Explicador

SIRESP volta a falhar. Como funciona este sistema de emergência que falha nas catástrofes?

Junho 201722 Junho 2017437
Pedro Rainho

Que empresas estão na sua origem?

Pergunta 4 de 11

O negócio da rede SIRESP foi acordado entre o Ministério da Administração Interna e um consórcio liderado pela antiga Sociedade Lusa de Negócios (SLN, agora Galilei), que detinha nessa época o Banco Português de Negócios.

A SLN, com uma participação de 33% na sociedade anónima, é a principal acionista – mas a insolvência declarada pela empresa levou a que, atualmente, o lugar que lhe cabe na administração da SIRESP, S. A. seja assegurada por um administrador judicial; a antiga PT, através da PT Participações, detinha uma participação de 30,55% e a Motorola, principal parceira tecnológica, tem uma participação de 14,9% na sociedade; a Esegur, empresa do antigo Banco Espírito Santo ligada ao setor da segurança, tem 12% do negócio; a Datacomp, outro parceiro tecnológico, tem a fatia mais pequena da empresa, com uma participação de 9,55%.

Analisando os vários parceiros, rapidamente se constata que, das empresas que entraram inicialmente no negócio, pelo menos três – SLN, PT e Esegur – sofreram mudanças profundas na sua estrutura. Depois do escândalo que abalou o Banco Português de Negócios, a SLN passou a Galilei antes de acabar na falência. A PT foi adquirida pela gigante franco- israelita Altice e a sua participada, a PT Participações, acabou por ser integrada na órbita da brasileira Oi. A Esegur fazia parte do Grupo Espírito Santo no momento em que o banco foi alvo de intervenção pública.

Bom negócio? Para os privados, sim, considera Fernando Alexandre, ex-secretário de Estado adjunto da ministra da Administração Interna do anterior Governo. Foi ele quem iniciou o processo de renegociação do contrato que acabaria por ser assinado já pelo atual executivo. E, num artigo de opinião publicado no jornal Eco, o ex-governante diz que “o contrato continua a ser mau para o Estado”, apesar de defender que se trata de “uma rede de comunicações da maior importância para Portugal”. No entanto, o sistema continua a revelar dificuldades de operação e ainda não atua como uma rede de comunicação única entre as várias entidades.

A própria estrutura acionista da SIRESP, S. A. suscita reservas a Fernando Alexandre. “Estes associados, conhecidos pelas suas ligações ao poder político representam o pior da promiscuidade no nosso regime económico e político, como hoje todos sabemos. Esta é sem dúvida uma das razões da má fama” do sistema.

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