O festival Caminhos do Cinema Português, realizado em Coimbra, vai regressar em novembro, depois de em 2013 ter tido a atividade suspensa devido à falta de apoios financeiros, informou o diretor do festival, Vítor Ferreira.

Organizado pelo Centro de Estudos Cinematográficos da Associação Académica de Coimbra (AAC), este festival e cinema português vai realizar-se entre 14 e 22 de novembro, estando abertas as candidaturas às secções competitivas até 15 de setembro.

Em 2013, a decisão do Instituto do Cinema Português (ICA) de não apoiar financeiramente a iniciativa e o aumento “dos custos em 400% por parte do Teatro Académico Gil Vicente [TAGV]” no aluguer da sala, foram as razões que levaram a direção a suspender a sua realização.

O Caminhos, além das duas secções de competição (uma dirigida a obras de realizadores consagrados e outra a obras criadas no ensino profissional e superior), destaca este ano a produção de cinema da Polónia, na secção “Cinema Mundial”, e promove mais uma vez o “Caminhos Juniores”, destinado ao público infantil.

Vítor Ferreira informou também que o festival vai promover um simpósio sobre a fusão das artes no cinema, procurando “criar um novo espaço de discussão e de reflexão sobre o cinema português”, contando ainda com uma exposição sobre os 20 anos do Caminhos, que estará presente entre outubro e novembro no Coimbra Shopping.

Com o festival na sua 20.ª edição, a direção continua a enfrentar “problemas” no que toca ao financiamento, afirmou Vítor Ferreira, explicando que será possível realizar o festival a partir de “receitas próprias e do apoio indireto da Queima das Fitas, através do Conselho Cultural”.

De momento, “a candidatura a apoio por parte da Câmara de Coimbra foi suspensa, porque a AAC tem dívidas ao município que nada têm que ver com o festival ou com a secção”, disse o responsável, salientando que o evento “projeta o nome da cidade”.

Devido às dificuldades de apoio por parte da Câmara, a organização vai apresentar um “pedido de apoio financeiro direto” à Universidade de Coimbra (UC), além da redução do preço do aluguer da sala do TAGV, que já foi acordado.

O orçamento de 50 mil euros “não é o orçamento ideal”, contou o diretor do Caminhos, salientando que “o mínimo para se fazer um festival desta dimensão seriam 100 mil euros”.

Clara Almeida Santos, vice-reitora da UC, sublinhou que a instituição “mantém a porta aberta para todo o tipo de apoios”, para além da “redução substancial” do preço do aluguer da sala.

Segundo a assessoria de imprensa da Câmara Municipal de Coimbra, a AAC ainda não enviou uma resposta à autarquia relativamente a “um novo plano de pagamento” da dívida, sendo que “as várias secções da AAC fazem parte deste organismo” e “não podem ser dissociadas” da associação.