreia do Norte não teme sanções da China, já que uma queda do regime de Kim Jong-un poderia abrir portas a uma Coreia unificada e pró-americana junto à fronteira chinesa.

Enquanto Kim Jong-un estiver no poder, a Coreia do Norte nunca vai desistir das suas armas nucleares, mesmo que lhe ofereçam um bilião ou dez biliões de dólares de recompensa“, destacou o diplomata.

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