Uma apresentação com 16 páginas sobre a conclusão de Alqueva foi enviada pela direção do CDS aos militantes do partido, enaltecendo o papel da ministra  e vice-presidente centrista Assunção Cristas no processo. O partido diz que o projeto é agora “uma realidade com o atual Governo”.

“De tantas vezes prometida, mas não realizada, a conclusão de Alqueva arriscava parecer uma espécie de ‘capelas imperfeitas’ no mundo rural. Era necessária a última parcela de fundos. E uma firme vontade política. Conseguimos”, diz o CDS.

Em Junho, Bruxelas deu luz ao Governo para a utilização de fundos estruturais comunitários para terminar o projeto Alqueva até 2015 e o CDS usou esta oportunidade para promover junto dos seus militantes a ação da ministra Assunção Cristas. O secretário-geral do partido, António Carlos Monteiro, enviou aos seus militantes um documento de 16 páginas com o título “Uma ministra para resolver os problemas”, enumerando o “enorme potencial produtivo por desenvolver” na região. “Explorações agrícolas”, “fixação de novas agro-indústrias” e “geração de emprego e de valor” são apenas algumas das vantagens que o CDS enumera no documento.

“A vice-presidente do CDS e ministra da Agricultura e do Mar, Assunção Cristas, garantiu em Bruxelas que será possível concluir o Alqueva, até ao final do ano de 2015, com recurso aos fundos estruturais. Este investimento tem um enorme impacto, não só na região em que se insere, como em toda a agricultura portuguesa”, refere o dirigente do CDS no email enviado.

O PCP, que tem acompanhado as andanças de Alqueva, assegura que o ministério e a ministra são “peritos em propaganda” e questiona o “modelo económico” defendido pelo Governo para o Alqueva. “Defendemos que a conclusão de Alqueva é importante, mas questionamos o modelo económico até porque consideramos que o que está a ser preparado não tem efeito a nível do desenvolvimento regional”, disse o deputado do PCP, João Ramos, ao Observador. Para João Ramos, uma das questões mais importantes em Alqueva e a empregabilidade e como é que o projeto ali a desenvolver pode ajudar a região de Beja a contornar “os altos níveis de desemprego” que apresenta.

No fim de maio, o PCP questionou o ministério sobre a possibilidade de uma parte do regadio ser utilizada para a plantação de eucaliptos – uma ajuda à indústria papeleira -, dizendo ser “pouco sensato” promover a produção de matéria-prima para uma indústria que consideram ser “autossuficiente” e defendendo um plano estratégico para Alqueva que vise a produção de cereais e outros produtos em falta no país. O ministério respondeu que “não se equaciona” plantar eucaliptos naquela região.

O PCP também contesta o anúncio do contrato da Agrolex com empresas da Arábia Saudita para a produção de luzerna – que vai servir para ração para animais no Médio Oriente – na zona do regadio de Alqueva e pretende saber se as terras de Alqueva serão utilizadas apenas para produtos produzidos para exportação. “Consideramos que Alqueva não deve seguir a receita do FMI e do Governo que as exportações é que são importantes. O projeto tem de dinamizar a economia local e o desenvolvimento dos seus efeitos tem de ser sentido”, refere João Ramos.