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França

O show de Trump e Macron, no Dia da Bastilha

Autor
  • António Sacavém

Desta vez, Trump quis mostrar que estava à altura da criatividade de Macron, nesta disputa silenciosa pela obtenção de perceções de autoridade, junto do grande público.

Trump e Macron deram um show no plano da dominância, numa disputa silenciosa pela obtenção de perceções de autoridade, junto do grande público.

O Presidente dos Estados Unidos participou, hoje, da parada militar em Paris, a propósito da comemoração do Dia da Bastilha. Desta vez, Trump bateu o seu record, com um aperto de mão a Macron, que durou 29 segundos.

O último encontro entre ambos, já tinha dado que falar em matéria de comunicação não-verbal, com Macron a recusar-se a libertar a mão do seu homólogo, no final do ritual do aperto de mão.

Na altura, Macron explicou ao Jornal du Dimanche que “o seu aperto de mão com Trump não era inocente” e comparou-o à sua própria liderança, dizendo: é fundamental demonstrarmos que não faremos quaisquer concessões, nem mesmo simbólicas”.

Desta vez, Trump quis mostrar que estava à altura da criatividade de Macron, nesta disputa silenciosa pela obtenção de perceções de autoridade, junto do grande público.

O episódio começa com Trump a conceder uma mão dominante a Macron, enquanto caminham vagarosamente. Trump, a certa altura, para e puxa a mão de Macron, deixando-o visivelmente desequilibrado (0:11). De seguida, continua a puxar a mão de Macron para o seu espaço pessoal e força o Presidente Francês a virar-se para ele. Nos segundos seguintes, começa uma luta épica entre ambos, com puxões de um lado para o outro. Trump consegue, inclusivamente, manter esta dinâmica com Macron, enquanto segura a mão da primeira-dama Francesa e a cumprimenta com dois beijos na face, deixando Melania, por momentos, do lado de fora da interação (0:21). O show termina com as já famosas três pancadinhas neutralizadoras na mão de Macron, seguidas de um conjunto de gestos finais de dominância, parcialmente compensados pelo Presidente Francês.

Os lideres políticos continuam a investir na comunicação não-verbal, de maneira cada vez mais vincada, como forma de influenciarem o processo de formação de impressões. A ciência suporta esta atitude. Sabemos, também, que quem falha na preparação, está mais apto a falhar. É relevante questionar, porém, se o aumento da intensidade destes confrontos silenciosos e a forma evidente como acontecem, não começa a criar uma erosão no capital de autenticidade e credibilidade dos seus protagonistas. A comunicação humana é eficaz, na medida em que se manifesta de forma competente. Não deve ser descurada, porém, a naturalidade que, em essência, a caracteriza.

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