Na oficina da Ferox, os clientes podem escolher todos os pormenores das suas pranchas, desde o peso, a dimensão, características relacionadas com a performance à decoração, e até assiná-las, explicou à Lusa Octávio Lourenço.

Segundo o criador da marca, a carteira de clientes vem crescendo por via da publicidade que os compradores fazem ao seu trabalho e alguns surfistas estrangeiros encomendam as pranchas com antecedência, para as terem pronta quando chegam de férias à região.

Os pedidos chegam desde clientes que se querem iniciar na modalidade do surf aos que já têm um nível mais avançado ou de competição até aos que já se retiraram das competições mas querem continuar a surfar com pranchas que correspondam às suas expectativas, acrescentou.

A capacidade de ouvir e perceber o cliente é vital neste tipo de trabalho personalizado, em que a precisão técnica chega à escala do milímetro e do grama, explicou o criador.

As pranchas feitas a partir de rolhas de cortiça eram um projeto antigo do fundador da oficina, que disse à Lusa ter aproveitado o estágio de uma turma de desporto do concelho na Ferox para materializar a ideia.

“É um projeto que já tinha há muitos anos, mas nunca tinha tido disponibilidade para estar a colar rolha a rolha porque é um processo muito demorado”, comentou, observando que as rolhas recicladas foram recolhidas e coladas na prancha pelos alunos.

As pranchas foram apresentadas pela primeira vez ao público durante a Feira da Serra de São Brás de Alportel e Octávio Lourenço contou que as pessoas mostraram interesse em tocar e ver a textura e perceber como tinham sido colocadas as peças ou se era só tampa de rolha de cortiça.

“Se formos olhar com algum cuidado, vemos que têm já os buracos do saca-rolhas”, observou.

Estas pranchas não são o produto principal da empresa, mas já houve encomendas com vista à sua utilização na decoração de espaços.

“Estamos mais virados para a vertente funcional. A menos que arranjemos alternativas que já estão a ser pensadas, não é propriamente um produto para ser comercializado”, acrescentou.

Já no caso das pranchas feitas em madeira de pita agave (planta originária do México, mas que também existe no Algarve), Otávio Lourenço explicou tratar-se de um material que depois de tratado se torna leve, ainda que implique técnicas exigentes. Trata-se de um projeto que quer explorar com mais afinco.

“Andamos sempre a tentar pensar em materiais novos, principalmente a conjugação de materiais. Temos um que não podemos revelar que é de produção mesmo aqui da casa, em que já temos algumas pranchas produzidas nesse material, inclusive para surf adaptado”, avançou.

O interesse pelo surf e pelas pranchas de Octávio Lourenço, aliado à sua formação em artes plásticas, fez nascer há cerca de 14 anos a empresa, cujo nome foi inspirado numa espécie de tubarão existente na costa algarvia e que visa mostrar a ‘garra’ da marca. Curiosamente, ficou instalada num concelho algarvio sem ligação direta ao mar, terra natal do seu criador.