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Miguel Tamen

Colunista

mtamen@observador.pt

Sou professor  (e director do Programa em Teoria da Literatura) na Universidade de Lisboa.   Dei aulas em várias universidades americanas, nomeadamente, desde 2000 como visitante, na Universidade de Chicago.  Fui senior fellow no Stanford Humanities Center e Rockefeller Fellow no National Humanities Center.  Escrevi vários livros, o último dos quais What Art Is Like, in Constant Reference to the Alice Books ver mais... (Harvard University Press).

Crónica

Um certo tempo

Miguel Tamen

O que é dizer uma coisa? Se eu contei um segredo a mim próprio não posso ser acusado de bisbilhotice ou de traição: não disse nada. 

Crónica

A eliminação do bebé

Miguel Tamen

A relação entre religião e sentimento não augura nada de bom; não porque os sentimentos não sejam genuínos, mas porque o que se diz sobre religião é quase sempre um efeito desses sentimentos.

Crónica

O amor à arte

Miguel Tamen

O amor à arte não se vê na maior parte dos casos em salas de concertos, galerias de exposições e em livros publicados. Vê-se pelo contrário frequentemente nos horrores em que tanto de nós insistem.

Crónica

Ocasiões de choradeira

Miguel Tamen

O maior serviço que a televisão presta é pelo contrário o de proporcionar a quem nela aparece a falar ocasiões de choradeira: dar azo ao apreço que quem fala sente por si próprio.

Crónica

O cidadão às compras

Miguel Tamen

A Loja do Cidadão parece sugerir que a nossa relação com o estado pode ser descrita como uma relação de comércio. Mas isso é dar-lhe um aspecto de primeira necessidade que talvez seja exagerado.

Crónica

A complexidade deste mundo

Miguel Tamen

A complexidade das sociedades é uma ideia que as pessoas costumam ter sobre as sociedades em que vivem. Inversamente, a simplicidade é uma característica atribuída a sociedades em que não vivem.

Crónica

A filosofia pelo fado (III)

Miguel Tamen

Os fadistas, quando cantam, falam de si próprios? Mas os melhores fadistas são aqueles que sabem que cantar o fado não é falar, nem dar recados, e que a letra do fado pouco pode esclarecer. 

Crónica

O culto do inexprimível

Miguel Tamen

Quem acha que uma coisa é inexprimível sente-se também normalmente inclinado a exprimi-lo. Por isso, poucos de nós se contentam em dizer que não há nada a dizer sobre o cheiro do pão.

Crónica

O desporto

Miguel Tamen

Ao ouvir falar desportistas nem mesmo alguém disposto a considerar os benefícios do desporto entreterá a noção de que as suas almas se possam encontrar numa posição de sanidade. 

Crónica

Ter razão

Miguel Tamen

A nossa razão não pode consistir em dizer que temos razão; ter razão não é uma razão adicional que temos: é apenas uma opinião que os outros poderão vir a ter sobre as razões que demos.

Crónica

O mistério da educação (X)

Miguel Tamen

Se fazer uma tese de doutoramento é sempre fazer uma coisa, será fazer uma coisa sempre fazer uma tese? De facto, a relação entre ‘fazer coisas’ e ‘fazer teses’ não é clara. 

Crónica

A protecção do consumidor

Miguel Tamen

A psicologia da protecção do consumidor é primitiva, porque visa eliminar o facto ineliminável de haver escolhas. Exprime assim relutância em imaginar um mundo cheio de impulsos, contradições e riscos

Crónica

Acesso privilegiado

Miguel Tamen

Há profissões que dependem da ideia de que os seus profissionais têm um acesso privilegiado a segredos e mistérios que os outros nunca estarão em posição de conhecer. 

Crónica

Espírito de escada

Miguel Tamen

Ao descer a escada imaginamos a glória que não tivemos; ou a que teríamos tido se por acaso as nossas melhores ideias nos aparecessem sempre que deviam. 

Crónica

Bibi

Miguel Tamen

No contexto judicial das publicações periódicas e dos tribunais, o tratamento por diminutivo é avesso à presunção de inocência, enquanto o tratamento por título académico lhe é favorável.

Crónica

A ideologia alemã

Miguel Tamen

Aqueles que exprimem reservas acerca da ideia de vínculos permanentes entre pessoas, são também quem defende com denodo mais particular a ideia de emprego monogâmico e para sempre. 

Crónica

Os mártires mentais

Miguel Tamen

A marca infalível do estúpido é achar que é inteligente; e a marca infalível do muito estúpido é achar que faz parte de uma reduzida minoria de pessoas inteligentes.

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Crónica

A extracção

Miguel Tamen

Para eu poder conhecer um segredo de alguém tenho de ser capaz de formular as premissas de um raciocínio de que não conheço a conclusão; ou os termos de um problema para que não conheço a solução.

Crónica

O conservador

Miguel Tamen

A esperança de todos os conservadores genuínos é fazer os outros estimar as coisas que não existem em fresco, as coisas que só nos chegam em conserva.

Crónica

A ingratidão

Miguel Tamen

Não adianta queixarmo-nos da ingratidão do mundo em geral, mesmo com razão. Como o mundo não pode ser ingrato, não pode perceber as nossas queixas.