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Explicador

O futuro do processo Sócrates: o que pode acontecer?

21 Novembro 2015126
Luís Rosa

Quais as consequências para a procuradora-geral Joana Marques Vidal?

Pergunta 12 de 12

Fica sujeita a uma maior pressão de José Sócrates e de alguns setores do PS que são próximos do ex-primeiro-ministro — o que, no cenário político atual, com os socialistas a chegarem ao governo, não é negligenciável.

Este processo não é um caso qualquer. É histórico por envolver um ex-primeiro-ministro e por o mesmo ter sido preso preventivamente durante cerca de nove meses. Qualquer falhanço do MP será diretamente cobrado à sua líder: Joana Marques Vidal. Tal como uma vitória (leia-se condenação em primeira instância) ser-lhe-á creditada no seu currículo como PGR.

Contudo, mesmo no caso de derrota não é crível que Joana Marques Vidal possa ter o seu mandato posto em causa. O mandado tem a duração de seis anos e só termina em outubro de 2018. Mesmo a pressão de um futuro governo PS dependerá muito da influência que Sócrates ainda tenha junto da liderança socialista. E aqui temos que recordar que António Costa sempre negou comentários sobre o processo, separando claramente as águas e recusando qualquer espécie de leitura de perseguição política ao PS por parte da Justiça. Estas posições enfureceram José Sócrates — que alegava precisamente a tese do “processo político” e estava à espera da proteção do seu partido — e afastaram aqueles que foram aliados políticos internos na ascensão de Sócrates à liderança socialista.