A Herdade da Granja, no concelho de Idanha-a-Nova, volta a receber o Boom Festival, entre 4 e 11 de agosto. A 10.ª edição deste festival bienal tem os bilhetes esgotados e, dos 30 mil festivaleiros, 90% são estrangeiros.

Começou pequeno, em 1997, na Herdade do Zambujal, com 3.500 curiosos e aventureiros. Em 2002 mudou-se para Idanha-a-Nova, em Castelo Branco. Em 2014, o Boom Festival é um fenómeno internacional que acolhe 30.000 festivaleiros — e só não são mais porque os bilhetes estão esgotados desde 15 de julho.

Desses 30.000, 90% são estrangeiros, oriundos de 152 países, afirmou Alfredo Vasconcelos, da organização, à agência Lusa, adiantando que este dado foi confirmado “não só pelas vendas eletrónicas, mas também pelo sistema Unicre”, através do qual é possível detetar a origem de quem compra bilhetes. Os franceses ocupam o primeiro lugar, seguindo-se, por ordem decrescente, alemães, ingleses e portugueses.

Vêm à procura de música, mas também de uma porta de entrada para outra realidade. É o caso de Ana Pereira. “O Boom é especial”, disse ao Observador esta técnica de marketing de 26 anos, que se estreou no festival em 2012 e este ano vai repetir a experiência. “Já fui a outros festivais mas este tem uma envolvente diferente. Desde a decoração pensada ao pormenor e a preferência pela utilização de recursos ditos ‘amigos do ambiente’, à diversidade de culturas. Em 2012 ouvi na grande maioria outras línguas sem ser o português, o que torna o ambiente diferente porque parece que estamos fora do país”.

Apesar de a sonoridade que domina o festival — o trance — já não lhe dizer tanto, Ana Pereira conta que não vai faltar o que fazer. “Existem várias pistas e até outras atividades como workshops, aulas, espetáculos de dança, de luz, de fogo… o que acaba por preencher o dia”. Ou seja, “não é obrigatório estar na pista o dia todo a ouvir trance”, explica.

O local, junto à margem da Barragem Marechal Carmona, é o que muitos consideram como perfeito. “É enorme e dá mesmo a sensação de que estamos ‘fora de portas’ o que torna a viagem ainda mais incrível. É uma semana de paz interior, em que os problemas e a rotina ficam em Lisboa”, disse Ana, que vai deixar Cascais para trás rumo a Idanha-a-Nova.

boom festival

sol e 30 graus são as previsões meteorológicas entre 4 e 11 de agosto em Idanha-a-Nova

O destaque vai quase todo para a música eletrónica, e o cartaz inclui nomes como Man With No Name, Green Nuns of the Revolution e Juno Reactor. Mas vários projetos nacionais também vão marcar presença, incluindo os Sensible Soccers e os barcelenses Black Bombaim, cujas sonoridades rock se diferenciam do trance que domina o Boom.

O Dance Temple é uma das principais atrações. É nesta área de dança neotribal que vão atuar “os melhores artistas de psytrance”, promete a organização. É uma experiência percetiva ao som de um dos estilos mais criativos do Séc.XXI, juntando no mesmo local músicos, DJs, produtores, decoradores, artistas plásticos e VJs.

A Liminal Village é o centro cultural do Boom desde 2002. Por lá encontram-se conferências, apresentações e painéis de discussão sobre temas diversos como ativismo, espaços culturais livres, ritos ancestrais, mitologia, ecologia, permacultura, trance, ou ciência alternativa. O espaço também vai acolher a mostra de cinema independente Paradigm Films Showcase.

Drogas também estão presentes no Boom

O início do Boom é sinónimo de operações especiais para a GNR, que a cada edição apreende produtos ilícitos e efetua detenções na fronteira de Vilar Formoso, bem como em Idanha-a-Nova.

Durante a operação “Boas Vindas“, que foi montada em Vilar Formoso este fim de semana,  com o objetivo de apoiar os emigrantes e turistas estrangeiros, foram detidas 30 pessoas e 20 foram identificadas. De acordo com a Lusa, os suspeitos, de nacionalidade francesa, belga e holandesa, tinham como destino o Boom Festival e estavam na posse de ecstasy, liamba e haxixe e de embalagens de gás pimenta.

A GNR também tem em curso, desde 31 de julho, e até ao final do Boom, a operação “Psicadélica 2014”, à entrada da cidade e junto ao recinto. Ao Observador, o porta-voz da GNR, Capitão Bruno Marques, adiantou que já tinham sido feitas 14 detenções até à manhã desta segunda-feira, devendo o número aumentar com o início do festival.

“Das 14 detenções, 12 foram por tráfico / consumo de estupefacientes e duas por posse de arma branca”, adiantou. Já foram confiscados 234 gramas de haxixe, 8,1 gramas de ecstasy, 36 cogumelos, 34 selos de LSD, 3,8 gramas de MDMA, 3,5 gramas de cocaína, 3,2 gramas de liamba, um moinho e duas armas brancas. Ao todo, foram fiscalizadas 390 pessoas.

Em 2012, até ao final do festival a GNR deteve 86 pessoas: 73 por posse de droga, 11 por posse de arma proibida, uma por contrafação de moeda e uma por ofensas à integridade fisica. Foram ainda apreendidas 23.405 doses de diferentes substâncias estupefacientes, 9.000 dólares falsos, diversas armas brancas e aerossóis de defesa pessoal (gás pimenta).