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Em 2020, haverá 13 países com uma população “super-idosa”, grupo em que se incluirá Portugal. A previsão consta de um estudo realizado pela Moody’s, citado pelo Financial Times (FT), e representa a soma de dez nações a uma lista que atualmente integra apenas Alemanha, Itália e Japão.

A agência de rating alerta para os entraves que a tendência de aumento do número de países em que mais de um em cada cinco habitantes tem idade superior a 65 anos vai criar ao crescimento económico. Aos 13 que existirão daqui a seis anos, vão juntar-se mais 21 em 2030, de acordo com as projeções efetuadas pela Moody’s.

A maioria dos países que integrará a lista dos “super-idosos” em 2020 localiza-se na Europa. Além de Portugal, o grupo vai ser ampliado com as presenças de parceiros da União como a Holanda, França, Suécia, Eslovénia e Croácia. Dez anos depois, a diversidade geográfica será maior com a entrada de Hong Kong, Coreia do Sul, Estados Unidos, Reino Unido e Nova Zelândia.

A Moody’s refere que estas mudanças na economia global correspondem à transição de um modelo de “dividendo demográfico”, que ajudou a potenciar o crescimento, para uma situação de “imposto demográfico”. Elena Duggar, vice-presidente da agência de rating e uma das autoras do relatórioafirma que “a transição demográfica, frequentemente considerada como um problema de longo prazo, está agora a cair em cima de nós e vai fazer abrandar de forma significativa o crescimento económico”. As previsões apontam para que o ritmo de aumento da população ativa entre 2015 e 2030 represente apenas metade daquele que se verificou durante os 15 anos anteriores, segundo o FT.

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O envelhecimento da população vai retirar 0,4% à taxa de crescimento anual da economia global durante os próximos cinco anos e este “travão” subirá para 0,9% de 2020 a 2025.

Com estas perspectivas, a Moody’s acredita que o envelhecimento da população vai retirar 0,4% à taxa de crescimento anual da economia global durante os próximos cinco anos e que este “travão” subirá para 0,9% de 2020 a 2025. Os governos são aconselhados a proceder a reformas de médio prazo que melhorem a participação no mercado de trabalho, bem como os fluxos migratórios e financeiros que poderão, acredita a agência, ajudar a suavizar os impactos do envelhecimento sobre o desempenho das economias. A longo prazo, refere a Moody’s, a inovação e o progresso tecnológico que aumentam a produtividade “terão potencial para reduzir” os efeitos negativos.

Projeções do Instituto Nacional de Estatística (INE), de Março de 2014, revelam que “a população residente em Portugal tenderá a diminuir até 2060” e, num cenário central, reduzir-se-á “de 10,5 milhões de pessoas, em 2012, para 8,6 milhões de pessoas, em 2060”. O fenómeno será acompanhado de um “continuado e forte envelhecimento demográfico”. Entre 2012 e 2060, “o índice de envelhecimento aumenta de 131 para 307 idosos por cada 100 jovens”.

Uma comissão nomeada pelo Governo liderado por Pedro Passos Coelho apesentou, em meados de julho, um relatório em que são propostas medidas para incentivar o aumento da taxa de natalidade em Portugal. Redução de 1,5% na taxa de IRS para o primeiro filho e de 2% para o segundo e restantes ou alterar a forma de apuramento das deduções à colecta de IRS de forma a que o montante a deduzir em cada agregado familiar seja definido contabilizando cada filho, são duas das propostas que o primeiro-ministro já afirmou que só serão concretizadas se houver disponibilidades no Orçamento do Estado.