O ex-ministro da Defesa do PS, Rui Pena, revelou esta quinta-feira ter recebido do então chanceler alemão Gerhard Schroeder uma carta em que aquele país “oferecia mundos e fundos” a Portugal para que comprasse submarinos de fabrico alemão. 

Rui Pena contou algumas das pressões que sofreu nos sete meses em que foi ministro da Defesa. A escolha, na altura, era entre submarinos de fabrico alemão e francês. E Pena revelou também ter sido abordado pelo seu homólogo francês em Bruxelas. “O ministro chamou-me em Bruxelas um dia para pedir uma reunião e disse-me em termos desabridos: ‘Vocês têm que adjudicar a compra como está na comissão de avaliação [na altura, punha o consórcio francês em primeiro lugar]’. Respondi diplomaticamente: ‘Quem manda em Portugal, somos nós'”. O ex-governante considerou, ainda assim, “uma pressão legítima”.

Rui Pena, na audição na comissão de inquérito parlamentar à compra de equipamentos militares, garantiu não ter tido contacto com representantes dos dois consórcios concorrentes. “Quis mostrar à evidência que, tal como a mulher de César, não basta sê-lo, também é preciso parecê-lo”, disse.

O ex-ministro da Defesa do PS, que foi dirigente do CDS, criticou a importância excessiva dada às contrapartidas na avaliação dos contratos de equipamento, mas não considerou a situação “pantanosa” como disse na quarta-feira o seu antecessor, Júlio Castro Caldas. E assumiu que foi durante o seu mandato que o Governo decidiu que os submarinos alemães eram melhores para a Marinha portuguesa do que os franceses.

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A compra de dois submarinos ao GSC foi decidida pelo ministro seguinte, Paulo Portas, que é ouvido sexta-feira no Parlamento.

O único contrato que Rui Pena assinou foi o dos helicópteros EH101, tendo o ex-ministro justificado a escolha, preterindo assim os norte-americanos Sikorsky, por terem “maior capacidade de carga e um terceiro motor”. “Eram melhores e mais poderosos”, explicou. Por outro lado, Pena sublinhou que na última proposta de compra (Best and final offer) a diferença entre os dois concorrentes tornou-se “extraordinariamente atenuada”.