Um anúncio televisivo de uma empresa de telecomunicações tailandesa está a dar que falar. O vídeo já foi visto mais de 11 milhões de vezes e mostra um pai a tentar acalmar o choro do seu bebé, primeiro com recurso ao seu smartphone e, no fim, pegando na criança.

Se porventura derramou uma lágrima ao ver o vídeo, saiba que essa reação está a ser considerada normal por muitos meios de comunicação que falam deste anúncio como “emocional” e “poderoso”. A mensagem difundida pela DTAC, a empresa de telecomunicações responsável pela campanha, é a de que “a tecnologia nunca substituirá o amor”, ou seja, que a tecnologia não é tudo na vida.

Enquanto muitos meios e dezenas de utilizadores do YouTube teciam rasgados elogios à campanha – “um vídeo obrigatório para os pais”, comentava uma pessoa – Adam Pasick, jornalista do Quartz que mora na Tailândia, publicava um texto em que classificava o anúncio como “cheirando pior do que uma fralda suja” [tradução livre; no original: “This viral smartphone ad about clueless dads stinks worse than a dirty diaper”].

“Qual é o mistério de pegar num bebé e embalá-lo quando ele está perturbado?”, pergunta Adam. Se o pai que aparece no anúncio “só agora é que se lembrou [de fazer isso ao] filho, que parece ter pelo menos um ou dois meses de idade, então merece pena, ou mesmo desprezo, por ter sido tão lento”.

E lembra que, na Tailândia como em muitos outros países do mundo, “a criação dos filhos é ainda vista como uma responsabilidade principalmente materna – o que não mudou muito mesmo depois de a economia tailandesa ter crescido rapidamente e situar-se agora ao nível dos países de rendimentos médios”. As taxas de natalidade são, também, crescentemente mais baixas naquele país.

Por estes motivos, Adam Pasick deixa um conselho à DTAC. “Quando chego a casa, ela [a sua filha] adora falar por FaceTime com a nossa família que está nos Estados Unidos; de cada vez que ela vê o meu pai no ecrã do iPhone, faz um grande sorriso para o avô. Talvez este seja um melhor assunto para o próximo anúncio chorão [tearjerker] da DTAC: a tecnologia nunca substituirá o amor – mas pode aumentá-lo.”