O Banco Central Europeu pode voltar a cortar as taxas de juro de referência no início de junho, fazendo descer inclusivamente a taxa de juro que cobra aos bancos para depositarem dinheiro no banco central para valores negativos, notícia hoje a Reuters.

A instituição liderada por Mario Draghi estará a preparar um plano com várias opções detalhadas para tentar reavivar a economia da zona euro, para ser discutido na próxima reunião do conselho de governadores, segundo cinco fontes com conhecimento das medidas que estão a ser preparadas.

Segundo avançaram as mesmas fontes à Reuters, o corte nas taxas de juro é “mais ou menos certo”, e entre esses cortes poderá estar uma descida da taxa de juro para os depósitos feitos no banco central para valores negativos. A taxa atualmente está nos 0%, ou seja, os bancos comerciais que quiserem fazer depósitos no BCE já não recebem qualquer remuneração para o efeito.

Esta medida é debatida há já algum tempo, como forma de incentivar os bancos a emprestarem dinheiro entre eles e à economia real, em vez de o deixarem parqueado no BCE.

Com a crise na zona euro e o aumento da desconfiança sobre a estabilidade do sistema financeiro, muitos bancos optaram por fazer depósitos no BCE mesmo quando as taxas foram reduzidas substancialmente por receio de sofrerem perdas.

Mas não os cortes nas taxas podem ser transversais e fazer baixar ainda mais os juros (já em mínimos históricos) que o BCE cobra para emprestar aos bancos.

Nas principais operações de refinanciamento (empréstimos a uma semana) a taxa está atualmente nos 0,25% e também pode cair, assim como os juros cobrados na facilidade permanente de cedência de liquidez (empréstimos a muito curto prazo), que estão atualmente nos 0,75%.

Apesar do pacote de medidas também poder incluir medidas para apoiar as pequenas e médias empresas na zona euro, as opções não contemplam o muito esperado Quantitative Easing.

O Quantitative Easing (QE) consiste, em termos muito básicos, na injeção de liquidez na economia pelo banco central através da compra de ativos ilíquidos que os bancos têm no seu balanço. Comprando estes ativos, o BCE acaba por meter mais dinheiro na economia e os bancos ficam com os balanços mais livres para fazerem outros investimentos e emprestarem dinheiro às empresas e às famílias.

Os investidores têm especulado em torno da necessidade do banco central seguir este caminho fazendo uma compra de ativos em larga escala, como por exemplo o fizeram a Reserva Federal dos Estados Unidos e o Banco de Inglaterra, mas para já parecer que esta opção ficará na gaveta.