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O PS “não compreende” como é que numa altura importante para as contas nacionais o primeiro-ministro pode colocar a hipótese de deixar sair uma peça-chave no Governo para Bruxelas: a ministra das Finanças. E demarca-se já da escolha:

“A confirmar-se, o PS duvida que seja uma opção que defenda o interesse nacional”, diz fonte da direção socialista ao Observador.

Agora, depois de notícias dando conta que Maria Luís Albuquerque é o nome preferido por Passos Coelho, tal como noticiou o Observador, o PS vem dizer que não concorda. E porquê? Fonte da direção socialista sublinha desde logo o timing para a saída da ministra das Finanças, número três na hierarquia do Governo.

“A ministra das Finanças está há um ano em funções e a dois meses de entregar o Orçamento do Estado para 2015, que o Governo considera muito importante. Além disso, ainda não foram tomadas as medidas substitutivas do chumbo de maio do TC [corte de salários dos funcionários públicos] e, por isso, falta fazer um orçamento rectificativo”, diz a mesma fonte.

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Mas o problema dos socialistas com Maria Luís é também de perfil: “A ministra das Finanças é um rosto das políticas da troika, de austeridade. O PS sempre defendeu que devia ser escolhido um comissário que defendesse as políticas de crescimento”.

António José Seguro chegou a ser ouvido por Passos Coelho ainda este mês para dar a opinião sobre a escolha de Portugal para integrar a equipa do novo presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker. Depois da reunião, Seguro disse que tinha falado com Passos em pastas, mas nunca em nomes, nem em perfil. Certo foi que se percebeu, logo depois desse encontro, que a escolha não recairia sobre uma personalidade da área política do PS.

A escolha estará, no entanto, por dias. O Observador sabe que o primeiro-ministro está a tentar resolver o dossiê até esta quarta-feira. O compromisso com Juncker, novo presidente da Comissão, foi o de entregar um nome até ao fim do mês. Passos quer também informar o Presidente da República antes de este ir para férias. A reunião semanal com o Presidente da República foi antecipada para esta quarta-feira.

Antes disso, Passos estará com Durão Barroso em São Bento para a apresentação do acordo de parceria com a Comissão para os próximos fundos comunitários.

Maria Luís e Graça Carvalho ‘circulam’ na UE

Foi, resto, o próprio Juncker quem transmitiu a Passos Coelho o seu desejo de levar Maria Luís Albuquerque para a sua equipa. Passos respondeu que não tinha essa intenção, mas que um lugar de topo na Comisssão o poderia fazer reconsiderar. Para Juncker é crítico ter mulheres na lista de nomeados. Até aqui, dos 15 designados, três são ministros nos respetivos governos, quatro são ex-chefes de Governo, quatro são ex-ministros (um das Finanças, o francês Pierre Moscovici) e quatro são atuais comissários europeus.

Nesta mesma lista hoje divulgada pelo European Voice, aparecem três nomes como possíveis comissários portugueses (num nível que o jornal admite como “especulativo”): Maria Luís Albuquerque, mas também a eurodeputada Maria da Graça Carvalho e ainda a socialista Maria João Rodrigues.   

Passos Coelho tem guardado o assunto a sete chaves e recusou, esta segunda-feira, comentar o assunto no seio do partido. Quando o tema foi colocado em cima da mesa na reunião da comissão política do PSD, o líder do partido e primeiro-ministro chutou para canto. Sorriu e disse que esse era um assunto do foro do Governo, sabe o Observador.

Para já, a eventual saída da ministra das Finanças não está a ser mal recebida pelos mercados. Em declarações ao Económico, o responsável do Commerzbank para Portugal, David Schautz, disse apenas que “seria importante que a posição chave de ministro das Finanças fosse ocupada por alguém que consiga reassegurar aos investidores que Portugal vai manter o compromisso de um caminho prudente, mesmo depois das eleições legislativas do próximo ano”.