Pedro Passos Coelho optou esta quarta-feira pelo silêncio face à hipótese de a ministra das Finanças ser a próxima comissária europeia proposta por Portugal. “Não vou fazer, muito menos em público, qualquer especulação”, afirmou o primeiro-ministro, em Timor-Leste, questionado pelo jornalistas.

Maria Luís Albuquerque é o nome desejado por Passos Coelho para integrar a próxima equipa da Comissão Europeia, que será liderada por Jean-Claude Juncker, noticiou esta quarta-feira o Observador e o Expresso. Portugal quer, com este nome, assegurar uma pasta económica importante, depois de ter tido o lugar de presidente da Comissão Europeia nos últimos dez anos.

Sem desmentir tal informação, o primeiro-ministro preferiu dizer não ter “mais nada a acrescentar” às informações que já dera em público sobre o processo de escolha dos comissários europeus. Ou seja, que a conclusão deste processo foi adiado para o fim de julho.

O CDS, por seu turno, não quis pronunciar-se sobre esta hipótese, mas, segundo apurou o Observador, o nome de Maria Luís Albuquerque para a Comissão Europeia não oferece resistências, como aconteceu há precisamente um ano quando Passos a escolheu para substituir Vítor Gaspar.

Nessa altura, o CDS opôs-se à sua escolha (levando à demissão de Paulo Portas e a uma crise interna na coligação de Governo) por considerar que era a continuidade da política de Vítor Gaspar e devido ao seu papel na celebração de contratos swaps da Refer, de que foi responsável. Mas, pelos vistos, tudo mudou num ano. Se se concretizar a ida de Maria Luís para Bruxelas, os centristas aplaudem.

“A relação e a articulação com o vice-primeiro-ministro tem sido excelente e isso é que importa”, afirmou ao Observador um dirigente do CDS. “Não seguiu, por isso, a linha de Vítor Gaspar”, congratula-se outro centrista.

A saída da ministra das Finanças do Governo, ao fim de um ano, contudo, acarretará uma remodelação, precisamente numa altura em que a preparação do Orçamento do Estado para 2015 já está em marcha.

Nos meios sociais-democratas, voltam a ser falados os mesmos nomes que no ano passado: Carlos Moedas e Paulo Macedo.