A economia da Alemanha, a maior da zona euro, sofreu uma contração de 0,2% do seu Produto Interno Bruto no segundo trimestre do ano, e a segunda maior economia, a França, estagnou pelo segundo trimestre consecutivo.

Segundo o gabinete de estatísticas alemão, este é a primeira queda do PIB desde o início de 2013. Em comparação com o mesmo trimestre de 2013, a economia alemã ainda está 1,2% acima.

A prejudicar as contas alemãs esteve um desequilíbrio na balança comercial alemã. O Destatis diz que as importações cresceram mais que as exportações. O mau tempo também fez o seu papel, com vários projetos de investimento na construção a serem adiados, o que fez mossa no valor do investimento neste setor.

Já o consumo privado e público estão a aumentar, face ao primeiro trimestre do ano.

França estagna e já pede menos consolidação

O Governo francês reagiu rápido à evolução do PIB. As notícias continuam a não ser boas – a economia francesa estagnou no segundo trimestre -, depois de no primeiro trimestre terem sido iguais.

O ministro das Finanças de França, Michel Sapin, afirmou que o país não vai cumprir as metas do défice previstas para este ano e cortou para metade a projeção do Governo para o crescimento económico francês.

Num editorial publicado no Le Monde, Michel Sapin diz que o Governo francês espera agora que a economia cresça apenas 0,5% durante este ano, contra 1% esperados anteriormente, e que em 2015 não crescerá mais que 1%, quando a anterior projeção era de 1,7%.

“É melhor admitir o que é do que esperar pelo que não vai ser”, diz Michel Sapin.

Fraco crescimento e baixa inflação vão pesar nas receitas fiscais e aumentar o valor do défice face à dimensão relativa da economia. Segundo Michel Sapin, o défice será superior a 4% do PIB, quando a meta era baixá-lo para 3,8% este ano (o ano passado fechou nos 4,3%).

O ministro das Finanças diz ainda que a França irá continuar a cortar o défice mas a um “ritmo apropriado”, garantindo que vai manter os atuais planos de corte na despesa e que não vai aumentar mais impostos, ou seja, que não vai tomar medidas adicionais para compensar a derrapagem nas contas públicas derivada do fraco crescimento.

O Governo francês quer mudar a política europeia e adaptar a redução do défice à atual situação económica: “A Europa deve tomar uma ação firme e clara ao adaptar profundamente as suas decisões à situação particular e excecional do nosso continente”, disse Sapin.

Nem o Banco Central Europeu fica de fora das “recomendações” do ministro francês, que diz que a instituição liderada por Mario Draghi tomou as decisões certas para combater a a baixa inflação mas que deve agora ir até ao limite do seu mandato para prevenir uma queda prolongada nos preços.