Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

A combinação entre serviços mínimos, voos operados pela PGA Portugália Airlines, fretamento de aviões de outras companhias aéreas e o reagendamento e cancelamento de viagens deverá reduzir o impacto da greve dos pilotos da TAP junto dos passageiros. Quando a paralisação foi convocada, eram 42 mil as pessoas que já tinham adquirido passagens para voos da companhia, mas grande parte das situações foi resolvida.

No sábado passado, o Observador já tinha adiantado que a TAP conseguira soluções de viagem “para cerca de 10 mil passageiros”, segundo uma fonte oficial da empresa, através do reagendamento de voos, a transferência para voos de outras linhas e o reembolso das quantias pagas. Entretanto, garantiu fonte da companhia, a situação de cerca de 25 mil passageiros já foi resolvida através desta via. “O grosso dos restantes 17 mil”, disse a mesma fonte, terá os seus voos assegurados pelas soluções ao dispor da companhia – PGA e fretamento e aeronaves – e pelos serviços mínimos, determinados esta semana pelo tribunal arbitral. A TAP não consegue, contudo, precisar esse número.

O verdadeiro impacto da greve só será conhecido no próprio dia. A paralisação tem início previsto para a meia-noite deste sábado e deverá durar 24 horas. Um dia sem voos custaria à TAP cerca de oito milhões de euros, mas como tal não sucederá desta vez, é impossível fazer previsões. Para já, estão assegurados cerca de 200 dos 350 voos planeados pela companhia, mas tudo dependerá da adesão dos pilotos à paralisação.

O centro de atendimento da TAP passou toda a semana a tentar encontrar soluções junto de todos os passageiros com voos marcados para sábado. Ainda assim, a comunicação nem sempre funcionou. Nelson da Silva, que tinha viagem marcada de Paris (Orly), onde reside, para o Porto, contou ao Observador como se desenrolou o processo relativo ao seu voo. “Não tive nenhuma informação [por parte] da TAP. Foi por sorte que vi que [havia] a greve no jornal”, relata. Depois disso, tentou “telefonar para o serviço de cliente durante 3 dias”, não obtendo qualquer resposta, até que recorreu à página de Facebook da companhia.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Nessa página, são centenas as queixas de passageiros que dizem não conseguir falar telefonicamente com a TAP. Nelson da Silva acabou por conseguir alterar o seu voo para domingo, adiando igualmente o regresso a Paris. “Depois de estar em contacto com eles [o comportamento da TAP] foi perfeito”, diz, acrescentando que as viagens que fará agora até eram mais caras do que as que originalmente tinha programadas. Mesmo assim, deixa o reparo: “O único problema foi não ter recebido um email para prevenir. Eu que vivo no estrangeiro tive a sorte de ver a informação desta greve através do site de A Bola.”

Rodrigo Silva, que tinha viagem marcada de Lisboa para Nova Iorque, também contou ao Observador como a TAP lidou com o seu caso. “Fizemos alteração do nosso voo para outra companhia, através da agência de viagens, para um com escala. Porque a TAP não nos soube dar informação acerca dos voos afetados”, diz. Rodrigo contactou a companhia e, entretanto, já depois de ter feito a alteração, soube que a sua viagem inicial não seria afetada. Mesmo assim, diz não ter queixas. “Apesar de irmos perder mais horas [num] voo com escala, conseguimos voo no mesmo dia sem custos acrescidos”, conta.

Outros não tiveram a mesma sorte. Roberta Resende tinha planeado chegar de Porto Alegre, no Brasil a Lisboa e, aqui, seguir pela TAP para Londres, onde já tinha estada paga. A companhia aérea portuguesa reagendou-lhe o voo para domingo. “Me mandaram email [a dizer] que alguém estará me esperando no aeroporto de Lisboa e me levará para o hotel. Porém, não falaram nada sobre ressarcimento dos gastos que terei em Londres no dia que não estarei lá, por conta da greve. Nem nada sobre voucher de alimentação para este dia”, relata. Roberta queria que a TAP a reembolsasse, pelo menos, dos gastos com o hotel, que não lhe devolve o dinheiro da noite perdida.

O presidente do Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC), que convocou a paralisação no dia 24 de julho, pediu esta quinta-feira desculpa aos passageiros afetados pela greve. “Lamentamos o impacto que vai ter nas suas vidas e esperamos que o resultado desta ação seja uma nova postura para uma TAP viável e sem verões como este a que assistimos, que é vergonhoso em toda a linha”, disse. A greve deste sábado deverá mesmo avançar, ao contrário do que sucedeu em 2012, quando uma paralisação foi desconvocada na véspera.

A TAP vive dias conturbados. Entre 1 de junho e 30 de julho, a companhia cancelou 468 voos e os atrasos foram mais frequentes do que o habitual, somando-se a isso cinco incidentes em aeronaves da companhia durante o mesmo período. Tudo isso levou mesmo o ministro da Economia, Pires de Lima, a declarar que é “a imagem de Portugal, também, que está em causa”, secundado pela Confederação do Turismo Português, que acrescentou que a greve de sábado “terá um forte impacto negativo no turismo nacional”.

Apesar disto, nem tudo é prejuízo. Pelo menos para Francisco Martins, que anda a viajar pela Europa e tinha voo marcado de Budapeste para Lisboa. “Tive de adiar o regresso mais 8 dias”, o que o afeta, mas “só em termos monetários”: “Fiquei muito feliz por poder ficar mais uma semana a viajar”, ri-se.