CDS-PP

Ao centro e à direita

Autor
  • João Maria Condeixa
221

Não é a primeira vez que o CDS é o único partido não socialista em Portugal e que fica com todo o espaço à direita. A história diz-nos que isso, por si só, não é assim tão vantajoso como pode parecer.

Que PSD ganhou? Que PSD votou em Rio? A avaliar pela campanha foi um PSD que não se importa de ser próximo do PS e de António Costa, conquanto lhe possa ser sucedâneo no poder. Um PSD que não é alternativo ao PS mas que lhe pretende ser alternância. Que a alternativa não virá pelo discurso nem pelo programa, virá pelos protagonistas, sobretudo quando os do governo estiverem desgastados. E é isto: percebeu-se que há um partido disponível para o poder e, sobretudo, disponível para aguardar pelo poder.

Portugal pode esperar por um partido que espere pelo poder? Não seria inédito. Basta vermos as travessias no deserto que PS e PSD fizeram em momentos diferentes. Desde que houve um bloco central que estes partidos raramente subiram ao poder por mérito direto, mas antes por desgaste dos que estavam no governo. Ora essa é uma receita vencedora que nem traz muito trabalho. Só é preciso ser-se visto como alternância mais do que alternativa. E é por isso que o PSD de Rio se quer aproximar do PS: para que o eleitorado que partilham possa rodar à vez. Para que o eleitorado oscile ao centro de forma natural.

Tal posicionamento, dirão alguns, é um ganho para Assunção Cristas. Porque à direita o terreno fica disponível. Livre para ser seduzido pelo CDS-PP desde que este se assuma como partido de direita. Discordo.

O PSD ao aproximar-se mais deste PS não abre assim tanto o centro-direita, já que boa parte do eleitorado lhe segue as pisadas. Como dizem as leis da física sobre gravitação: “Toda a matéria atrai matéria. Quanto maior a massa dos corpos maior é a atração. Quanto maior é a distância entre os corpos, menor é a atração.” Por isso, quanto mais próximos estiverem PS e PSD, maior poderá ser a sua capacidade de atrair eleitorado ao centro.

Não é a primeira vez que o CDS é o único partido não socialista em Portugal e que o espaço à direita fica todo para si. A história diz-nos que isso, por si só, não é assim tão vantajoso para o CDS como à primeira vista poderá parecer.

Um PSD muito próximo do PS, sem que haja grandes diferenças entre os dois, não significa automaticamente um oceano azul para o CDS navegar. Como digo, pode aliás criar um grande pólo aglutinador ao centro funcionando como um buraco negro para o eleitorado. Por isso, CDS, calma nos festejos!

Se o CDS quer crescer deve persistir ao centro e à direita. Não deve desejar nem se deixar ghettizar à direita só porque esta ficou mais a descoberto.

As eleições não se ganham ao centro mas não se ganham sem ele. É fundamental que o CDS consiga continuar a congregar diferentes sensibilidades ao centro e à direita. Para isso tem de continuar o caminho que tem vindo a percorrer nunca esquecendo que trava também esta batalha ao centro. E que o faz trabalhando muito, apresentando soluções ideologicamente sólidas, mas sobretudo pragmaticamente resolutivas. O debate não é de agora. Em tempos Lucas Pires chamou-lhe uma resposta assente numa “democracia-cristã liberal”. Pretendia conjugar dois bons mundos que não se excluem e tantas vezes se encontram no CDS. Uma receita baseada no trabalho rumo a um centro-direita tolerante, humanista, democrático, pelo progresso, com opções capitalistas e preocupações democratas-cristãs que sirva a Portugal como alternativa ao socialismo. E nunca como mera alternância.

Continuar ao centro como à direita é condição necessária para o CDS se afirmar alternativa e disputar umas eleições com o PS e PSD.

Gestor, Membro da Comissão Política Nacional do CDS-PP, Deputado Municipal de Lisboa

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