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Porque é que os EUA atacaram a Síria?

Abril 201707 Abril 2017120
João de Almeida Dias

Porque é que os EUA atacaram a Síria?

Pergunta 1 de 8

Os Estados Unidos atacaram a base aérea de al-Shayrat, perto da cidade síria de Homs, porque acreditam que foi dali que partiram os aviões do regime de Bashar al-Assad que terão lançado um ataque com armas químicas sob a cidade de Khan Shaykhun na terça-feira, matando pelo menos 86 civis.

A acusação foi feita por Donald Trump (e não só) ao longo desta semana. Já na quinta-feira, o Presidente norte-americano colocara a hipótese de agir militarmente, de forma pontual e isolada, na Síria. Ao final do dia, momentos antes de jantar com o Presidente da China, Xi Jinping, anunciou o ataque à base aérea de al-Shayrat.

Nesse anúncio, que não passou dos três minutos, Donald Trump acusou “o ditador sírio” de lançar “um horrível ataque com armas químicas contra civis inocentes”. “Foi uma morte lenta e brutal para várias pessoas, até lindos bebés que foram cruelmente assassinados nestes ataques bárbaros”, disse o Presidente dos EUA.

Donald Trump defende que “não há dúvida de que a Síria usou armas químicas proibidas” e acredita que “é essencial para o interesse da segurança nacional dos EUA prevenir e dissuadir o uso de armas químicas letais”.

Numa outra conferência de imprensa, o secretário de Estado e chefe de diplomacia dos EUA, Rex Tillerson, disse que os EUA tiveram de agir porque “claramente a Rússia falhou na sua responsabilidade” de garantir a destruição e controlo sobre o arsenal químico sírio, que foi acordada em 2013, num compromisso onde esteve envolvido Barack Obama.

“Claramente a Rússia falhou na sua responsabilidade de cumprir o que foi acordado”, disse Rex Tillerson horas depois do ataque. O secretário de Estado dos EUA foi claro a apontar o dedo à Síria, onde até há pouco tempo, quando era empresário petrolífero, era recebido de braços abertos. “Ou a Rússia é cúmplice ou é simplesmente incompetente no cumprimento desse acordo.” Ainda assim, o chefe da diplomacia dos EUA disse que “não se deve, de qualquer modo, extrapolar que [os ataques] mudaram a nossa política ou postura em relação à Síria”.

No entanto, por mais que Rex Tillerson insista, parece evidente que os EUA acabaram de mudar de rumo ao atacarem, pela primeira vez desde que a guerra da Síria começou, posições leais ao regime de Bashar al-Assad.

Até por outra coisa que Rex Tillerson disse numa outra conferência de imprensa, horas antes: “O papel de Assad no futuro é incerto e com as ações que ele tem tomado, parece que não há espaço para ele governar o povo sírio”. Ora, por mais que Rex Tillerson diga uma e outra coisa no mesmo dia, uma coisa é certa: os EUA nunca tinham atacado o regime de Bashar al-Assad e isso terá repercussões.

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