António José Seguro recebeu um telefonema de Pedro Passos Coelho, durante esta madrugada, a comunicar-lhe que a escolha do Governo para comissário europeu era Carlos  Moedas e ficou “negativamente surpreendido”.

Segundo o secretário-geral do PS, Moedas “não corresponde a nenhum dos itens” necessários: “prestígio, reconhecimento dos pares e trabalho europeu”.

“Não se lhe conhece uma ideia, uma proposta ou um conhecimento sobre a Europa”, disse Seguro, em conferência de imprensa na sede do PS, no Largo do Rato, em Lisboa. “É uma escolha estritamente partidária”, acrescentou, argumentando que Passos não ouviu “os apelos do PS ao consenso”. Sem pronunciar o nome de Maria João Rodrigues, disse que “havia outras personalidades com provas dadas e peso político”.

Mais importante, segundo o socialista, é que este nome não garantirá a Portugal “um pelouro que possa defender o interesse nacional”. A pasta ainda não é conhecida.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

PS: Moedas é escolha “de trocos” e “sem grandeza”

As reações do PS começaram cedo esta sexta-feira, assim que o Governo confirmou o nome de Moedas. O eurodeputado do PS, Carlos Zorrinho, considerou que o nome de Carlos Moedas para futuro comissário europeu é “uma escolha sem grandeza” e que “indicia que o Governo está fechado no seu pequeno círculo”. “Falta saber se a pasta não será a segunda parte da desilusão”, acrescentou.

Em declarações à Antena 1, o socialista declarou que a indicação do atual secretário de Estado-adjunto do primeiro-ministro foi uma escolha “solitária” do Governo e uma “enorme desilusão” no plano político. “É uma escolha de alguém que esteve sempre nos últimos anos do lado contrário em termos de pensamento e ação do que é o programa de Jean-Claude Juncker para o relançamento da Europa”, disse.

Para Zorrinho, isto significa que o Governo não quis procurar o consenso com outras forças partidárias, nomeadamente, o PS, que tem reclamado para si a indicação do futuro comissário depois de há cinco anos ter apoiado a recondução do social-democrata Durão Barroso na presidência da Comissão Europeia. “O primeiro-ministro só consegue mobilizar no seu círculo íntimo”. “E depois apela a soluções de compromisso”, criticou.

Carlos Zorrinho considera que Maria João Rodrigues seria a escolha mais acertada, porque teria uma pasta importante e Jean-Claude Juncker confiaria no seu trabalho.

“Estamos reduzidos a trocos, já nem notas há”, comentou João Soares. “Teria feito todo o sentido indicar, como lhe foi recomendado pelo líder do PS António José Seguro, para comissário europeu o nome de Maria João Rodrigues”, defendeu.

António Galamba, membro do secretariado do PS, considera que Passos age como se Portugal fosse “uma coutada sua” e que os portugueses foram “sacrificados” nos últimos três anos para ajudar nas “promoções” de Vítor Gaspar e Moedas. “O ministro da rroika foi trabalhar para o FMI. O secretário de Estado da troika vai para Comissão Europeia. (…) Já não consegue surpreender porque é o comportamento miserável de três anos a fazer currículo. Três anos em que os portugueses estiveram a contribuir para os currículos de Vítor Gaspar e de Carlos Moedas”, escreveu no Facebook.

“É preciso por um ponto final nesta e noutras lógicas de vale tudo”, acrescentou.