Manifestações

Violência policial: um novo negócio público?

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Fica aqui a sugestão para a PSP: que tal começar a oferecer, aquando das manifestações sindicais, estudantis, professorais e outras, o serviço de prisões simbólicas, como faz a polícia de Berkeley?

A cidade de Berkeley, na Califórnia, é regularmente notícia. Por investimentos empresariais que diminuem a taxa de desemprego? Raramente. Devido a descobertas cientificas que melhoram as condições de vida da humanidade? De quando em quando. Por ocasião de protestos estudantis que degeneram em violência? Frequentemente.

Porque será que numa cidade universitária, dedicada à cultura, à arte e à ciência há tanta violência? Devido a uma grande concentração de jovens que começam a explorar o mundo sem controlo parental? Oxford, em Inglaterra, também o é, mas raramente é notícia devido a protestos ou a violência estudantil. Porque será então?

Um artigo recente do WSJ dá uma pista. Quando um grupo quer organizar uma manifestação em Berkeley deve-o comunicar à polícia. “Para facilitar a expressão pacífica de discurso protegido constitucionalmente”, o departamento da polícia de Berkeley, no seu site na net, pede aos organizadores que façam o download de um conjunto de formulários, os preencham e os entreguem do Departamento Recreativo (e o que são manifestações senão uma forma de recreação pública?). De entre a informação pedida inclui-se o seguinte:

· Objetivo do protesto
· Data e hora do protesto
· Percurso pretendido
· Estimativa do número de participantes
· Nome dos organizadores
· …
· Pretendem-se prisões simbólicas?
· Em caso positivo, as prisões simbólicas devem ser onde e quando?

Fica aqui a sugestão para a PSP: que tal começar a oferecer, aquando das manifestações sindicais, estudantis, professorais e outras, o serviço de prisões simbólicas? A polícia de Berkeley não cobra nada por estas prisões. No entanto, em Portugal, atendendo não só à situação difícil das finanças públicas (um deficitzinho de 2% do PIB por ano ainda é muito dinheiro, que acresce à dívida pública), mas também devido à tendência nacional “para aproveitar” tudo o que é de graça, seria recomendável que este serviço cobrasse taxas moderadoras do tipo:

· Prisão à frente de fotografo: €100
· Prisão à frente de camaras televisivas: €200
· Bastonada à frente de camaras televisivas: €400
· Ataque com cão polícia à frente de fotografo: €800
· etc

Repare-se que o conceito não tem de se aplicar apenas à polícia. Faculdades de Humanidades poderiam passar a cobrar a intelectuais para organizarem boicotes simbólicos às suas conferências. Assim ficam todos a ganhar: as faculdades aumentam as suas receitas e os intelectuais ganham fama de perseguidos. As forças armadas poderiam cobrar a países estrangeiros por invasões simbólicas. Se o cliente fosse a Espanha, por exemplo, podia usar a invasão como justificação para proibir referendos na Catalunha. Se fosse a Venezuela podia culpar a falta de produtos básicos ao imperialismo português. (nota: à Venezuela conviria cobrar o serviço à cabeça).

Outras possibilidades de negócio não faltarão ao Estado. Basta um pouco de imaginação e a constituição de um grupo de trabalho no Ministério da Finanças dedicado ao assunto.

Professor de Finanças, AESE Business School

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