O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, pediu este domingo a israelitas e palestinianos que terminem com a violência em Gaza. “Demasiados civis palestinianos morreram e qualquer ofensiva terrestre israelita aumentará, sem qualquer dúvida, o número de vítimas e exacerbará o sofrimento dos civis na faixa de Gaza.”

O Ministério da Saúde de Gaza confirmou a morte de cerca de 160 palestinianos – entre eles cerca de 135 civis, incluindo 30 crianças – e mais de mil feridos durante os seis dias de guerra, refere a Reuters.

Em resposta, Telavive também foi bombardeada este domingo, fazendo disparar as sirenes de ataque aéreo e levando as pessoas a abrigar-se no aeroporto de Ben-Gurion. Desde o início da ofensiva já foram lançados mais de 800 rockets, mas sem causar mortos. Alguns foram interceptados, outros não chegaram ao destino por problemas no sistema de orientação.

Num comunicado do seu porta-voz, Ban Ki-moon condenou o lançamento de foguetes pelo Hamas e instou as duas partes a tomarem medidas “imediatas” para acabar com os combates, tal como o Conselho de Segurança da ONU tinha reclamado sábado.

Mas os apelos não têm sido suficientes para acabar com os bombardeamentos. Este domingo foram lançados folhetos sobre a cidade de Beit Lahiya, a norte da cidade de Gaza, com um aviso: “Aqueles que não cumprirem as instruções para sair imediatamente colocarão a sua vida e a vida das suas famílias em perigo. Tenham cuidado.” Outros receberam telefonemas a dizer que deviam sair.

O Ministério do Interior de Gaza, em comunicado na rádio do Hamas, condenou a “guerra psicológica” levada a cabo pelas advertências de Israel, aconselhando mesmo as pessoas a não abandonarem as suas casas.

Porém, cerca de 10 mil, das 70 mil pessoas que vivem na cidade, abandonaram a zona à procura de abrigo a sul, em oito escolas que estão agora sob a alçada da ONU. Além disso, cerca de 300 palestinianos com dupla nacionalidade abandonaram este domingo a Faixa de Gaza receando que Israel venha a intensificar ainda mais a operação militar, noticia a edição eletrónica do jornal israelita Yediot Aharonot.

Segundo a Reuters, um oficial do exército israelita informou os jornalistas internacionais por telefone que a área será alvo de fortes ataques durante a noite de domingo. “Os inimigos construíram infraestruturas para lançar rockets entre as casas [em Beit Lahiya]. Querem levar-me a atacar e a ferir civis”, declara o oficial. A manhã de domingo foi marcada por uma situação semelhante – uma operação terrestre em Sudanyia, no noroeste da Faixa de Gaza, à procura de uma base de lançamento de rockets -, informou a rádio pública israelita.

Apelo ao cessar-fogo

A reunião deste domingo que juntou os ministros dos Negócios Estrangeiros de França, Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido para discutir a política do nuclear, também criou oportunidade para que se manifestassem contra os acontecimentos na Faixa de Gaza, assumindo que o cessar-fogo era “uma prioridade absoluta”. Esta segunda e terça-feira o ministro dos Negócios Estrangeiros Alemão estará no Médio Oriente para se reunir com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e com o Presidente palestiniano, Mahmoud Abbas.

O presidente palestiniano pediu à ONU para colocar o Estado da Palestina sob «proteção internacional» das Nações Unidas, anunciou a Organização de Libertação da Palestina (OLP).

O secretário de Estado dos EUA John Kerry, apesar de ter visto a mediação de paz entre israelitas e palestinianos desfeita quando Netanyahu cancelou negociações, reafirmou, este domingo, que Washington apoia o direito de Israel à auto-defesa. Mas em conversa telefónica com o primeiro-ministro israelita terá mostrado a preocupação dos Estados Unidos com o aumento das hostilidades naquela região do globo, refere a Reuters.

Um estudo realizado pelo Canal 10 da TV israelita revela que 90% das maioria judaica do país apoia a ofensiva aérea. Em relação a uma ofensiva terrestre: 47% concordam, 32% disse que não e 21% estavam indecisos. Alguns israelitas foram mesmo fotografados a montar cadeiras e sofás numa colina da cidade israelita de Sderot para assistir aos bombardeamentos em Gaza.