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França — Nigéria, às 17h (Sport.TV1)

O pior já passou. As zangas, as ameaças de greve, as bulhas nos treinos e as estrelas a testarem qual dos egos era o maior. A França seguiu com a vida. A Copa de 2010 foi um desastre (eliminada da fase de grupos, com um ponto e um golo marcado). Desses tempos só quatro jogadores restam e a diferença está aí. Que o digam Hugo Lloris, Bacary Sagna, Patrice Evra e Mathieu Valbuena.

Todos eles jogaram no grupo que os franceses terminaram a liderer (com sete pontos e oito golos marcados). Viu-se um Benzema endiabrado, esganado por mostrar ao mundo que também decide jogos sozinho. Um Cabaye armado em imitador francês de Andrea Pirlo — dos seus pés saem passes que descobrem espaços –, e, sobretudo, viu-se uma equipa. Uma equipa vinda da Europa capaz de realmente meter medo, algo pouco visto até agora no Mundial.

Oito anos depois, os gauleses voltam aos oitavos de final. Agora, é a vez da Nigéria testar o que a equipa de Didier Deschamps tem prometido. E a defesa que se cuide. Ameaças foi coisa que a fase de grupos pouco deu aos quatro últimos franceses responsáveis por protegerem a baliza de Lloris (Debuchy, Varane, Sakho e Evra?), mas algo deverá mudar. Emenike, o avançado nigeriano, uma mistura entre tanque e TGV, fez a vida negra a bósnia. Musa, extremo baixinho, fez o mesmo contra a Argentina.

E o resto da equipa africana encarregou-se de mostrar o suficiente para surpreender nos dois últimos jogos da fase de grupos — isto porque, no primeiro, contra o Irão de Carlos Queiroz, muito pouco mostraram de promissor. Mikel e Onasi controlam a bola a meio campo e, quando levantam a cabeça, têm em Emenike, Musa e Odemwingie homens rápidos que não tardam a chegar à baliza inimiga. Só o último estave na vítóra (1-0) contra a França, em 2009, no único duelo já realizado entre as duas seleções. Do outro lado, estiveram Benzema e Evra. Nesta luta, vencem os gauleses.

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Alemanha — Argélia, às 21h (RTP1)

Thomas Müller tem um novo objetivo — apanhar James Rodríguez. Depois de ver Arjen Robben ultrapassá-lo em golos, o avançado alemão torna a ver um jogador à sua frente na lista dos goleadores. O craque colombiano já leva cinco, os mesmos que o germânico marcou no Mundial da África do Sul, em 2010. Müller ainda ‘só’ vai com quatro e, agora, serão os argelinos a coincidir com esta corrida.

E logo a mesma onde também está Islam Slimani. Esse mesmo, o do Sporting, o avançado que, em três jogos, marcou dois golos (um frente à Coreia do Sul, outro contra a Rússia) e também já tem direito a aparecer neste grupo. O argelino, porém, não tem o privilégio de olhar para trás e ver em Toni Kroos, Bastian Schweinsteiger, Philip Lahm ou Mesut Özil os homens encarregues de lhe enviarem bolas prontas para entrarem na baliza. São estes os alemães que servem Müller.

Do lado argelino há Soufiane Feghouli, extremo do Valência, e Yacine Brahimi, outro do Granada, como os principais responsáveis por garantir que algo de perigoso sai do lado africano. Como aconteceu em 1982, da última vez que Alemanha e Argélia partilharam um relvado. Nessa altura, na fase de grupos do Mundial da Espanha, ainda havia Rabah Madjer, o avançado que antes de chegar ao Porto (em 1985) marcou o golo que deu a vitória (2-1) aos argelinos. Foi histórico. Tanto como o alegado arranjinho que, na última jornada da fase de grupos dessa Copa, os germânicos tiveram com os austríacos para mandar a Argélia para casa.

Agora, nada disso. São uns oitavos de final e só uma destas duas seleções pode seguir rumo aos quartos. Alemanha não rima com candidatura, mas é isso que a Mannschaft leva sempre que aterra num Mundial — os germânicos estão no Brasil para vencer. Ponto. E a Argélia? Bom, surpresa não será vê-los nesta fase, portanto, só uma vitória lhes garante uma entrada direta no livro da história de todas as Copas. É isso que vale eliminar os alemães tão precocemente: estes europeus não saem de um Mundial nesta fase desde 1938. Pois.