Emoticon: uma representação simbólica de uma expressão.

Talvez seja mais fácil assim: :-) ou assim: :-(

Tudo começou em 1982. Um grupo de investigadores da Universidade Carnegie Mellon, nos EUA, estava a conversar num chat online e começou a imaginar como seria se os cabos do elevador do prédio fossem cortados, e este caísse em queda livre. Num tom divertido, apontaram logo várias hipóteses: e se estivesse uma vela no elevador? Ou um pombo? Ou mercúrio? A conversa seguiu o ritmo, e alguém escreveu: “Perigo! Por causa de uma experiência recente, o elevador foi contaminado com mercúrio!” Tendo em conta que não estavam a conversar presencialmente, colocou-se a seguinte questão: como transmitir que aquilo era uma brincadeira ao invés de parecer uma emergência real? Precisavam de qualquer coisa que simbolizasse o sarcasmo e a piada, reconhecendo que a conversa podia causar bastante preocupação.

Primeiro, alguém propôs um asterisco (*). Depois, um “&” no fim da frase. Finalmente, Scott Fahlman lembrou-se de um sinal de pontuação composto, o “:-)”. Ganhando a aprovação dos presentes, o anúncio histórico chegou:

“Eu proponho que se use a sequência de símbolos, apresentada em baixo, para demarcar uma piada”, escreveu.

“ :-) ”

“Éramos apenas nerds”, explica Fahlman, ainda hoje professor na Universidade de Carnegie Mellonao, ao The Atlantic. “Não era suposto ser algo sério”, conclui. Mas foi. O cientista de computação não sonhava, provavelmente, que com aquela ideia tão fortuita estaria a alterar a forma como as conversas se desenrolariam nas mensagens escritas, nos e-mails e em todas as plataformas digitais.

Mas o primeiro ícone pode ter aparecido muito antes. O autor do blog “I’ve been reading lately” (Tradução: tenho estado a ler), parece ter descoberto o verdadeiro autor dos “smiles”.

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Tumble me down, and I will sit
Upon my ruins, (smiling yet:)
Tear me to tatters, yet I’ll be
Patient in my necessity.
Laugh at my scraps of clothes, and shun
Me, as a fear’d infection;
Yet, scare-crow-like, I’ll walk as one
Neglecting thy derision.

Na segunda linha do excerto de “To Fortune” (Tradução livre: Para o Destino), de Robert Herrick, publicado em 1648, parece estar a semente dos ícones que mudaram a comunicação digital. Mas há quem ache que pode ser apenas um erro da impressão, que colocou acidentalmente dois pontos antes de fechar parêntesis. “Porque é que alguém haveria de se importar com um “smile” num poema do século XVII?”, questiona a jornalista Alexis C. Madrigal do The Atlantic.

Poucas pessoas continuam a usar o “smile” tal como Scott desenhou. Segundo um estudo do eBay Deals, em que foram analisados os “smiles” de 1000 internautas, mais de metade (58.9 por cento) prescinde do hífen. Ou seja, tiram-lhe o nariz :). Há também os que decidem realçar os olhos dos “bonecos”: oito por cento dos inquiridos optam pelo =). Não esquecer a versão do sorriso contido com uns olhos mais doces, como este ^_^, o sorriso rasgado :] , a verdadeira gargalhada :D e um sorriso mais maroto :p.

Para mostrar algum descontentamento, há a versão diretamente inversa  :-( , e há também quem use o :-/. São pequenas mudanças, mas a verdade é que hoje já não passamos sem incluir, aqui ou ali, estes “ícones”, certo? :-)