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Miguel Tamen

Colunista

mtamen@observador.pt

Sou professor  (e director do Programa em Teoria da Literatura) na Universidade de Lisboa.   Dei aulas em várias universidades americanas, nomeadamente, desde 2000 como visitante, na Universidade de Chicago.  Fui senior fellow no Stanford Humanities Center e Rockefeller Fellow no National Humanities Center.  Escrevi vários livros, o último dos quais What Art Is Like, in Constant Reference to the Alice Books ver mais... (Harvard University Press).

Crónica

Acesso privilegiado

Miguel Tamen

Há profissões que dependem da ideia de que os seus profissionais têm um acesso privilegiado a segredos e mistérios que os outros nunca estarão em posição de conhecer. 

Crónica

Espírito de escada

Miguel Tamen

Ao descer a escada imaginamos a glória que não tivemos; ou a que teríamos tido se por acaso as nossas melhores ideias nos aparecessem sempre que deviam. 

Crónica

Bibi

Miguel Tamen

No contexto judicial das publicações periódicas e dos tribunais, o tratamento por diminutivo é avesso à presunção de inocência, enquanto o tratamento por título académico lhe é favorável.

Crónica

A ideologia alemã

Miguel Tamen

Aqueles que exprimem reservas acerca da ideia de vínculos permanentes entre pessoas, são também quem defende com denodo mais particular a ideia de emprego monogâmico e para sempre. 

Crónica

Os mártires mentais

Miguel Tamen

A marca infalível do estúpido é achar que é inteligente; e a marca infalível do muito estúpido é achar que faz parte de uma reduzida minoria de pessoas inteligentes.

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Crónica

A extracção

Miguel Tamen

Para eu poder conhecer um segredo de alguém tenho de ser capaz de formular as premissas de um raciocínio de que não conheço a conclusão; ou os termos de um problema para que não conheço a solução.

Crónica

O conservador

Miguel Tamen

A esperança de todos os conservadores genuínos é fazer os outros estimar as coisas que não existem em fresco, as coisas que só nos chegam em conserva.

Crónica

A ingratidão

Miguel Tamen

Não adianta queixarmo-nos da ingratidão do mundo em geral, mesmo com razão. Como o mundo não pode ser ingrato, não pode perceber as nossas queixas.

Crónica

A filosofia pelo fado (II)

Miguel Tamen

A Casa da Mariquinhas representa o triunfo da sociedade civil. O ambiente é de domesticidade calma. Exerce-se uma profissão; e, claro está, a mobília é limpa com óleo de amêndoas doces. 

Crónica

O estilo português elevado

Miguel Tamen

O que impressiona na oratória portuguesa é o afinco com que os oradores perseguem posições elevadas. São as posições de quem se ocupa de assuntos que nenhum facto poderá afectar.

Crónica

Os apanhados

Miguel Tamen

Se nos fosse garantido que em nenhum caso seríamos alvo de conspiração ou troça, quase todos gostaríamos de assistir ao êxito de uma conspiração bem urdida contra terceiros. 

Estados Unidos da América

A América

Miguel Tamen

Na Europa as pessoas comuns preferem a saúde à liberdade; os teólogos preferem a esperança à caridade; e os juristas a injustiça ao erro. Na Europa prefere-se tudo à América.

Crónica

Os sapatos dos outros

Miguel Tamen

Não é claro que poder sentir as mesmas coisas que os outros, sobretudo se esses sentimentos forem de aflição, dependa de um esforço que possamos fazer. E também não é claro que o devamos fazer sempre 

Crónica

Um ananás a tempo

Miguel Tamen

Na música portuguesa, generalizou-se a ideia de que ao que é português convém ser descrito como parte do mundo; e que se trata de um assunto de conversa extraordinamente digno.

Crónica

Azuis e verdes

Miguel Tamen

Não é de excluir que as principais ideias políticas modernas sejam de origem desportiva. A noção de vitória política é uma ideia desportiva; e o tom das celebrações políticas e desportivas é o mesmo.

Crónica

As fábulas

Miguel Tamen

As fábulas não dependem da semelhança entre animais e pessoas. Dependem antes da reputação de certos animais.Uma fábula sem animais de reputação conhecida não seria uma fábula mas apenas um romance. 

Impostos

Os presuntos implicados

Miguel Tamen

O ‘pagamento por conta’ estipula que, para efeitos fiscais, na vida tudo se repete, e o futuro será sempre igual ao passado. É assim que os impostos devem ser pagos antes de haver causa para o fazer.

Crónica

O Monopólio

Miguel Tamen

No jogo do Monopólio, as coisas mudaram para pior, mas talvez por uma boa razão: porque as pessoas deixaram de sentir necessidade de serem lembradas de como a vida pode ser melhor. 

Crónica

A filosofia pelo fado (I)

Miguel Tamen

O fado da Moda das Tranças Pretas dá uma lição filosófica: a de que muitos costumes, convicções e hábitos começaram por ser versões cómicas de coisas desaparecidas.