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Explicador

O que nos esconde a antimatéria?

29 Dezembro 2016173
Marta Leite Ferreira

O que descobriu o CERN?

Pergunta 1 de 8

Pela primeira vez, e ao fim de vinte anos de experiências, os físicos do CERN conseguiram observar o espectro luminoso emitido por um átomo de anti-hidrogénio (elemento da antimatéria) em estado excitado (ou seja, num nível de energia não estável). Quando o compararam com o emitido por um átomo de hidrogénio em condições iguais, confirmaram aquilo que já tinha sido previsto pelas leis da física: ambos os espectros luminosos são precisamente iguais.

Foi também a primeira vez que mantivemos átomos de anti-hidrogénio durante o tempo suficiente para serem alvos de estudo. Até há bem pouco tempo, quando os conseguíamos criar em laboratório, eles destruíam-se em bilionésimos de segundo. Como os átomos de antimatéria são extremamente raros na natureza – só os podemos encontrar quando ocorre decaimento radioativo -, todas as esperanças de estudar melhor a antimatéria estavam depositadas no projeto ALPHA do CERN, que agora deu frutos.

De acordo com o relatório publicado na Nature, a equipa do projeto ALPHA conseguiu formar 25 mil átomos de anti-hidrogénio e conservar catorze deles para estudo. É um número quase doze vezes maior do que as experiências passadas. Foi assim que o CERN chegou a mais uma evidência de que “a antimatéria é um reflexo completo da matéria”, conforme explica Tim Tharp, membro da equipa.