O serviço de emissão de vistos e passaportes dos EUA está com “problemas técnicos” desde há duas semanas, o que tem deixado pendente a emissão de muitos vistos e passaportes em todo o mundo, confirmou ao Observador o Gabinete dos Assuntos Consulares do Departamento de Estado norte-americano. A causa do problema informático ainda não foi identificada, mas o Departamento diz estar a trabalhar em colaboração com a Microsoft para resolver a situação. Poderá demorar “semanas”, admitem.

De acordo com o Departamento de Estado, o problema começou a 20 de julho, quando o sistema informático foi atualizado no sentido de resolver problemas anteriores e de melhorar o desempenho do software. “Estes problemas resultaram numa extensa lista de pedidos pendentes que tem dificultado ainda mais os nossos esforços para restabelecer a situação”, afirma o Departamento, acrescentando que a atualização no programa foi feita de acordo com as recomendações da empresa e que não se conhece qual a origem do problema. “A prioridade é pôr o sistema a funcionar normalmente”, dizem.

O sistema esteve completamente em baixo durante três dias, tendo sido restabelecida alguma atividade no dia 23 de julho – ainda assim “com capacidade limitada”. No dia 24, a Embaixada dos EUA em Portugal avisava na sua página oficial de Facebook que o Gabinete dos Assuntos Consulares estava a “ter problemas técnicos no sistema de passaportes e vistos” e que o problema era “mundial e não específico de um determinado país”. “Pedimos desculpa aos requerentes pela demora ou impossibilidade de obtenção” dos documentos, lia-se.

Desde esse dia, no entanto, ainda não foram emitidas novas informações, pelo que os problemas persistem e sem fim à vista. Num e-mail de esclarecimento enviado ao Observador, o Gabinete dos Assuntos Consulares admitiu que prevê “serem precisas semanas para restabelecer a capacidade plena do funcionamento do sistema”.

A Microsoft e a Oracle, empresa de tecnologia encarregada pela base de dados do Gabinete dos Assuntos Consulares, já foram chamadas a intervir. Ainda assim, apesar dos problemas técnicos, o Gabinete garante que desde que foi restabelecido de forma limitada o funcionamento do sistema, tem conseguido “assegurar a maior parte dos casos mas com atrasos”, dando prioridade à emissão de passaportes para “viagens de emergência”.

No Brasil, de acordo com a imprensa local, a Embaixada dos Estados Unidos recomendou esta quinta-feira aos cidadãos que têm viagens marcada e ainda não têm os documentos necessários que “ajustem os seus planos de viagem”. Só em 2013, o Gabinete emitiu 9.1 milhões de vistos de não imigrantes, para turistas, quase meio milhão de vistos para imigração, e cerca de 13 milhões de passaportes.

Problema é o mais grave de sempre

Nunca antes os EUA experienciaram um problema no sistema “desta magnitude”, admite o Gabinete dos Assuntos Consulares na sua página da internet, num espaço de perguntas e respostas que elaborou para ajudar o turista a minimizar os problemas com os atrasos nos documentos. “Já tivemos alguns problemas menores com a base de dados no passado, mas nunca antes prejudicaram desta forma a nossa capacidade de dar resposta aos assuntos consulares”, lê-se, acrescentando-se que o “está em curso um plano para minimizar a ocorrência de problemas futuros”, que passa pela criação de dois sistemas redundantes para que um esteja funcional quando o outro falhar.

“É um caso sem precedentes”, disse ao Wall Street Journal um advogado especialista em imigração, Jonathan Ginsburg, para quem “basta um atraso de um dia para criar um grande problema de vistos pendentes”, já que todas as repartições que emitem estes documentos diariamente ficam impossibilitadas de o fazer. Perante a persistência do problema durante mais de duas semanas, começou a desenhar-se a possibilidade de se tratar de um ataque cibernético. Mas o Departamento de Estado descarta a ideia. “Acreditamos que a causa do problema foi uma combinação de otimização de software e problemas de compatibilidade de hardware“, disse na quarta-feira a porta-voz do Departamento de Estado Marie Harf aos jornalistas em conferência de imprensa. “Não houve intenção maliciosa”, disse. A base de dados consular contém centenas de milhões de ficheiros de vistos e fotografias, estando interligada a bases de dados de outras agências federais norte-americanas, nomeadamente do FBI e do Departamento de Segurança Nacional norte-americano.