David Cameron parece já ter começado o sprint final para as eleições de maio de 2015, tentando recuperar os votos perdidos nas últimas europeias para o partido da Independência (UKIP), associado à extrema-direita. Num artigo escrito pelo próprio primeiro-ministro britânico para o jornal The Thelegraph, Cameron anuncia um conjunto de medidas que fazem um autêntico cerco à imigração, reduzindo para metade o tempo em que os emigrantes – mesmo da UE – podem usufruir de benefícios no Reino Unido. Tudo para “pôr Inglaterra em primeiro lugar”.

“O Governo tem um plano económico de longo prazo para assegurar um melhor futuro para o Reino Unido – e controlar a imigração é uma parte vital do plano”, começa por dizer o primeiro-ministro, acrescentando que o Reino Unido tem atualmente uma das “mais altas taxas de migração da sua história moderna” e que entraram no país mais “2.5 milhões de pessoas para trabalhar do que as que saem”.

Por isso, diz Cameron, o objetivo é claro: desenvolver “um sistema de imigração que ponha o Reino Unido em primeiro lugar”. O que implica três passos: “acabar com os abusos do sistema, garantir que as pessoas certas veem para cá pelas razões certas, e assegurar que o povo britânico consegue um acordo justo”.

A coligação que sustenta o Governo, entre conservadores e liberais, vai assim introduzir um novo plano de ação, que passa por reduzir para apenas três meses (metade do que era até aqui) o período que permite aos emigrantes receber benefícios sem estarem a trabalhar; por travar as mais de 500 mil vagas de trabalho que estão a ser anunciadas em toda a União Europeia e por impor novas restrições às universidades que oferecem vistos para aquilo que chama de “falsos” estudantes.

Segundo o primeiro-ministro britânico, há preocupações crescentes de que certas faculdades estão a abusar das regras de imigração ao venderem vistos de estudantes a jovens que querem trabalhar no país mas que assim gozam das vantagens do estatuto de estudante.

“Mudamos as regras para que ninguém venha para este país a pensar que vai receber benefícios imediatamente – a partir de agora vão ter de esperar três meses”, disse, anunciado o corte na duração dos benefícios. Antes qualquer cidadão da União Europeia que estivesse à procura de emprego podia desfrutar do subsídio de ‘procura de emprego’ ou dos benefícios para os filhos por um máximo de seis meses antes de os subsídios lhe serem cortados, exceto se desse provas claras de que tinha perspetivas de arranjar trabalho. Agora, esse período passa a três meses e a justificação de Cameron vai direta ao ponto:

“Ninguém pode esperar vir para o Reino Unido ganhar subsídios a troco de nada”

O anúncio de David Cameron surge pouco depois de o Fundo Monetário Internacional ter alertado o Reino Unido de que “políticas restritivas da imigração” podiam vir a traduzir-se num “impacto negativo na produtividade”. Num relatório sobre as finanças britânicas, o FMI, em que a instituição revê em alta o crescimento económico do Reino Unido para 3,2% este ano e 2,7% em 2015, afirma precisamente o contrário: “relaxar os requisitos para a imigração em áreas onde há falta de trabalho, como as manufaturas, pode produzir um impulso na produtividade e facilitar a reequilibrar a economia britânica”.

Além disto, as empresas britânicas estão a receber incentivos de cerca de mil libras por contratarem trabalhadores estrangeiros.

O Reino Unido é atualmente o principal destino dos emigrantes portugueses, que são na maioria licenciados, segundo concluiu um relatório elaborado pelo Governo e divulgado na semana passada. No último ano chegaram ao país 30.120 cidadãos portugueses, numa tendência crescente do novo cenário do fluxo migratório luso.