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Fogo de Pedrógão Grande

Não esqueceremos!

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Passou um mês sobre a tragédia de Pedrogão e as perguntas mais simples e repetidas pelo povo, que não carecem de investigação detalhada, mas apenas de capacidade politica, clamam ainda por resposta.

A tragédia de Pedrogão aconteceu há um mês. Temos e teremos na memória as imagens de um fogo letal, arrastando tudo e todos, devastando terras e matando famílias inteiras. Feridos, não sabemos quantos, continuam hospitalizados e a lutarem pela vida. Alguns deles são bombeiros sobre os quais a informação continua a ser escassa e só é prestada quando o governo é instado a fazê-lo pelas incómodas perguntas que lhe dirigimos.

Depois de 17 de junho já muita coisa aconteceu perante um País perplexo. Veio a vergonha nacional do furto de armamento em Tancos, acentuando a descredibilização do governo na frente da defesa e da segurança interna e pondo em cheque a confiança nas chefias militares. Depois do “soco no estômago” e da “decapitação de cinco comandantes”, por agora, vítimas de uma presunção de culpa, veio uma explicação que seria risível não fora a autoridade e a responsabilidade de quem a deu: afinal parte substancial das armas furtadas estaria obsoleta e destinada a abate. E a Nação estupefacta pergunta-se: quem é que está a enganar quem em toda esta história?

Ficou, entretanto, a saber-se que o governo não formalizou o pedido junto de Bruxelas destinado a acionar o fundo de solidariedade para apoio às vítimas dos incêndios, provocando com a sua inação a reação da Comissária Europeia que veio declarar que não se pode acelerar o que não existe! Com isto, no mínimo, perdeu-se tempo na obtenção de apoios que tão precisos são e acentuou-se a ideia de inaptidão total do governo para lidar com os momentos difíceis e exigentes.

Durante esta sucessão de problemas o Primeiro Ministro retirou-se. Desviou-se do centro da polémica. Recolheu-se num refúgio à prova de impopularidade. Protegeu-se enquanto o País sofria. Nada de mais incompreensível para uma Nação em rescaldo de um drama imenso e com um bando de armas a voarem de um paiol, do que ver o responsável máximo do governo fora do País, tentando fazer passar uma ideia de normalidade que não existia para ninguém.

Debateu-se depois o Estado da Nação. Nação em choque perante a inércia de um governo que sucumbiu e se desarticulou à primeira grande dificuldade. Nação que assiste à degradação de instituições que deveriam permanecer, em qualquer contexto político, pilares sólidos da nossa democracia. Nação que, à ausência de respostas, viu somar-se a falta de iniciativa, a falta de ação, a incapacidade do governo de apoiar as pessoas, de lhes devolver, pelo menos, parte dos bens que perderam.

Passada uma semana sobre o inicio desta tragédia o PSD desafiou o governo a aprovar rapidamente um mecanismo que pudesse ressarcir financeiramente os familiares das vitimas daquela tragédia. A única resposta que recebemos do Primeiro Ministro foi a de que existiam outras prioridades! Perante esta paralisação, agimos nós. O PSD formalizou um Projeto de Lei e um de Resolução que determinam a assunção por parte do Estado da responsabilidade de indemnizar os herdeiros das vitimas mortais e os familiares dos feridos graves, recomendando ainda ao governo a aprovação de medidas expeditas destinadas a minimizar as consequências dos incêndios florestais, em todos em todos os concelhos afetados.

O desfile de ministros pelo território queimado continuou, mas problemas resolvidos não há nenhum. Passou um mês sobre a tragédia de Pedrogão e as perguntas mais simples e repetidas pelo povo, que não carecem de investigação detalhada, mas apenas de capacidade politica, clamam ainda por resposta:

  • porque continuam por distribuir toneladas de alimentos doados se existem pessoas que não têm o essencial para viver?
  • quantos psicólogos se encontram no terreno a prestar apoio às vitimas e seus familiares se tantas pessoas afetadas nunca receberam ajuda de ninguém?
  • porque se recusa e sacode a participação de voluntários, que se descolam aos territórios queimados por solidariedade, se o Estado continua inoperacional e não consegue ser eficaz no apoio às populações?
  • como vai ser gerido o dinheiro doado pelos particulares que quiseram apoiar diretamente os bombeiros se nas normas aprovadas pelo governo, para gestão dos donativos privados, os bombeiros não são expressamente mencionados como destinatários destas verbas?

Prometemos. Não nos vão silenciar. Não nos calaremos enquanto as respostas não forem dadas e as responsabilidades políticas não forem assumidas.

Não esqueceremos!

Deputada eleita pelo distrito de Leiria, Vice-Presidente do Partido Social Democrata

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