A Rússia e a Ucrânia estão às turras. Não é novidade. Começou na Península da Crimeia e alastrou à região leste ucraniana, onde o governo de Vladimir Putin tem sido acusado de alimentar, com armas, os militares separatistas pró-russos. Os EUA e a UE, entretanto, impuseram sanções económicas à Rússia. E Moscovo respondeu na mesma moeda. E a UBS, um banco suíço, calculou quais as empresas que mais vão sofrer com o conflito entre russos e ucranianos.

Não é a primeira vez que o faz. No final de julho, o banco tinha já avisado que, no total, os bancos com sede na União Europeia tinham pelo menos 60 milhões de euros em empréstimos colocados nos mercados russo e ucraniano. Agora, resolveu identificar as empresas, cotadas nas bolsas da zona euro, cujo volume de negócios esteja em pelo menos 5% ligado à Rússia. E os cálculos não abonam a favor da Carlsberg, por exemplo.

No caso da empresa dinamarquesa, fabricante de cerveja, o estudo da UBS, citado pelo diário El Confidencial, mostra que a exposição pode chegar aos 33% do lucro antes de juros e impostos (EBIT) — a percentagem mais elevada entre as empresas que não pertencem ao setor financeiro (bancos). O banco suíço analisou os últimos relatórios e contas disponíveis para cada uma das empresas avaliadas.

Logo a seguir surge a Adidas, marca alemã de artigos desportivos, que tem 15% dos seus lucros no mercado russo. Isto na área do Consumo de Bens e Serviços, onde a Inditex, gigante espanhola que detém, por exemplo, a cadeia de vestuário da Zara, tem 6% dos lucros expostos à Rússia.

Depois surge a inglesa Marks & Spencer, que gera cerca de 4% do seu EBIT na Rússia. Ou seja, a lista é liderada por duas empresas que poderão pagar o preço por deterem uma cadeia de lojas presente em dezenas de países europeus.

No setor dos bens de consumo, quem poderá sofrer mais é a Danone, empresa francesa que detinha 11% da sua margem de lucro exposta ao mercado russo. Já a Renault, marca automóvel, registou 8% das unidades vendidas em território russo.

Na área das petrolíferas, a UBS estimou que a BP é a empresa com maior exposição ao mercado russo — tem 8% do “valor dos seus ativos” na Rússia. A Total, por exemplo, regista 5%. Este setor, aliás, é descrito pelo El Confidencial como o “calcanhar de Aquiles” da zona euro, já que 40% do petróleo importado pela economia comunitária vem da Rússia, além de 22% do gás natural.