Nicolas Sarkozy foi levado esta manhã para interrogatório na sequência de alegações de “tráfico de influências” e “violação do segredo de justiça”, avança a agência de notícias AFP. Desde fevereiro que o ex-presidente francês está na mira da justiça, pelo alegado envolvimento em esquemas de corrupção e financiamento ilegal de campanha eleitoral.

Segundo o Le Monde, Sarkozy chegou esta manhã bem cedo à sede do centro de luta contra a corrupção e as infrações financeiras e fiscais da Polícia Judiciária, em Nanterre, onde estará a ser ouvido.

Ontem, já tinham surgido indicações de que o ex-chefe de Estado gaulês podia ser chamado à PJ depois de o seu advogado, Thierry Herzog, e os juízes Gilbert Azibert e Patrick Sassoust, terem sido detidos para interrogatório por terem alegadamente agido em favorecimento de Sarkozy, passando-lhe informações sobre os desenvolvimentos judiciais respeitantes aos processos em que o então Presidente pudesse estar envolvido.

As detenções surgem no seguimento das escutas telefónicas a que estavam sujeitos há vários meses e que levaram as autoridades à descoberta de um telemóvel clandestino, que Sarkozy usava apenas para falar com o advogado. Em causa estão informações desviadas sobre os casos de corrupção e de financiamento ilegal que, à data, ameaçavam a figura de Sarkozy se viessem a público. É o caso das eleições presidenciais de 2007, em que o ex-presidente terá aceitado ilegalmente dinheiro da Líbia de Muammar Kadafi e da herdeira da L’Oreal para financiar a sua campanha contra a socialista Ségolène Royal, ou o caso do empresário Bernard Tapie, que envolve também a ex-ministra da Finanças e atual diretora do FMI, Christine Lagarde, que diz respeito a uma indemnização estatal de 403 milhões de euros concedida ao empresário no seguimento da venda da marca Adidas.

Os factos remetem para a época entre 2007 e 2011, quando Nicolas Sarkozy estava no Eliseu.