Uma caixa inteligente de medicamentos que tem um alarme visual e sonoro. Objetivo: lembrar quem está doente que está na hora de tomar a medicação. A ideia é de Diogo Ortega, 27 anos, fundador da Pharmassistant, startup que venceu o concurso do primeiro dia do evento Lisbon Investment Summit. A porta está agora aberta para um investimento de 80 mil euros da Smart Equity. Basta que as “negociações cheguem a bom porto”, diz ao Observador.

Formado em Gestão, em Londres, programa sozinho desde os 15 anos. É um autodidata, revela. Antes de se dedicar a cem por cento à Pharmassistant, Diogo Ortega era comissário de bordo na TAP. Despediu-se para dar corpo à ideia que surgiu depois de a avó ter trocado um medicamento que era para o avô. “Na altura, gerou algum stress na família e foi aí que me lembrei que devia haver uma solução melhor. Entretanto, estava a trabalhar num projeto que utilizava a mesma tecnologia que utilizamos para a caixa e percebi que podia ser uma das aplicações”, conta.

A caixa que convenceu o júri do evento organizado pela Beta-i em parceria com a IE Business School também tem um sensor de abertura. “Sabemos quando é que a caixa foi, de facto, aberta”, explica. Ligada a um serviço de monitorização na nuvem (cloud) permite que os familiares ou profissionais de saúde percebam se o utilizador está a tomar os medicamentos a horas.

Foi depois de vencer o Appy Day BPI que Diogo Ortega percebeu que a ideia tinha potencial de mercado. Despediu-se da TAP e passou a dedicar-se a 100% à Pharmassistant.

Lançada a ideia, desafiou-a: levou o conceito da Pharmassistant ao Appy Day BPI, uma competição para a criação de aplicações mobile, organizada pelo BPI em parceria com a Nos, Microsoft, Google GMS Store e TVI 24. No final, trouxe para casa o primeiro prémio: 14 mil euros. “Percebi que havia realmente potencial de mercado e fui à procura dos outros membros da equipa para começarmos a trabalhar mais a sério no projeto”, revela.

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Diogo Ortega e Sofia de Almeida, da Pharmassistant, depois de vencerem o prémio da Smart Equity

Em fevereiro, lançou a empresa, mas só começou a trabalhar a tempo inteiro no projeto dois meses depois. Atualmente, estão a desenvolver o protótipo em parceria com fabricantes e já têm a aplicação móvel. “Tendo uma componente de hardware é mais complicado do que se for só um site ou uma aplicação”, refere.

O trabalho dos últimos dois meses já deu frutos: a Pharmassistant recebeu investimento de uma empresa farmacêutica alemã, que convidou os empreendedores a estar três meses e meio em Berlim. Quando questionado sobre o valor, Diogo Ortega referiu que ainda não podia revelar. “Começamos em agosto e vamos aproveitar para desenvolver o produto e estar mais expostos”, revelou o fundador.

Até à data, a startup gastou cerca de seis mil euros a desenvolver a caixa inteligente. Os 14 mil euros do Appy Day BPI foram utilizados para desenvolver a empresa. Sobre o investimento de 80 mil euros da Smart Equity refere que estas negociações são “processos morosos”. “As pessoas vêm os programas na televisao, estilo Shark Tank e acham que aquilo [investimento] acontece logo, mas não. Nós ganhámos o prémio, mas ainda vamos negociar e ver se chegamos a bom porto. Os objetivos passam agora por desenvolver o protótipo para poder passar para a fase de teste a nível da experiência do utilizador”, revela.

No ar, sem aindaimes, cordas ou plataformas

Diogo Ortega e a sua caixa inteligente cativaram o júri do IE Investment Day, bem como a Cool Farm, mas foi a Vertequip que mais cativou o público. A startup de Pedro Gonçalves, 33 anos, tem um sistema que permite elevar uma pessoa no ar e movimentá-la numa estrutura, através de um comando remoto e um arnês. Desta forma, a pessoa consegue chegar a qualquer parte da estrutura sem utilizar cordas, andaimes ou plataformas elevatórias. O empreendedor de Aveiro adianta que o faz de uma forma “muito mais segura, rápida, produtiva e barata”.

A startup, que foi eleita pelo público presente no evento, já tem o equipamento desenvolvido, patenteado e certificado e exporta para três continentes — África, América do Sul e Europa. “Em Angola, estamos a fechar bons negócios para os prédios mais altos. O meu sócio está há quase cinco meses no Brasil e, na Europa, estamos sobretudo em Espanha e na Alemanha”, explicou ao Observador.

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Pedro Gonçalves a apresentar a Vertequip no Lisbon Investment Summit

Pedro Gonçalves começou a trabalhar no projeto há cerca de dois anos e meio e as primeiras vendas surgiram há seis meses. Os próximos objetivos passam pelos Estados Unidos da América, onde ainda em julho tem uma reunião com um potencial investidor e distribuidor. O objetivo é o de começar a introduzir o produto da Vertequip no país, “um dos maiores mercados mundiais para trabalhos em altura”.

Sobre a distinção do público, conta que é o reconhecimento do trabalho que a startup tem vindo a desenvolver. “É nestes eventos de empreendedorismo que nós encontramos energia para voltar ao trabalho no dia seguinte e enfrentar as dificuldades”, diz.

É preciso investir em setores menos “sexys”

Registaram-se no Lisbon Investment Summit quase 500 pessoas. No final do primeiro dia, o secretário de Estado da Inovação, Investimento e Competitividade, Pedro Gonçalves, adiantou que por cada empresa que fecha em Portugal, abrem duas. Pedro Gonçalves referiu que as empresas das novas tecnologias, como as que operam no setor das tecnologias de informação ou da biotecnologia são importantes, mas também é importante que se invista em setores mais tradicionais, não “tão sexys”.

O secretário de Estado referiu que, regra geral, uma em dez empresas tem sucesso e que o Governo “gosta muito” das nove empresas que não têm sucesso. “Estas nove empresas tentaram e não tiveram sucesso, mas são muito importantes, porque desafiaram as grandes empresas, forçando-as a reagir. É isto que faz a economia crescer”, disse, antes de assinar um manifesto europeu pela dinamização do crescimento europeu através da inovação e empreendedorismo.