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Explicador

Sete respostas para entender o fecho de fronteiras de Trump

31 Janeiro 2017120
João de Almeida Dias

Qual é o contexto desta ordem executiva?

Pergunta 1 de 7

A medida que levou Donald Trump a fechar as fronteiras dos EUA a cidadãos de sete países de maioria muçulmana e em situação instável nasceu há mais de um ano. No dia 7 de dezembro de 2015, cinco dias depois de um casal que jurou fidelidade ao Estado Islâmico ter matado 14 pessoas num tiroteio na Califórnia, Donald Trump fez um discurso marcante da sua candidatura, na altura numa fase ainda embrionária.

Como é seu costume apenas quando quer ser claro e evitar interpretações erradas, Donald Trump leu uma das suas promessas de campanha a partir de um papel. “Donald J. Trump está a pedir um encerramento total e completo de muçulmanos nos EUA até que os governantes do nosso país consigam perceber que raio é que se está a passar!”, disse, para depois, já com os olhos levantados do papel, ser aplaudido pela plateia. “Nós não temos outra escolha!”

Naquela altura, Donald Trump ainda era apenas um candidato entre quase 20 às primárias republicanas. Assim, foi fácil para o speaker da Câmara dos Representantes, Paul Ryan, que à altura era o republicano com o cargo elegível mais cimeiro, criticar o magnata nova-iorquino. “Isto não é conservadorismo”, disse .”Não só há muitos muçulmanos a servir nas nossas forças armadas, a morrer por este país, também há muçulmanos a trabalhar aqui mesmo na Câmara [dos Representantes], a trabalhar todos os dias para defender a Constituição.”

Além de Paul Ryan, também o homem que Donald Trump viria a escolher para seu vice-Presidente o criticou na altura. Mike Pence, que então era governador do Indiana e que antes de se juntar a Donald Trump viria ainda a declarar o seu apoio a Ted Cruz, disse na altura que “um pedido para proibir muçulmanos de entrarem nos EUA é ofensivo e inconstitucional”.

Desde então o mundo já deu muitas voltas — Donald Trump ganhou a nomeação e alguns meses depois as eleições. Pelo meio, Trump tentou emendar a mão e dizer que não queria fechar as fronteiras a muçulmanos — mas continuou a insistir no fim da entrada de refugiados nos EUA, alegando ser impossível saber quem eles são e assegurar que não há terroristas entre eles.

Foi neste contexto que surgiu a ordem executiva que Trump assinou na sexta-feira e que resultou naquela que foi até agora a sua medida mais controversa, causando várias manifestações em aeroportos de todo o país e merecendo declarações negativas de vários políticos norte-americanos — Paul Ryan, já agora, não está entre eles, e Mike Pence estava ao lado de Donald Trump enquanto ele assinava a ordem executiva.