Explicador

Caos nas urgências. O que se está a passar nos hospitais portugueses?

Janeiro 201811 Janeiro 20181.675
João Francisco Gomes

Qual a solução?

Pergunta 5 de 9

Uma “reconfiguração” do SNS, defende a investigadora Marianela Ferreira. “A população devia estar mais sensibilizada para a importância de não ir imediatamente à urgência, mas recorrer aos serviços de apoio 24 horas e recorrer ao médico de família”, explica, sublinhando que a solução tem de passar por “ouvir mais os profissionais” e por reconhecer “as competências da medicina familiar”.

“Há que dar às pessoas mais informação sobre o que é a medicina familiar e sobre a complementariedade entre as duas respostas — medicina familiar e os hospitais”, defende a investigadora, sublinhando que o problema atual com o pico da gripe é exemplo da “lacuna relativamente ao investimento que deve ser feito pelo SNS junto da população” em termos de informação.

“A Direção-Geral da Saúde tem feito um papel importante. Está todos os dias na comunicação social a divulgar, a promover a vacinação. Mas o SNS tem de se afirmar mais, tem de se mostrar mais, tem de se reestruturar mostrando, por exemplo, que tem vacinas disponíveis para os mais vulneráveis, que tem médicos de família habilitados, centros de saúde com condições, deve deixar muito clara a ideia de que não é necessário envolver os hospitais na questão da gripe”, defende Marianela Ferreira.

O presidente da Associação de Administradores Hospitalares, Alexandre Lourenço, diz que a solução também passa por evitar que parte da população mais fragilizada necessite dos cuidados hospitalares. “Muitas pessoas que aparecem nas urgências são idosos descompensados porque não tomaram medicação que deviam ter tomado, muitas vezes porque não os conseguem comprar”, explica. Por isso, o responsável defende a “majoração da comparticipação de medicamentos, para que as pessoas tenham capacidade de os comprar e não vão parar às urgências com crises evitáveis”. A medida, considera, seria melhor do que subir generalizadamente as reformas para toda a gente.

Já para Guadalupe Simões, é necessário aproximar os cuidados de saúde das populações para poupar as urgências hospitalares. Contudo, diz a dirigente sindical, “os profissionais de saúde estão habituados a estar dentro das paredes dos hospitais” e que, por isso, “a discussão não será fácil”.

Também o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, partilha da mesma opinião. “O Ministério da Saúde e a Direção-geral da Saúde deviam ter começado há muito tempo uma campanha de habituação relativamente ao recurso aos cuidados de saúde primários”, disse esta semana à agência Lusa.

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