Já se sabe que, no que toca à exposição solar, seja ela natural ou artificial, todo o cuidado é pouco. Que o diga Jo Irving, uma hospedeira de bordo britânica de 32 anos, frequentadora assídua de solários desde os 14, a quem foi diagnosticado cancro de pele em 2013.

Desde que recebeu o diagnóstico, Jo nunca mais foi a um solário, conta o Huffington Post (o link contém imagens que podem chocar as pessoas mais sensíveis). No entanto, antes de saber que tinha carcinoma basocelular, o tipo de cancro de pele mais comum entre pessoas caucasianas, a hospedeira de bordo não saia à noite sem ter feito uma visita a um centro de bronzeamento durante o dia. Inclusive chegou a frequentar solários durante todo o período em que esteve grávida. “Eu era viciada em estar bronzeada. Se fosse de férias e não voltasse bronzeada, ficava desapontada”, relembrou Jo.

Em 2010, Jo reparou que tinha uma espécie de caroço perto do olho esquerdo. “Era um pequeno caroço com uma cabeça branca. No início não me incomodava. Só me lembrava que o caroço estava lá quando me maquilhava de manhã. E a maquilhagem acabava por tapá-lo”. A britânica pensou que “com o tempo o caroço iria desaparecer mas o namorado começou a insistir para que fosse visto por um médico”. Quando o caroço começou a sangrar, Jo continuou sem sentir a necessidade de ir ao médico.

Foi em 2012, durante a primeira consulta após o nascimento do seu filho, que a hospedeira de bordo referiu, pela primeira vez, a existência do caroço ao médico. “O médico disse-me para o ir vigiando e para marcar uma consulta caso visse alguma alteração. A reação do médico não me deu razões para ficar preocupada. Só regressei ao médico em 2013”. E foi em 2013 que Jo percebeu que ela e o médico estavam enganados e que, afinal, existiam motivos para preocupação.

“Assim que entrei no consultório, o médico olhou para mim e disse que tinha uma úlcera cancerígena. Disse-me ‘não sei qual é a sua relação com solários mas sugiro que nunca mais volte a um’. Foram precisos dois cirurgiões plásticos para a cirurgia — enquanto um retirava o nódulo, o outro tirava pele da minha orelha para o enxerto que iria tapar o buraco causado pelo nódulo”. Mas o enxerto foi rejeitado. “Fiquei com um buraco na minha cara que demorou cinco semanas a cicatrizar. E a minha orelha estava de tal forma inchada que não se podia lá tocar”.

Ao olhar para as fotografias onde aparecia sempre bronzeada, Jo considera que “parecia ridícula. Não dava para perceber qual a cor original da pele”. Agora, “sempre que vejo pessoas a saírem dos solários, sinto-me doente. Não têm noção do mal que estão a fazer a si próprias”. “Sempre pensei que este tipo de coisas não me podia acontecer. Mas aconteceu”. Jo considerou esta experiência como um “sinal para ficar alerta”. Antes do carcinoma “costumava usar um protetor solar de fator 15 na cara e de fator 2 no corpo. Dias depois passava para o óleo bronzeador. Agora uso sempre fator 30 ou 50”.