O secretário-geral do PS, António José Seguro, considerou esta quinta-feira que a natalidade é uma debilidade estrutural que é preciso enfrentar criando emprego e não “com paliativos e relatórios de última hora” em final de legislatura.

No final de uma Visita ao Mosteiro de S. Miguel de Refojos e de uma receção na Câmara de Cabeceiras de Basto, António José Seguro respondia assim ao apelo deixado hoje pelo porta-voz do PSD ao PS para que participe num “consenso político” em torno do relatório para a natalidade, esperando que a “disputa interna” pela liderança dos socialistas “não contagie negativamente a discussão”.

“A natalidade é uma das debilidades que o país tem. É uma debilidade estrutural. É um problema que precisamos de enfrentar mas a primeira condição para o enfrentar não é com paliativos e não é com relatórios de última hora quando se está no final de uma legislatura, é criando emprego, é ajudando as empresas a preservar trabalho e criando novas oportunidades de emprego”, defendeu.

Na opinião do líder socialista, não se pode dizer aos jovens portugueses que emigrem e ao mesmo tempo que tenham filhos.

“É necessário, em primeiro lugar, criarmos um consenso na sociedade portuguesa – que aliás existe – no sentido de se criar emprego e se criarem condições para que as famílias tenham rendimento. Quando nós propomos o aumento mínimo nacional, quem é que fica fora desse consenso? O Governo”, criticou.

Perante a insistência dos jornalistas sobre o apelo ao consenso feito pelo PSD sobre esta matéria, Seguro disse apenas: “eu não me vou pronunciar absolutamente mais nada sobre isso”.

“Como sabem, o Governo se quiser tomar alguma iniciativa, ou os partidos políticos que suportam o Governo, apresentam iniciativas na Assembleia da República”, acrescentou.

Sobre a intenção do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, que o relatório do PSD sobre a natalidade siga agora para discussão pública, o líder socialista considerou ser “normal que os partidos façam a discussão pública das suas iniciativas”.

“Nós no dia 17 de maio apresentamos o nosso contrato de confiança, que também está em discussão pública. Eu gostaria, aliás, que tudo se concentrasse muito mais nessa discussão pública do contrato de confiança mas como sabem, infelizmente, não é isso que se está a passar no PS”, lamentou.

Sobre a questão do próximo comissário europeu português, o secretário-geral do PS garantiu que não dirá “mais nada, exceto quando julgar que é o momento adequado para o fazer”.

Interrogado sobre a situação interna do Bloco de Esquerda, Seguro disse apenas que as suas preocupações “são com os portugueses que passam dificuldades e com a situação no PS” e que “cada partido deve tratar dos seus problemas internos”.