O ex-presidente do BES, Ricardo Salgado, estará a ser ouvido em Tribunal, segundo o Correio da Manhã e o Expresso, devido a irregularidades relacionadas com a ESCOM, uma empresa cujo processo de venda dura há quatro anos, e que tem sido ligada a alguns dos maiores processos em investigação,

A empresa com sede no Luxemburgo, mas com negócios em Angola, foi mesmo anunciada como vendida à petrolífera angolana Sonangol em 2010, pela Rioforte, uma das empresas do grupo espírito santo que agora pediu proteção de credores no Luxemburgo.

A ESCOM teria sido vendida parcialmente à Sonangol, 67% da empresa, e o resto teria ficado para Helder Bataglia, o presidente da ESCOM. No entanto, o processo arrastou-se desde aí e apesar de dizerem que a venda tinha sido efetuada, o GES diz sempre que o processo está por concluir.

“Adicionalmente, e não referido no quadro anterior, existe uma exposição bruta de 297 milhões de euros relativa ao Grupo ESCOM que, segundo informação prestada pelo Grupo Espírito Santo, terá sido vendida, processo ainda não encerrado mas com conclusão prevista para breve”, dizia o BES num comunicado enviado ao mercado no dia 10 deste mês.

Na última entrevista antes de sair da presidência do banco, dada ao Jornal de Negócios, Ricardo Salgado dizia também que estava “à espera que a operação seja consumada”.

A Rioforte ainda não terá recebido o dinheiro mas também já não tem o controlo da ESCOM, que é um os maiores investidores privados em Angola, com interesses vários, como a construção, obras públicas e infraestruturas.

Ora, uma das coisas que está a ser investigada pelo DCIAP é precisamente este processo de venda. A Sonangol terá pago 15 milhões de euros de sinal pela empresa, que foram depositados em Lisboa, mais 85 milhões de euros que terão sido depositados na Suíça, através da gestora de fortunas Akoya.

Helder Bataglia, antigo sócia do GES na empresa e também administrador do BES Angola, lidera a ESCOM, que terá estado ligada à fundação da Akoya.

Os investigadores estarão a investigar o paradeiro destes 85 milhões de euros e quem beneficiou deste dinheiro. É aqui que entra a Akoya, a empresa suíça que está envolvida no processo Monte Branco. As autoridades estão a investigar suspeitas de fraude fiscal e branqueamento de capitais.

Submarinos

O luso-angolano Helder Bataglia e a empresa que preside não é nova nestas andanças. Helder Bataglia e dois administradores da ESCOM foram mesmo constituídos arguidos por corrupção ativa, tráfico de influências e branqueamento de capitais na investigação à compra dos dois submarinos aos alemães da German Submarine Consortium.

A lebre foi levantada por documentos apreendidos nesta empresa durante a Operação Furacão, havendo suspeitas de que donativos de um milhão de euros ao CDS-PP em dezembro de 2004 tivessem sido uma espécie de pagamento pela negociação das contrapartidas negociadas numa altura em que era Paulo Portas que tinha a pasta da defesa no Governo.

Foi a ESCOM que negociou as contrapartidas do concurso dos submarinos entre o consórcio alemão e o Estado português.