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Mitos e verdades sobre as vacinas

Abril 201719 Abril 2017306
Rita Porto

Crianças que tenham tido reações anafiláticas após vacinação devem ser submetidas a outras vacinas?

Pergunta 3 de 10

De acordo com o Programa Nacional de Vacinação (PNV), as reações adversas mais frequentes são “reações ligeiras no local da injeção”.

O PNV refere ainda que a prevenção é a melhor abordagem para as reações anafiláticas, pelo que os médicos devem perguntar se a criança já teve reações anafiláticas a “alimentos, medicamentos, picadas de insetos” ou a outras vacinas e/ou componentes de vacinas como “alergias específicas a leveduras, a gelatinas, ao ovo e a antibióticos.”

Luís Varandas, coordenador da Comissão de Vacinas da Sociedade de Infecciologia Pediátrica e da Sociedade Portuguesa de Pediatria, afirma ao Observador que uma reação anafilática a uma vacina “pode ser uma contraindicação a revacinar com a mesma vacina, mas não com outras”. “E mesmo assim há alternativas: perceber qual o componente a que a criança é alérgica e fazer uma vacinação a nível hospitalar”, ou seja, em ambiente controlado.

“Os choques anafiláticos [um tipo de reação anafilática aguda] provocados pelas vacinas são muito raros”, defende Jorge Atouguia. O especialista adianta que há “vacinas conhecidas por poderem provocar respostas alérgicas agudas” e que estão “contraindicadas a determinadas pessoas”, mas os profissionais que administram as vacinas sabem desta situação e perguntam previamente ao doente e/ou familiar.

“Há vacinas que não podem ser feitas por pessoas que têm alergias aos seus componentes”. Por exemplo, a vacina da febre amarela e do sarampo é produzida a partir de ovos e embriões de galinha, logo as pessoas que sejam alérgicas ao ovo não podem fazer esta vacina.

O PNV refere que “podem ocorrer reações de hipersensibilidade não grave a componentes das vacinas. Estas reações não implicam uma contraindicação à vacinação (exemplo: alergia ao ovo). A vacinação deve ser realizada como habitualmente”.

Nestes casos de reações alérgicas, ou não se vacina de todo ou “existem vacinas que são produzidas de outra forma”. “Quando há uma quantidade de pessoas que não pode fazer a vacina ou que não tem uma boa resposta a uma determinada vacina, há sempre grupos que tentam desenvolver outras vacinas.” É caso da vacina contra a hepatite B, por exemplo: há pessoas que não reagem bem e já estão a ser estudadas outras vacinas.

Quando uma pessoa faz uma reação alérgica, acrescenta Jorge Atouguia, é preciso “estudar o assunto”, nomeadamente “decompor os componentes [a vacina] e perceber a que é que essa pessoa é alérgica”. No caso da vacina do sarampo, a título de exemplo, uma vez que não se trata de uma “vacina isolada” — a VASPR são três vacinas numa: contra o sarampo, a parotidite (papeira) e rubéola –, é importante perceber se a reação alérgica foi exclusivamente à vacina contra o sarampo ou contra as outras doenças.

“Não é de ânimo leve que decidimos não fazer essas vacinas”, defende.

Carlos Alves também sublinha que, dependendo das vacinas, existem “alternativas” e que se pode delinear um “esquema vacinal para contornar o problema”. “Não se vai deixar de fazer todas as vacinas por causa de uma reação alérgica a uma vacina”, defende Carlos Alves. Ainda assim, o infecciologista refere que há vacinas que podem nunca vir a ser feitas.

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